terça-feira, novembro 13, 2007

Os anos da minha filha

No Sábado a minha filha fez 5 anos.
De manhã cedo levantou-se e precipitou-se para a cama dos pais.
Queria-nos acordados, para receber as prendas.
A minha esposa começou por lhe dar as mais pequenas.
Só depois lhe deu a casinha de bonecas que ela tanto queria.
É a coisa mais recompensante da vida, ver aquele sorriso de orelha a orelha estampado no seu rosto.
Depois fomos buscar o bolo de anos e almoçar com os avós maternos e paternos a Arruda dos Vinhos.
Também foi um bocadinho bem passado, com ela e a prima a correr o restaurante todo de um lado para o outro.
Em seguida foi o ponto alto das festas: juntámos cerca de 10 amiguinhos dela e foram todos dar largas à sua energia num ATL ao pé da Expo.
Aí é que foi brincar e pular. Pareciam Ferraris, quando se acelera a fundo, libertando toda aquela energia.
O ruído eram ensurdecedor. Ao final das 2 horas de festa, ela já quase não conseguia correr e o suor caía-lhe pela cara abaixo.
Estava na hora do lanche. Ela sentou-se na cadeira do trono (visto ser a aniversariante) e todos lhe cantaram os parabéns.
Filmei bem aquele momento, porque a expressão dela dizia tudo. É difícil haver algo mais recompensante na vida.
Quando saímos e a pusémos no carro de volta a casa, adormeceu quase instantaneamente.
Chegou a casa mais morta que viva, mas a ânsia de brincar com as prendas novas era mais forte que o cansaço.
Lá arranjou mais um pacotinho de energia e ainda se aguentou mais algum tempo no quarto a brincar.
Domingo de manhã, termia por todo o lado com fraqueza ..... e fome.
Acabámos por ficar em casa, para ela recompôr as forças.
O Sábado foi um dia profundamente extenuante e feliz.....para ela e para mim.
Eu gosto muito dela.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Fim de semana alentejano II

No Domingo, fui só dar uma volta de bicicleta pela Terrugem.
Nunca distribuí em tão pouco tempo tantos: “bom dia”.
99,99% das pessoas não as conheço de lado nenhum.
Mas.......o relacionamento entre as pessoas é tão diferente do existente nas grandes urbes....pelo menos em Lisboa.
É muito agradável caminhar pela aldeia e sentir a calma, a tranquilidade, a maciez da passagem do tempo domingueiro.
Tenho pena de não ter tempo para poder disfrutar mais vezes daquele doce ambiente.

terça-feira, novembro 06, 2007

Fim de semana alentejano

Gostei muito deste fim de semana passado no Alentejo.
Eu gosto muito do Alentejo.
Lá, isolo-me de um mundo em que tenho que viver, apesar de não gostar.
Fomos 6ª feira à noite, para aproveitar ao máximo o fim de semana.
No Sábado de manhã após o pequeno almoço, alcei a perna na minha bicicleta e fui até à Juromenha. Bem....cheguei apenas à estrada principal que liga a Juromenha.
Não fui à vila com medo que depois se fizesse tarde para o almoço em casa da tia da minha esposa. E tinha razão para o receio.
O Alto Alentejo não é tão plano como parece. Passamos a vida a subir e descer montes e vales. Eu já tinha ido várias vezes de carro à Juromenha e fiquei sempre com a sensação que a volta à Terrugem era quase sempre a subir. Tinha razão.
Para lá pedalei durante 1 hora. Normalmente sempre que faço um caminho novo reservo outro tanto em tempo para voltar, acrescido de 50%. Se não fosse a hora e meia que deixei para o regresso, tinha chegado atrasado ao almoço. Para ajudar, ainda tive que suportar o vento de frente.
Fosse como fosse foi um passeio memorável. Tirei muitas fotografias às deslumbrantes paisagens. Respirei aquele ar puro e até tirei de muito perto umas excelentes fotografias a um conjunto de vacas ruminantes, que não se importaram nada com a minha proximidade. Ainda acabei por tirar umas quantas fotografias à bacia do Alqueva.
No caminho, o único som que se ouvia era o rodado dos pneus da minha bicicleta.
Simplesmente magnífico e retemperador.
Adoro o Alentejo. Adorei o fim de semana.

terça-feira, outubro 23, 2007

Passeio ao Estoril e Cascais

Este Sábado com a minha querida esposa e a minha linda filha fiz um passeio de encher a alma.
Fomos de carro até ao Estoril. Parei o carro junto as Casino, e descemos pelos jardins até à praia do Tamariz.
Tanta gente na praia a tomar banhos de sol e mar!!!!
Estava mesmo um dia muito agradável, sem vento e com a temperatura do ar qb.
Percorremos o paredão a pé até Cascais.
A meio do percurso sentámo-nos numa esplanada. Tomei um sumo de laranja natural e a minha esposa um café. A filha, claro, foi para a areia brincar.
Estava-se maravilhosamente bem na esplanada: bom tempo, bom ar, boa vista.....excelente companhia (eu gosto mesmo muito da minha esposa e de estar com ela).
Após a paragem dirigimo-nos a Cascais onde almoçámos (no MacDonalds claro, para satisfazer a filhota).
A seguir ao almoço passeámos pela vila, e regressámos ao Estoril.....de comboio.
Há tanto tempo que eu não andava de comboio na linha do Estoril!
Comprámos os bilhetes e sentámo-nos.
De repente, já com o comboio em andamento somos informados que a próxima paragem é a estação de Santos. Santos??????? Mas isso é já em Lisboa!!!!! Queres ver que vamos ter de voltar para trás outra vez para vir buscar o carro?!?!?! Paciência!
Afinal, a gravação era para os dias de semana e não para os Sábados! Uf!
Lá conseguimos sair no Estoril.
Nós tínhamos também nesse dia uma amiga que fazia anos e fomos convidados para uma festa em Monsanto, no parque dos índios.
Acabámos por ir ainda de carro ao Cascais Shoping comprar uma prenda e seguimos para Monsanto.
Com muito esforço lá conseguimos dar com o parque.
Sítio magnífico para as crianças brincarem. Tanto miúdo!!!!!!
Tive que vigiar de perto a minha filha para que evitasse que se entusiasmasse e começasse a suar. Acabou de sair de uma pneumonia e suor/vento é um coktail venenoso nestas alturas.
Acabou por andar nos brinquedos todos sem se entusiasmar em excesso.
Enfim, um Sábado muito bem passado e restaurador de forças para mais uma semana.
Gostei muito....de tudo.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Péssima noite

Esta noite foi uma das piores noites que passei em toda a minha vida.
Deitei-me com uma dor de cabeça infernal, somada a uma forte dor no peito.
Estava também brutalmente enervado.
Tentei por todos os meios evitar ingerir comprimidos, mas por volta das 23:00, levantei-me para ir tomar um calmante. O coração batia todo descompensado! Estava a ver que ía ter um ataque.
Voltei a meter-me na cama, mas a dor de cabeça não passava.
Levantei-me novamente à procura de um analgésico nas coisas de farmácia, mas não encontrava nada. Acabei por ter de acordar a minha esposa. Os comprimidos estavam na mala dela. Tomei 2 e meti-me na cama.
Mesmo assim, não conseguia dormir.
Levantei-me outra vez, caminhei um pouco e estendi-me em cima do sofá da sala.
De repente começou a vir o sono.
Como não estava tapado e com medo de ter frio durante a noite, levantei-me e fui para a cama.
Grande disparate. O sono desapareceu de novo.
Voltas e mais voltas na cama e nada.
Decidi então levantar-me novamente e pôr uma toalha debaixo da almofada. Talvez com a cabeça mais alta fosse mais fácil adormecer.
Foi o que me valeu. A última vez que vi o relógio eram 0:50. Depois adormeci.
Hoje pareço um zombie.
Não sei o que provocou este mal estar.
Talvez tenha sido a manhã passada no hospital da CUF onde depois de raio-X e análises ao sangue diagnosticaram uma pneumonia na minha filha. Ou então, foi a visita dos meus pais à tarde. Se calhar as duas coisas.
Aquele tempo todo nas urgências do hospital, com todos aqueles miúdos (alguns muito pequeninos) doentes, fez-me confusão. Alguns adultos, não só merecem estar doentes, como alguns já deviam ter morrido....agora aquelas crianças.....algumas com meses de vida, custou-me muito. Às vezes parece que Deus, se existe, é tudo menos mesericordioso. Parece sadismo ignóbil e vil, ver aquelas crianças inocentes estarem doentes.
Depois de tarde, foi a vez dos meus pais fazerem-nos uma visita.
Portaram-se bem, mas depois dos episódios que se passaram nas férias, tenho dificuldade em os encarar...em estar com eles. Por muito que isto pareça estranho, quase que prefiro não ter contacto com eles.
Eles tornaram-se terroristas psicológicos profissionais e eu após 50 horas de trabalho durante cada semana, dispenso tais companhias durante o meu tempo de recuperação de forças para a semana seguinte.
A última deles:
- Pai, a tua neta está doente; está com 40º de febre e não sabemos o que tem (afinal era uma pneumonia).
- Estava a pensar passar por aí no Domingo para te entregar o relógio. Já está pronto.
- Se é para me entregares o relógio, não vale apena dares-te ao trabalho de apareceres. Tenho mais relógios que posso usar.
Diálogos destes não matam mas moem e eu depois de 50 horas de trabalho durante a semana, não são estas as conversas que preciso de ouvir.
Custa-me muito porque são meus pais, mas entre eles e eu, marcham eles.....mesmo que depois tenha de tomar calmantes.
Preciso de fins de semana calmos, tranquilos e não guerras psicológicas promovidas por pessoas, que passam uma semana inteira a pensar naquilo que podem dizer de forma a ferir o máximo possível e descarregar a frustação de uma vida sem sentido....apenas porque não lhe querem dar um sentido. Não têm problemas monetários, problemas de saúde, mas simplesmente recusam-se a viver....pelo menos de uma forma positiva.
Solução: descarregarem o negativismo em terceiros. Como não têm, nem se dão com mais ninguém, sobra para mim.
As minhas desculpas, mas não suporto mais! O saco está cheio! Chega!
As nossas vidas chegaram a um entroncamento em que cada um tem que seguir o seu destino. Para meu bem, da minha mulher (que eu muito amo) e da minha querida filha, infelizmente tem que ser assim

quarta-feira, outubro 10, 2007

Falta de gasolina

No Sábado fomos (íamos) almoçar a Borba ao restaurante “A talha”.
A minha sogra ía no carro à nossa frente.
No caminho entre a Terrugem e Borba, desvia-se para uma estrada secundária junto à lagoa. Pensei que a ideia era mostrar à nossa convidade portuense, a vista da lagoa.
Pára o carro, saí e dirige-se calmamente à minha janela:
- Olha filho, preciso que me vás buscar uma latinha de gasóleo. O motor morreu!
Lá arranquei eu mais a minha esposa direitos a Borba para ir buscar gasolina.
Quando lá chegámos a bomba da vila estava fechada.
Metemo-nos novamente no carro e fomos a outra bomba à saída da localidade.
Depois do funcionário encontrar uma lata vazia (o que não foi fácil), lavou-a com água e meteu-lhe 5 litros de gasóleo.
Regressámos ao carro empanado. Sem funil, vi-me da cor dos gatos para transferir o combustível para dentro do depósito. De repente olho para o chão e lá estava uma garrafa de litro cortada ao meio para fazer de funil.
Obviamente que o que aconteceu com a minha sogra, não era caso virgem por aquelas bandas.
O carro lá pegou e dirigimo-nos ao restaurante. Chegámos lá eram cerca das 14:30.
O dono olha para nós e recusou-se a servir o almoço.
Ja era tarde....não lhe apetecia...já estava a encerrar a cozinha.....em suma o dinheiro do almoço de 6 pessoas não lhe fazia falta.
A nossa convidada do norte ía morrendo a rir com a cena. Deve ter pensado para consigo: “Estes alentejanos são completamente loucos!!!”
Acabámos por ser “recebidos” noutro restaurante (“A Muralha”) onde lá acabámos por encher a barriga.
Já depois do almoço perguntei à minha sogra:
- E se nós não viéssemos atrás, como era?
- Ía para a estrada e pedia boleia.
- Porque é que deixou acabar o gasóleo?
- A luz da reserva de facto já acendeu à vários dias, mas o carro foi sempre andando....já tinha pensado meter gasóleo mas...não deu. A culpa é do meu marido (que, por acaso, se encontra em África a trabalhar). Ele disse-me que a reserva dava para muitos quilómetros.

Parece anedota de alentejanos, mas isto passou-se....comigo.....no Sábado passado.

Demonstração de um viver despreocupado, capaz de fazer inveja a qualquer pessoa.
Stress? O que é o Stress? Para que serve?

segunda-feira, outubro 08, 2007

Fim de semana no Alentejo IV

No Sábado de manhã fomos à feira de Estremoz. Estava muita gente como é hábito.
A minha sogra tínha-nos pedido para comprarmos 2 patos pequenos.
Acabámos por levar 4 minorcas com dias de vida, dentro de uma saca de serapilheira.
Quando os pusémos a passear na cozinha foi tão giro! Tinham mais sede que fome.
É um animal muito simpático!
Um dia se tiver capacidade financeira para o fazer, compro um monte e dedico-me à agricultura e a criar alguns animais.
É muito mais divertido e agradável, que a vida da cidade.
Que o diga a minha filha que levou alguns brinquedos para se entreter e não chegou a dedicar-se a nenhum. Para quê animais de peluche se os pode ter ao natural: cães, gatos, patos, ....., ovelhas.
A estúpida necessidade de cada vez mais dinheiro, tem-nos vindo a toldar a mente para aquilo que de facto é importante e nos pode fazer felizes. Até porque muitas vezes com o excesso de dinheiro, compram-se coisas que não nos trazem qualquer valor acrescentado e são rapidamente postas de lado.

Fim de semana no Alentejo III

A brincar a brincar, com a ida e volta ao Alentejo, mais o passeio a Monsaraz, acabámos por fazer mais de 800 Km de carro.
De facto no Domingo à tarde estava cansado, mas não sabia porquê? Achei estranho ter metido gasolina por 2 vezes, o que não é normal nestes fins de semana.
Acontece que com o desfilar daquelas maravilhosas paisagens os quilómetros iam sendo feitos, sem os sentir.
Gosto mesmo muito do Alentejo.
Da próxima vez (mês que vem, conforme prometi à minha sogra) levo a bicicleta.
Vi tanta gente pela estrada fora passeando, que me fez uma inveja terrível.
Estava um tempo perfeito para passear de bicicleta.
Desta vez não deu. Para a próxima não escapa.

Fim de semana no Alentejo II

A minha filhota passou os 3 dias a brincar com o primo, a correr montes e vales e a brincar com os cães da minha sogra.
Sábado à noite foi a uma festa de escuteiros, depois de jantar em casa de uma tia da minha esposa e ter andado embrulhada com mais cães. Quem diria, para quem tinha medo de cães....
No Domingo à noite, já deitada, desata a chorar.
Fui ter com ela e deparo com a minha mulher a abraçar a filha. Esta estava a chorar com saudades do primo. Saudades do primo e claro da imensa liberdade que pode ter no Alentejo, coisa que por motivos vários é impossível ter na cidade.
Quero ver se lhe proporciono mais vezes este contacto com a família e a Natureza.
Ela adora...e eu também.

Fim de semana no Alentejo

Neste fim de semana, alargado com o feriado, fui passá-lo ao Alentejo com a família e uma amiga do Norte.
Quando chegámos ao hotel para fazer o check-in, estava lá um indivíduo que queria um quarto para dormir. A funcionária do hotel, telefonou para todo o lado, mas estava tudo cheio. De repente, lá conseguiu um quarto vago, para onde o indivíduo se deslocou.
Mas, onde está a crise? Qual é a crise económica que grassa no País, quando os hotéis ficam todos cheios durante um feriado?
No Sábado fomos até Monsaraz. Estava um dia magnífico! Junto às margens da bacia da barragem do Alqueva um calor difícil de suportar e ........gente; muita gente.
Muita gente de barquinho, navegando ao sabor do vento (pouco) ou a motor.
Obviamente que não era gente da região.
Então pergunto-me: toda esta gente fugiu à crise económica? Será que esta existe mesmo, ou trata-se de um fantasma? Será que a moda é chorar, visto que: quem não chora, não mama?

segunda-feira, outubro 01, 2007

Estou a precisar de férias outra vez

Estou a precisar de férias...outra vez.
Tirando a semana em Vila Nova de Cerveira, dá-me a sensação que não voltei a ter férias.
As que tive no Meco este ano foram uma desgraça: saí mais desgastado do que quando cheguei. Que tempo mais desperdiçado......
Agora....tenho que pagar no pêlo, as consequências!
Pela minha saúde que não volta a acontecer.
Não estou na disposição de voltar a passar férias , a não ser com a minha esposa e a minha filha.
Por vezes a contenção financeira leva-nos a fazer certas concessões e a passar as férias com a família. Quer seja do meu lado ou do lado da minha esposa,....acabou! Nunca mais!
Eles enfernizam-nos a vida, mas como depois têm tempo de sobra para durante o ano recuperar do desgaste, ficam bem.....e eu que me lixe!
Aliás, não sei se é da idade, eles estão todos verdadeiros profissionais do desgaste psicológico.
Depois passo meses de trabalho que pareço um zombie.
Quem não tem dinheiro, não tem vícios.
Prefiro ficar em casa nas férias, repousando.
Não volto a cometer o mesmo erro!
Agora tenho que me aguentar até Dezembro.
Respiro fundo e ...... prossigo....sem distino....sem motivação.....cansado...farto....cheio......mas prossigo.

terça-feira, setembro 25, 2007

Hobby

Aquela conversa entre os velhotes na barbearia, aplica-se de igual modo a quem está no activo.
Quando produzíamos o Caixão Central do avião Dornier Do728JET para os Alemães, tinha um colega espanhol, que nos tempos livres se entretinha a pintar soldadinhos de chumbo.
Usava uns óculos com umas lentes de aumentar, para trabalhar.
Era um hobby extremamente minucioso e que requeria muita concentração.
Ele dizia-me que durante aqueles momentos, os problemas do trabalho por muito fortes que fossem, desapareciam da sua mente. Ele estava apenas compenetrado no que estava a fazer.
De facto é verdade. Todos nós temos que ter um escape para a rotina diária. Todos temos que ter na vida, algo que nos entretenha e que nos permita libertar o cérebro dos problemas correntes.
Eu pelo meu lado tenho o estudo do alemão, a bicicleta ....... e a pesca.

Cortar o cabelo

Ontem fui cortar o cabelo na barbearia do costume na minha simpática terra.
Como de costume, cortei-o à máquina: pente 4 em cima e pente 2 de lado.
Fiquei bem mais arejado.
Como dizia a minha professora primária: cabelos compridos, idéias curtas.
Eu como não quero ter ideias curtas, corto sempre assim o cabelo; 4 vezes por ano, no início de cada estação do ano.
Como já entrámos no Outono, a carecada impunha-se.
Na barbearia, estavam dois velhotes reformados à conversa.
Um deles já tinha sido barbeiro e ambos eram amigos à mais de 40 anos.
Para além da típica conversa: ainda dou 2 pinocadas por semana; uma caixa de preservativos ainda não chega para um mês,......, tiveram uma conversa bem interessante.
Um deles ía diariamente levar e trazer os netos à escola e tomava conta deles no resto do dia. Sentia-se por vezes cansado e a necessitar de isolamento.....mas, passado um bocado já sentia a falta dos netos.
Ele dizia que os idosos fossem eles quais fossem deveriam ter sempre uma actividade. Caso não fosse para ganhar dinheiro, servia para entreter o cérebro. Ficar o dia inteiro a estupidificar sentado em frente à televisão é que não era vida.
Eu olho para os meus pais, e verifico que é exactamente isso que eles fazem. Deixaram de ter vida própria e passaram a ter um comportamento sistematicamente pessimista; e nisso, os noticiários nacionais são pródigos. Parece que todos os dias estão à espera do fim. É doentio...e o pior é que este comportamento com o tempo acaba por ser contagiante.
É quase como aquele indivíduo que de tanto conversar com o gago.....acaba por gaguejar.

segunda-feira, setembro 24, 2007

O preço do crude

Com a redução das taxas de juro americanas, e o seu desfazamento face às taxas de juro europeias, o capital tem tendência a cruzar o Atlântico e a estabelecer-se na Europa.
Leva os grandes investidores a quererem vender dólares, para comprarem euros.
Consequência primeira: a divisa europeia fortalece-se face ao dólar.
Convém salientar que o crude nos mercados mundiais é transaccionado em dólares.
(Saddam Hussein tentou quebrar esta rebra transacionando o crude em euros e toda a gente sabe no que deu: a invasão do Iraque pelos norte-americanos, com os ingleses a reboque...o que é hábito.)
Neste momento, os valores médios actuais rondam:

1 USD = 1.40€
1 barril (159 Litros) = 80$USD = 57€

Se houvesse paridade entre o dólar e o euro (como aconteceu há poucos anos atrás), 1 barril custaria aos europeus (aos portugueses) 80€; i.e. cerca de 40% mais do que agora.
Como todos os bens de consumo são transportados por meios mecânicos, alimentados a combustíveis fósseis, estes também acabariam por chegar ao consumidor bem mais caros.
Iste é: o custo de vida em Portugam dispararia para valores incalculáveis.
Portanto a Europa, e Portugal em particular, estão a viver um tempo em estado de graça, face à encruzilhada financeira norte-americana.
Claro que a baixa do dólar face ao euro, tem uma desvantagem para nós portugueses: as nossas exportações perdem competitividade no mercado norte-americano.
Mas, que nos interessa isso?
80% das nossas exportações são para o mercado europeu; exportações recebidas em euros. Por isso, pouco somos afectados.
Grandes países exportadores para os Estados Unidos, ficam prejudicados.
Nós, .....nem por isso, ou pelo menos numa 1ª fase.
O mal de uns, acaba por ser o bem de outros.

Nota:
Obviamente que se o dólar estivesse mais forte, os países produtores de petróleo não iriam necessitar que o crude atingisse os 80 dólares para aumentarem a produção (a oferta).
Quero dizer com isto, que se a divisa norte-americana fosse forte como o euro, o barril deveria rondar para aí os 60 USD e não nos 80USD como está hoje em dia.....e com tendência para crescer, face ao enfraquecimento progressivo da divisa (e da economia) americana.

A descida da taxa de juros nos Estados Unidos

É interessante perceber a política por detrás da baixa da taxa de juros nos Estados Unidos.
Nos últimos tempos e como forma de evitar uma escalada inflacionista, o banco central americano têm vindo a aumentar gradual mas sistematicamente as taxas de juros.
O intuito?
- Melhorar as remunerações das poupanças, tentanto assim cativar os dinheiros dos particulares, evitando que o gastem em bens e serviços (despesa);
- Dificultar as compras a crédito.
Tudo isto pretende em termos globais refrear o consumo. Diminuindo o consumo e mantendo-se a oferta, obviamente os preços tem tendência para descer e assim evitar-se a inflação. É uma regra básica da economia.
No entanto, de repente, um factor exógeno a toda esta teoria entra em jogo: a problemática imobiliária.
Os americanos aquando do juro baixo, foram-se endividando, comprando habitações acima das suas posses. Com a subida das taxas de juro, sobem também as prestações. O que está a acontecer? Os americanos não têm como pagar os financiamentos que pediram. Se uma parte significativa entregar as habitações devido a incumprimento, as instituições bancários perdem parte da sua liquidez ...... e viram imobiliárias. Como os próprios bancos não conseguem pôr as habitações à venda pelo preço das dívidas dos particulares (nem querem porque não é o seu negócio), os bancos começam a perder dinheiro.
Poderão perder tanto, que poderão não ter liquidez para satisfazer os investidores. Isto seria terrível para a banca norte-americana.
Daí a decisão heróica:
- que se lixe a inflação; vamos salvar as famílias, para não pormos em risco as instituições bancárias.
O que é mau para uns, acaba por ser bom para os outros.
Ver as cenas do próximo episódio.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Desabafo

Hoje no meio dos papéis encontrei algo que escrevi há alguns dias atrás como desabafo.
Deixo aquilo que escrevi aqui registado para a posteridade; como se diz agora pomposamente, para memória futura:

“Estou escondido só 10 minutos para que nenhum filho da pxxx me encontre.
Estou exausto com a míriade de problemas técnicos diferentes que me põe.
Lidar com 5 contratos diferentes, com regulamentações diferentes, põem-me doido.
São desenhos com projecções europeias, com projecções americanas.
São cotas em milímetros e polegadas.
São clientes franceses, americanos, ingleses, canadianos,....., mais toda a corja de cxxxxxx da empresa que falam português.
Apetece-me fugir! Estou farto!
Escondi-me num gabinete 10 minutos, para respirar fundo e escrever estas linhas para descomprimir.
Ando num virote e tudo isto para quê?
Longa vida a todos os ladrões e vigaristas deste País, que se safam, sem terem que mamar estas mxxxxx.
Que pena eu tenho que os meus pais não me tenham ensinado a roubar e a estorquir.
Estou condenado a viver na pressão. Quando me finar vou ter como epitáfio: “Aqui jaz um pai de família que levou uma vida de trabalho e honestidade” o que equivale a dizer numa frase mais curta “Aqui jaz mais um parvo”.
Eu costumo perguntar: “Quantos são eles, tirando mulheres e crianças?”.....mas eles são muitos.
Bem, não posso ficar aqui mais tempo.
Venham filhos da pxxx, venham! Venham todos!
Tragam mais problemas que o cxxxxx do engenheiro é pago para resolver estas mxxxxx!“

Hoje, apesar da luta do costume, estou mais calmo.
Já sei que a semana de trabalho volta a ter 50 horas e que continuo a ter trabalho atrasado.
Ou vivo com isto, ou desisto.....mas desistir é próprio dos fracos.
A vida tornou-se numa luta olho por olho, dente por dente.
Os fracos que morram!
Eu sou um sobrevivente!
Lutarei até à morte!

terça-feira, setembro 18, 2007

Água

Na exposição do Corpo Humano, li que os seres humanos adultos devem beber em média 2,5 litros de água por dia.
Bom, como está na altura de começar a cuidar do corpo, visto já cá cantarem 45 primaveras, decidi ontem comprar uma garrafa de água de 0,33 litros para beber entre as refeições.
Vi-me da cor dos gatos para a beber toda até ao final do dia.
Acabei por me sentir um pouco indisposto. Parecia que tinha um bidon de água dentro de mim.
Não dá!
Se não consigo beber 0,33Lt entre refeições, como vou beber por dia 2,5Lt?
A verdade, é que o meu corpo também não tem tendência para suar. Se calhar por isso, não preciso de beber tanta água.
Já quando ando de bicicleta, não é fácil sentir sede.
Será isto uma anormalidade?
A verdade é que cada corpo é um corpo, e nem todos têm a mesma necessidade.
A minha filha bebe água que é um disparate.
Quando era miúdo também era assim, agora já não.
Que se lixe a garrafa de água. Já a deitei fora.
Parece que hoje ainda sinto o excesso de água que bebi ontem.

Passeio de bicicleta

Este fim de semana (Domingo de manhã, claro), reiniciei os meus passeios de bicicleta.
Nada de mais; fiz apenas 22 Km, mas os músculos acusaram o esforço.
Fui apenas à Póvoa de Santa Iria, mas a paragem durante algumas semanas (largas) fez-se sentir.
É de facto impressionante a velocidade com que o nosso corpo perde a forma física.
É uma máquina que bem oleada faz maravilhas,.....mas tem que estar bem oleada.
O exercício físico é algo que tem que ser feito continuadamente. Caso contrário......
Quero ver se a partir de agora que o tempo começa a refrescar, se vou aumentando semanalmente o meu raio de acção.
Vamos ver se é este ano que vou conhecer (toda a) Lisboa de bicicleta.

segunda-feira, setembro 17, 2007

O corpo humano

No Sábado fui mais a família ver a exposição sobre o corpo humano, na rua da Escola Politécnica em Lisboa.
Achei-a o máximo!
Todos aqueles cadávers dissecados e orgãos expostos.
Os pulmões de um fumador até fazem arrepios: aquela côr cinzenta do alcatrão do tabaco. Ainda hoje não percebi o que leva uma pessoa a fumar.
Os fetos no seu desenvolvimento ao longo das semanas, foi outra faceta fantástica da exposição.
As articulações das mãos e dos pés; a meticulosa constituição do esqueleto,......
O Homem é de facto um máquina incrível!
Após a exposição, a minha esposa exclamou sem margem para dúvidas que tal perfeição só pode ter dedo Divino. De facto, é difícil acreditar que a evolução possa ter levado a algo tão extraordinário, tão maravilhosamente perfeito.

Aquário

Desde que comecei a comprar peixes para o aquário, já morreram 5: um casal de guppys e 3 néons.
A acidez da água está ok. A temperatura está de facto um pouco alta (28ºC).....será disso? Só que aqui, não posso fazer nada.
Com a evaporação, a semana passada tive de encher o aquário. Fi-lo com água da torneira......será que o erro foi esse? De facto não a tratei previamente.
Os néons também podiam ter sido mortos pelos dois escalares que tenho....mas estes ainda são tão pequeninos....será possível?
Tenho que ler mais sobre o assunto, dar tempo ao tempo e se calhar fazer outros testes à água para ver se descubro o enigma.
Eu já esperava que isto viesse a acontecer.
É um passatempo divertido, mas como todos os passatempos requer tempo e tempo é coisa que me falta muito.
É preciso ter calma. Não dar o corpo pela alma.
Uma coisa é certa: só olhar para o aquário sinto-me invadido por uma paz interior, uma tranquilidade sensacional.
Para o ano tenho mesmo que comprar um fato de mergulho.
Sem espingardas, porque a minha vontade não é a de matar peixes, mas sim observá-los no seu habitat natural.
Quanto mais velho estou, mais necessidade sinto de estar em contacto com a natureza.