segunda-feira, maio 29, 2006

Para ti

Querido Cunhado, com esta é que me apanhaste desprevenido. Hoje é o dia do teu funeral. Sabia que adoravas guiar depressa, de andar de mota sentindo o ar a atravessar-te a cara. Eras feliz na tua liberdade. Tantas vezes te disse para fazeres uma condução defensiva; tem cuidado com os outros; à velocidade a que guias, um erro alheio dá-te pouca margem de manobra. Agora estou à espera das 17:30 para me despedir de ti. Malandro, roubaste-me uma preciosa peça do puzle do meu coração. Não se faz.
Ontem tive que ir a Beja reconhecer o teu corpo; que grande pancada que deste. Felizmente já lá não estavas. Pelo caminho encontrámos o sítio do acidente. O Pedro encontrou parte dos teus óculos. Num parque de sucata mais à frente encontrámos a tua mota e o carro que se atravessou na tua frente. Mal tiveste tempo para travar. As tuas calças ensanguentadas deixámo-las dentro do carro. Já não te vão servir para nada.
Ontem obrigaste-me a ter o pior dia da minha vida. Aqui em casa uns choram, outros contam passagens da tua vida. O teu harém está em peso. Conseguiste o impossível: juntar o mulherio todo.
Já não consigo chorar mais.
Sinto tantas saudades tuas.
Como me costumavas dizer, fica bem, onde quer que estejas.

3 comentários:

Jorge Oliveira disse...

Artur,
Obrigado pelas tuas palavras.
Que Deus vos abençoe

Anna^ disse...

Só uma pessoa como tu para escrever este texto.
Bem hajas!
Um beijinho

Sara CS disse...

Bonita homenagem.