quinta-feira, maio 18, 2006

Alemanha

Hoje é dia 15 de Maio. Aqui estou no quarto do hotel do costume em Donauwoerth, contemplando da janela o magnífico jardim verdejante pintado com árvores multicolores que se espraia diante dos meus olhos. Não fossem as saudades das minhas meninas e o ambiente era perfeito. O contacto com a Natureza aqui faz mais sentido. Nós sentimos que fazemos parte Dela. Os campos a perder de vista estão vestidos de amarelo e verde, como as cores da bandeira brasileira. Nem só a neve é bonita. A Primavera é linda nesta zona da Alemanha. Da janela do avião avistam-se os lagos circundados pela planície onde pupulam florestas que descontinuam os campos pintados. Ao fundo, os Alpes imóveis, como que me tentam roubar a vez para ver a vista, ainda pintados de branco nos seus picos, como que nos lembrando a sua profícua idade. Dá quase vontade de chorar. É lindo! Lindo!

quinta-feira, abril 20, 2006

Passeio ao Porto

A minha esposa está em pulgas com a ida este fim de semana ao Porto.
Tempos houve em que ficava em pulgas quando íamos a Paris, Londres,....
É interessante como uma filha pequena revoluciona a rotina familiar. Se calhar quando crescer, a situação mantém-se.
Seja como for, a nossa filha foi uma das maiores alegrias que tivémos depois de casarmos.
É da maneira que o passeio ao Porto vai ter de ser saboreado minuto a minuto, segundo a segundo, por forma a degustarmos o máximo da dádiva com que nos presenteámos para este fim de semana. Claro, na companhia da nossa querida e inseparável filha, que ambos amamos perdidamente.

terça-feira, abril 18, 2006

A indústria em Portugal

Ontem no meu telemóvel, encontrei uma passagem que escrevi durante uma das minhas deslocações à Alemanha e que a determinada altura, reza assim:

“....no entanto, nestas agora deslocações semanais à Alemanha, pelo menos deu-me para confirmar aquilo que já sabia há muito: modéstia à parte, profissionalmente não chegam aos meus calcanhares. Aliás, outros colegas meus tiveram já o mesmo sentimento. Nesse caso, porque não singra a nossa indústria? Se singularmente somos melhores que eles, o que na realidade falta? Espírito de corpo, de grupo, excesso de individualismo?”

A semana passada li um artigo escrito por um jornalista inglês que dissertava sobre o enorme volume de investimentos que neste momento estão a ser realizados em Portugal em várias áreas. Com a globalização, a abertura dos mercados de leste, o incremento do poderio económico-financeiro da China e da India, tais investimentos em Portugal parecem um paradoxo; nunca se deveriam realizar.
Andarão os investidores a dormir, ou há de facto condições preferenciais para optarem por realizar tais investimentos em Portugal?
A resposta que ele deu, faz algum sentido.

Vantagens de Portugal:
Bons meios de comunicação/transporte;
Sociedade informática desenvolvida;
Baixos custos de mão-de-obra, apesar de tudo;
Relacionamento preferencial com os países de língua oficial portuguesa.

Desvantagens:
Deficiente “Management” (Gestão);
Deficiente qualificação profissional, ou mal adaptada às necessidades.

Para empresas multinacionais, o problema da má gestão não se põe, visto tais modelos e profissionais serem importados dos países de origem. A formação profissional, também a podem providenciar com cursos de formação quer em Portugal, quer no estrangeiro.

Assim, para as multinacionais, Portugal continua a ser um mercado atractivo ao investimento.

Agora, o que fazer com a multiplicidade de pequenas e médias empresas nacionais, que representam mais de 2/3 do nosso tecido empresarial? O que fazer com os donos/ gestores destas empresas que maioritariamente possuem como habilitações literárias a 4ª classe? Que significado têm para eles, conceitos de gestão como sejam:

· Valor acrescentado líquido
· Taxas internas de rentabilidade
· Custos vs investimentos
· Passivos, activos, etc.

Este é que julgo ser o grande problema do nosso país, agudizado com a nossa cultura obsoleta do “orgulhosamente sós” que ainda impera em muitos de nós.
Se somarmos isto à deficiente instrução, fruto também da revolução de Abril e não só, que futuro nos espera, pelo menos nos tempos mais próximos?

Sem ser socialista, entendo que o nosso governo, está a “meter a mão na massa” abolindo antigos tabus e reformando serena mais firmemente os vários sectores da economia. Parte das medidas lançadas, só terão repercussões a médio prazo. Temos que ser pacientes. No entanto, a grande reforma deverá ser feita ao nível do ensino, tanto superior, onde os cursos deverão se aproximar mais das necessidades do mercado, como na estimulação dos cursos profissionalizantes.
Na Alemanha a grande maioria dos quadros com que contacto, não são Engenheiros (termo que eu não gosto muito de pronunciar). Um Engenheiro não é nada. Quanto muito serão técnicos especializados de... No Reino Unido, a palavra “Engineer” não tem grande relevância. Um técnico de Pneumática, pode não perceber nada de Desenho Assistido por Computador ou Cálculo Automático....

segunda-feira, abril 17, 2006

Paragem de 3 meses

Após uma paragem de 3 meses, está na altura de reatar as minhas reflexões.
Durante este tempo tive que manter 2 gabinetes de trabalho: o que já possuía em Portugal, trabalhando apenas 2 dias por semana, e um na Alemanha trabalhando os restantes 3 dias.
Esta situação não é nada fácil de manter. Levantar às 2ª feiras às 04:00 para apanhar o voo das 06:20 para Munique e regressar às 19:20 de 4ª feira, chegando a casa por volta das 22:30, para depois trabalhar em Portugal 5ª e 6ª feira, não é fácil.
Foi um grande transtorno profissional e familiar. Agora as coisas estão mais calmas e este ritmo passará a ser apenas quinzenal (espero).
Tanto a minha mulher como a minha filha, desconfio que sofreram bem mais do que eu.
Tive um colega inglês que fazia 2 dias em Southampton e 3 dias em Nova Iorque. Também andava de rastos. Eu agora percebo porquê. Nunca mais falei com ele, mas agora com a abolição do Concorde, já não deve andar nessa vida.
A minha filha com 3 anos, voltou a fazer chichi na cama durante a soneca da tarde. Parece que tal só acontece, quando eu estou fora.
Compreendo o problema dela, mas as responsabilidades profissionais têm que falar mais alto. Não há outra alternativa, por muito que queiramos que assim não seja.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Jogos de azar

Acho uma certa graça, quando vejo a azáfama de alguns colegas meus juntando-se para jogarem no Euromilhões com múltiplas, quando há Jackpots.
Se percebesse um pouco de estatística desistiriam desta idéia, que é apenas um sorvedor de dinheiro.
Se não vejamos:

EUROMILHÕES
Escolher 5 dígitos em 50 possíveis + 2 estrelas em 9 possíveis.
- nº de combinações possíveis: 76.275.360

TOTOLOTO
Escolher 6 dígitos em 49 possíveis.
- nº de combinações possíveis: 13.983.816

JOKER
Escolher um nº com 7 algarismos
- nº de hipóteses: 9.999.999

Pergunto, o que é que eu ganho em jogar no Euromilhões com 756 apostas ou com duas?
Passo a probabilidade de ganhar o 1º prémio de 0,0000026 % para 0,00099%. Brilhante! Em termos relativos multipliquei a minha probabilidade de ganhar 378 vezes, mas na verdade, em termos absolutos a minha probabilidade é praticamente a mesma!

Uma coisa é verdade: se não se jogar, tem-se uma probabilidade de 100% (certeza) de não sair.

Trata-se tudo de uma pura questão de sorte, caso as máquinas não estejam viciadas, o que assumo que não estão.

Claro que nunca nos podemos esquecer do lado humano. A Santa Casa da Misericórdia ajuda uma vasta população desfavorecida pela vida, a ultrapassar as suas insuficiências diárias. Isto é algo meritório que merece sempre a ajuda de todos nós.

A vida é uma monotonia

Hoje estava a fazer a barba ao espelho e estava a pensar como a vida não passa na sua maior parte de uma sucessão de actos monotonos: Levantar, arranjar, vestir, tomar o pequeno almoço, ir para o trabalho, lidar sempre com os mesmos problemas, interromper para almoçar, lidar sempre com os mesmos problemas, sair do emprego, ir para casa, dar banho à filha, jantar, deitar e assim sucessivamente.
Quando olho para um carreiro de formigas, penso na vida monótona que estas têm ao arranjar alimentos todos os Verões para não morrerem de fome no Inverno e assim sucessivamente. Temos pena delas, mas a nossa vida não é assim não diferente da delas.
No início de um novo ano, ou a seguir às férias, proponho-me sempre fazer algumas alterações à rotina diária, mas a verdade é que ao fim de alguns dias, me rendo à evidência da impossibilidade. Impossibilidade porquê? Porque a quebra de algumas rotinas, acaba por colidir com as rotinas de terceiros....e por isso o carácter de inviabilidade.
Adorava fazer um mestrado em gestão, mas onde vou arranjar tempo? Gostava de aperfeiçoar os meus conhecimentos de alemão, mas onde vou arranjar tempo? Gostava de comprar uma mota, mas para quê, se não tenho tempo para andar nela. Isto é, para se poderem alterar rotinas é necessário que se tenha uma folga horária. Ora se esta não existe, que rotina pode ser alterada? Nenhuma!
Então vamos a mais uma semana de trabalho.....rotineira!

domingo, janeiro 08, 2006

Agadir (II)

Já no centro da cidade, fomos visitar uma fabrica de tapetes e peças metálicas de artesanato, única indústria com alguma expressão na região.
Em seguida dirigimo-nos para o mercado típico de Agadir. O guia pediu-nos para que não nos afastássemos do grupo, não tirássemos fotografias ou fizéssemos filmagens. Eu assentei a máq. de filmar nos braços, como se estivésse desligada,...,mas não estava, o que me permitiu fazer excelentes filmagens.

O mercado marcou-me muito com 2 particularidades:

As especiarias estão à vista de todos em sacos (tipo de batatas de 50 Kg). Havia especiarias de todos os tipos e as mais diversas cores. A mistura de cheiros que pairava no ar, era algo de inebriante; algo que não estamos habituados a sentir, com todas as regulamentações que hoje em dia nos são impostas pela União Europeia. Foi uma experiência diferente de tudo o que tinha sentido até aquele dia.

A 2ª, teve a ver com o lixo que havia nos corredores do mercado. Na zona das hortaliças, por exemplo, o chão encontrava-se de tal forma coberto por detritos, que quando caminhávamos, sentíamos que estavamos a caminhar em cima de um colchão, tal era a forma como o lixo amortecia o pousar do pé no chão. Parecia que estávamos a caminhar com aqueles ténis novos que agora se comercializam, com almofadas de ar. Havia na comitiva pessoas horrorizadas. A minha própria esposa, afirmou que viver em Portugal era viver no paraíso. Não sou tão drástico, mas que é de facto estranho para nós, é. Temos no entanto que ter em consideração que aquele mercado não é para turistas, mas apenas para gente local, e que eles vivem assim à milhares de anos.

Agadir (I)

Aqui já estamos numa terra tipicamente norte-africana.
Foi uma terra devastada por um violento terramoto à alguns anos atrás.
Tem uma baía magnífica ladeada por uma praia com cerca de 8 quilómetros; mais ou menos a distância da Costa da Caparica à Lagoa de Albufeira.
A alguns quilómetros da cidade, existe um promontório, de onde se consegue vislumbrar toda a cidade.
Nesse mesmo promontório passou-se um episódio interessante:
Como é conhecido, se um estranho tira uma fotografia a um árabe, tem que lhe dar uma compensação financeira pelo facto; isto quer ele se tenha perfilado para a fotografia ou tenha sido apanhado desprevenido. Também é do conhecimento geral, a apetência que os árabes têm pelas mulheres loiras. Nesse promontório, estava um árabe com cerca de 2 metros de altura, com uma enorme cobra ao pescoço; tinha para aí 3 a 3,5m de comprimento. Prestava-se a tirar fotografias com os turistas a troco de algum dinheiro. Quando viu a minha esposa (que é loira), queria à viva força tirar uma fotografia com ela. Para a minha esposa existem várias coisas pelas quais não partilha grande simpatia, entre elas: árabes e cobras. Então era giro de ver o árabe atrás dela e ela a fugir. A partir de determinada altura, começou a ficar estérica com a perseguição. Tive que a acalmar com um tom de voz mais firme, chamando-a à razão. A verdade é que ela estava muito assustada.
Na realidade toda a comitiva de visitantes portuguesas, não se sentia muito à-vontade. Entrámos no autocarro e já na descida para a cidade, o condutor parou o autocarro um pouco mais abaixo, para que saíssemos para admirar a paisagem. O primeiro a sair fui eu, e se não tivésse incitado os restantes, mais ninguém tinha saído, para ver a paisagem, bem diferente do que estamos acostumados a ver quotidianamente.

2º Cruzeiro

Voltando às minhas viagens e neste caso ao 2º cruzeiro que fiz com a minha esposa, não posso deixar de dizer, que “Las Palmas” não passa de uma grande cidade, idêntica a muitas que encontramos por toda a Espanha.
Já a ilha de Lanzarote, tem particularidades muito interessantes:
- É uma ilha de origem vulcânica. Toda a sua superfície está coberta de cinza negra;
- Não tem água potável. Toda a água é dessalinizada;
- A agricultura é toda feita manualmente: uma camada de terra, coberta por uma camada de estrume e por fim por uma camada de cinza. A camada de cinza tem como objectivo reter a humidade produzia durante a noite, para que sirva de rega. Dedicam-se essencialmente à cultura vinícola;
- Os pontos mais altos da ilha não ultrapassam os 700 metros;
- O clima é sempre muito constante devido à proximidade do Continente Africano (cerca de 100Km). As pessoas não vestem roupa de Inverno.
A cidade mais importante da Ilha (Arrecife, onde atracámos) é composta por casario de apenas 1 ou 2 pisos. Nada comparável com o que se passa em Las Palmas.
No entanto, o que mais me impressionou nesta ilha, foi o passeio que fizémos pelo interior do vulcão. O tubo que liga o vulcão ao mar tem cerca de 8 a 9 quilómetros, dos quais apenas cerca de 3 ou 4, estão abertos ao público. Podem-se apreciar os rios de lava, bem como os túneis que esta abriu na montanha. Só assim, nos conseguimos aperceber da incomensurável força da natureza, e como somos frágeis e indefesos perante tais demonstrações de força. Outra coisa estranha, é a ausência total de eco nas grandes galerias subterrâneas. Havia vários grupos de turistas, o que provoca sempre algum ruído, mas que no entanto não é amplificado pelas galerias, devido à ausência total de eco.
À parte deste pormenor, sentir que estamos a percorrer corredores, onde por cima de nós se encontram milhares de toneladas de pedra e terra, é algo que causa um certo arrepio na espinha. Faz-me um pouco lembrar a experiência que vivi na Lisnave, quando pela 1ª vez passei por debaixo de um petroleiro que se encontrava em reparação na doca seca nº13 da Margueira (chamava-se ESSO COBE). São daquelas sensações em que o vocabulário português parece escasso para dar uma imagem da sensação vivida. Tem que se passar pela experiência para se perceber a sensação causada.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ano Novo

Eu normalmente não dou muita importância à passagem de ano. Para mim, um novo ano começa quando terminam as férias grandes (normalmente entre Julho e Agosto).
No entanto, e face ao panorama negro macro-económico que se advinha para o país, para mim e para a minha família só gostaria que fosse um ano com saúde e trabalho. Cajo hajam estes dois ingredientes, tudo o resto virá por acréscimo.
Para este novo ano que agora se inicia, não tenho projectos extraordinários. Vou ver se consigo organizar um pouco melhor o meu tempo para me cultivar um pouco mais, ver se consigo fazer de uma forma sistemática o meu exercício físico tri-semanal, e retomar a minha paixão pela pesca.
Este ano a Empresa decidiu fazer todas as “pontes”, incluindo a de 5ª feira de espiga que é feriado municipal, compensando o tempo perdido com mais 1:00 hora todas as 2ªs feiras, a partir de hoje. É uma excelente medida para eu poder reatar o meu “diálogo” com os peixes, o mar, o vento e comigo mesmo. Com os peixes, a conversa é quase um monólogo, porque eles não querem nada comigo.....mas isso não me causa transtorno. Para mim ir à pesca é apenas uma forma de estar envolvido com a Natureza.
Hoje já pedi a um colega para me tratar da licença de pesca, como é da praxe, e nos próximos fins de semana, tenho de avaliar o ponto de situação de todo o meu material. Não sei como estou de anzóis, desempatadores, linha,......, como estão os carretos, as canas..... Já lá vão mais de 2 anos desde que deixei as lides, devido à minha querida filha, que apareceu na minha vida.
Além disso, devo ter que comprar umas botas para a pesca. As minhas são medida 40, mas como comecei a comprar sapatos mais largos por uma questão de conforto, já estou a comprar sapatos 42. Duvido que os meus pés caibam agora dentro das botas que tenho....mas isso é o menos.
O importante mesmo é saúde e trabalho! Sobretudo saúde!

domingo, dezembro 11, 2005

2º Cruzeiro (Mau tempo)

O 2º Cruzeiro “Ao Sol do Atlântico” teve particularidades muito diferentes.
Os sítios por que passámos (Agadir -> Las Palmas -> Lanzarote), não são comparáveis a Veneza, Ravena...e o mar também não.
Não há comparação possível entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Não sei se tem a ver com a profundidade das águas, mas o período da ondulação é muito maior no Atlântico.
Enquanto no Meditterâneo 2 ou 3 ondas consecutivas passam debaixo do casco do navio, levando-o a ter um movimento apenas levemente oscilatório, a distância entre ondas consecutivas no Atlântico é muito maior. Por esse motivo, e apesar do seu tamanho (comprimento), o navio tem tendência a enfiar a proa na cava da onda, que depois o levanta, obrigando-o a um movimento oscilatório pronunciado.
Neste cruzeiro no regresso, deparámo-nos com ondas de 6-7 metros. Na altura havia tempestade no golfo da Biscaia com ondas de 13 a 14 metros, que se repercutiram nas tais 6-7 metros na costa africana.
Foi uma experiência única. A enorme dificuldade em subir um vulgar degrau de uma escada, quando a proa do navio se eleva no ar, ou o cuidado que se tem que se ter na sua descida quando baixa é inacreditável. No primeiro caso, tem-se a sensação de falta de músculos nas pernas. Parece que estamos meio paralizados. A mente informa a perna que tem que se levantar e esta responde que não é capaz.
A minha esposa quis sistematicamente (e erradamente, como viu mais tarde) permanecer deitada na cabine assistindo aos balanços do navio, profundamente enjoada. Tão enjoada, que certa vez a filmá-la, ela levanta-se e diz-me: vou vomitar. Foi tão rápido que não teve tempo de chegar à sanita. Vomitou no lavatório. Tive depois de ser eu com uma pá improvisada com uma revista dobrada a transferir toda aquela amálgama orgânica nauseabunda do lavatório para a sanita....e ainda por cima com o barco aos saltos. Hoje não sei se seria capaz.
O meu sítio preferido era estar no exterior, no passadiço por cima da cabine de comando:
- 1º sentia menos as oscilações no navio;
- 2º sentia o vento na cara o que me ajudava ao mal estar;
- 3º porque a paisagem era deslumbrante.
Saía do camarote, respirava fundo 2 ou 3 vezes, e caminhava a passo acelerado pelos corredores fora, subindo os diversos lances de escadas até atingir o tal passadiço.
É impressionante a forma como o mar consegue castigar um navio daquela envergadura. Parece uma pena de passáro soprada por nós.
As ondas formam-se à distância, o navio começa a baixar a proa e quando vem a nova onda, a proa está ainda em fase descendente. A onda bate no casco, varre literalmente o convés, e ainda me salpica a mim, que estou a mais de 15 metros de altura. Já só depois da onda passar é que o navio começa a levantar lentamente a proa, novamente. O efeito da inércia é impressionante! Belas filmagens que eu fiz!
A minha esposa, de tanto eu insistir e de já não saber que fazer, passou-me a acompanhar nesta aventura. Também gostou imenso...e deixou de enjoar.
A sensação que deverá ser, se o mar tiver ondas de 12 ou 14 metros.....

NOTA:
Existe também outro efeito interessante, quando se anda embarcado. Quando em navegação e percorremos os longos corredores do navio, temos a tendência para no início andar-mos aos SSS, devido aos movimentos oscilatórios transversais do navio. Ao final de alguns dias, o cérebro passa automaticamente a compensar tais movimentos e nós passamos a andar em linha recta. Quando o barco atraca e pisamos terra firme, voltamos a andar aos SSS. O cérebro continua a agir compensando um fenómeno que já não existe. Então, durante alguns minutos, parece que estamos bêbados.
É interessante as alterações que o nosso corpo produz, para compensar fenómenos estranhos.

Chegada a Lisboa

Não é por ser alfacinha, mas a vista da entrada da barra do Bugio e depois toda a vista da margem de Lisboa, é algo incomparável, com qualquer outro porto de conheço, à excepção de Veneza.
A vista da ponte 25 de Abril, a Torre de Belém, Pavilhão dos Descobrimentos, Monumento dos Jerónimos,......., as habitações que sobem as diversas colinas.......é algo francamente bonito de se apreciar.
Estávamos quase a entrar a barra (a dobrar o Bugio), quando decidimos fazer o resto das malas. Só que (há sempre um só que...) as oscilações do navio são acentuadas junto ao Bugio e quando queremos baixar a cabeça para retirar o que está por debaixo das camas, com os balanços, é algo complicado.
Disse à minha mulher que tínhamos tempo para fazer isso mais tarde. Desde que o barco entra no Tejo, até atracar, temos muito tempo.....e assim foi! Foi já no Tejo que acabámos de fazer as malas. O tempo é mais do que suficiente.
Foi um belíssimo tempo que passámos a bordo.
Para quem gosta de viajar, não conheço melhor forma de o fazer.

Sul da Itália (Não me lembro do nome) e Ceuta

A penúltima paragem do cruzeiro foi no sul da Itália, numa terra de que não me lembro o nome.
É interessante ver a enorme diferença que existe entre o norte e o sul daquele país.
No norte, os carros param nas passagens de piões, nota-se uma grande azáfama humana e evidentemente um clima mais frio. No sul, guiam como os portugueses (apesar de aos poucos e poucos estarmos nitidamente a fazer progressos). Têm um comportamento erróneo nas ruas, como se não tivéssem objectivos bem definidos, nem nada para fazer. Talvez a diferença esteja de no norte ter estado apenas em grandes cidades, onde o reboliço é sempre maior.
Passou-se no entanto um episódio curioso.
Íamos a passear numa rua (eu e a minha esposa), onde estavam de um lado e de outro muitos homens escostados às paredes das casas sem fazerem nada. Numa destas estava escrito “muerte à la Mafia”. Peguei na máq. de filmar e comecei a filmar a cena e posteriormente a frase. A minha mulher começou a ficar com medo e puxou-me pelo braço: “anda, vamo-nos embora, antes que arranjes para aqui algum sarilho!”.
A verdade é que nada aconteceu, e ainda hoje guardo essas filmagens.
Na volta do autocarro até ao barco, e depois de ter os ouvidos cheios de música grega da paragem anterior e já 16 dias de mar, o motorista pôs a tocar uma música do Rod Stwart.
Não me lembro do título da canção, mas quando a ouvimos, reconhecemo-la logo. Sentíamos que estávamos de novo de volta à “civilização” como a conhecemos, depois do susto na Grécia e deste sul da Itália desmoralizante.
16 dias, para um 1º cruzeiro é tempo a mais! Começamo-nos a sentir um pouco claustrofóbicos!
Ainda parámos em Ceuta para as tradicionais compras. Terra sem interesse nenhum....nem mesmo para fazer compras!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Grécia

Esta paragem na Grécia teve também outro episódio deveras interessante.
A zona é extremamente montanhosa, com estradas estreitas que serpenteiam indefinidamente os acidente geográficos.
O condutor do autocarro, como qualquer grego que se preza, era completamente louco a conduzir. Guiava a velocidades completamente proibitivas para o tipo de estrada, bem como para o enorme tamanho do autocarro.
A certa altura um passageiro perguntou à guia turística, porque é que se viam tantas capelinhas ao longo da estrada, decoradas com flores. De facto de 500 em 500 metros lá aparecia uma. A guia informou-nos, que era usual naquela zona da Grécia, sempre que havia um acidente com mortos, os familiares eregirem uma pequena capela.
O pessoal já aflito com a velocidade do autocarro, a geometria do terreno e da estrada e ouvir um comentário daqueles, foi o fim. Numa determinada curva para a direita a roda de trás resvalou para um enorme precipício, criando-se imediatamente o pânico a bordo.
Só se ouviam gritos, os da minha esposa incluídos. Quando na volta do passeio se avistou Igoumenitsa e o paquete, quase toda a gente inrrompeu numa enorme salva de palamas. Estávamos salvos...e cheios de fome, porque com os atrasos, já eram cerca das 16:00.
Foi um episódio muito divertido!
O norte da Grécia, junto à Albânia é uma zona extremamente pobre. Com lojas de ferragens, mercearias, que fazem lembrar filmes do século XIX. Não conheço o sul, mas o norte é paupérrimo!

Grécia (Dodona)

A 2ª paragem foi em Dodona para visitar um museu de máscaras de cera, à imagem por exemplo do da Madamme Tousseau (em Londres), salvo as devidas proporções, é claro.
O museu tinha apenas um tema: as atrocidades que os turcos tinham infligido aos gregos ao longo da História.
Massacres, massacres e mais massacres. As figuras até estavam bem feitas. Mas salas consecutivas a exemplificar sempre o mesmo, é monótono e cansativo. Ainda por cima sobre o tema massacres, quando uma pessoa está de férias.....
Seja como for, o museu está bem concebido e as figuras bem feitas....no entanto, quem quiser ver um museu de máscaras de cera a sério....vai a Londres.

Grécia (Ioánnina)

A paragem seguinte foi em Igoumenitsa, no norte da Grécia.
Aí assisti a mais um exercício 3º mundista.
Estávamos em plena efervescência na zona dos Balcãs, que daria lugar semanas mais tarde à terrível e cruel guerra civil na Jugoslávia.
Quando o barco aportou, fomos recebidos por um esquadrão militar armado até aos dentes; até metrelhadoras tinham trazido. Aquilo parecia um teatro de guerra. Dava a impressão que estava a viajar num cruzador em vez de um paquete de recreio.
As autoridades subiram a bordo e quiseram verificar os passaportes um por um de todos os passageiros, antes de se proceder ao desembarque.
É fácil advinhar o pandemónio que tal situação ocasionou. Esta situação atrasou o desembarque em cerca de 2 horas.
Após as autoridades terem acedido ao desembarque, dirigimo-nos para os autocarros, para realizar a excursão. Lembro-me que haviam 3 destinos traçados, mas que devido ao atraso do programa, só poderíamos visitar 2.
Como bons portugueses que somos, deu logo direito a discussão. Havia um indíviduo do Porto, casmurro, que armado em intelectual, queria porque queria ir a Ioánnina ver um teatro grego. Tanto forçou, que lá conseguiu convencer o resto do pessoal a ir ver o teatro. Houve direito a um enorme sarrabulho por isso, no autocarro.
Chegados a Ioánnina, saltou imediatamente do autocarro e a passo acelerado foi ver o monumento. Ainda o resto do grupo se dirigia para o local, já o indivíduo se vinha embora, dizendo que não valia a pena perder tempo, porque era apenas um amontoado de calhaus. Mais valia ir a outro sítio.
Mas o que é que aquela inteligência estava à espera de encontrar passados 2.000 e tal anos?
O grupo retorqui-lhe que não! Tínhamos decidido ir ali, e agora íamos todos visitar o local histórico. Quando regressámos ao autocarro, estava ele já lá dentro com cara de poucos amigos.
Acabou por ser um episódio divertido, à conta de um tipo burro e iletrado. Quando se viaja em grupo, estamos sempre sujeitos a estas coisas.

Kotor

Após a saída de Dubrovnik e antes da próxima paragem em Igoumenitsa na Grécia, fizémos uma pequena incursão na baía de Kotorska, na Albânia.
Trata-se de uma baía enorme, rodeada por uma cadeia montanhosa verdejante.
Junto ao lago existe uma povoação que dá o nome à baía e se chama Kotor.
Não desembarcámos, visto tal paragem não estar nos planos da viagem. Apenas fizémos uma incursão para apreciarmos a paisagem circundante, que é de facto muito bonita.
Claro que mal entrámos na baía, abeirou-se imediatamente um barco albanês com 5 ou 6 representantes que vieram a bordo, só para confirmar se não seríamos um grupo de espiões da CIA. Abandonaram o navio cerca de 45 minutos a uma hora depois, carregados de lembranças oferecidas pelo comandante do navio.......que no fundo era aquilo que queriam: lembranças, e se calhar uma comidinha melhorada.
Pormenores de países comunistas pobres do 3º mundo.
Só Deus sabe como vivem as populações, mas como não desembarcámos, não deu para fazer uma idéia.

Dubrovnik

Se existe terra para onde eu ía morar sem pestanejar, Dubrovnik na ex-Jugoslávia, agora Croácia, era uma delas.
A entrada pelo mar Adriático é feita por um largo braço de mar, como se de um fiorde se tratasse.
Ao fundo do lado direito, fica uma enorme marina cheia de barcos à vela e também a zona nova da cidade, que eu não tive tempo de visitar. Do lado esquerdo, fica a zona velha.
Todo o conjunto é ladeado por uma grande cadeia montanhosa.
É (era, visto a minha visita ter ocorrido semanas antes do início da guerra civil) uma cidade calma, sem grande movimento de viaturas e com dezenas de milhares de pombos. Nunca tinha visto tantos pombos juntos, que aliás vim a saber mais tarde, serviram de alimento à população durante a guerra.
Os monumentos são muito bonitos sobretudo pela sua cingeleza. Grande parte das edificações da zona velha, são caiadas de branco, como qualquer vila alentejana.
Notava-se nas pessoas, uma certa aspereza no contacto, um certo espírito de raiva contida. Hoje, não faço idéia como será.
O custo de vida era caro. Um gelado normal de 2 bolas posto num cone de baunilha, custava na altura cerca de 400$00. Para os ordenados deles, deveria ser muito elevado.
Como todas as cidades tem uma praça principal, com um monumento central muito bonito e que eu sei, foi encaixotado durante a guerra, tendo sido preservado até hoje.
Virar-nos para o mar e ver ao fundo a saída para o mediterrâneo de águas calmas e todo aquele mundo de barcos à vela ancorados (parece a marina de Marselha, salvo as devidas proporções), dá uma sensação de indescritível tranquilidade.
É uma terra que reluz exactamente pela sua simplicidade e preservação da natureza no seu estado mais puro.
Não me importava de morar num sítio assim.

domingo, novembro 20, 2005

Felizmente é 6ª feira

Recebo com frequência apresentações em Power Point esfusiantes, porque tinha chegado a 6ª feira. Sempre achei isso um disparate, mas concretamente hoje estou muito feliz por ser 6ª feira. Preciso mesmo de parar. Esta semana foi fora do comum.
Só tenho pena de amanhã ter um casamento. Gostava de ficar no sossego a recuperar desta loucura. Pode ser que o casamento seja divertido. Casamentos e baptizados nunca foram o meu forte, mas também não me posso transformar num “bicho do mato”.
A minha esposa adora confraternizar e eu não quero estragar-lhe esse prazer.
Começou a nevar na Alemanha. Dá-me vontade de entrar num avião e ir até aos Alpes contemplar a paisagem.
Regressei aos treinos de bicicleta; 3vezes por semana, ½ hora (3ªs , 5ªs e Domingos). Cheguei à conclusão que a minha forma não está assim tão má como pensava.
Chega de conversa....tenho de ir ganhar o meu salário!
Felizmente amanhã é Sábado.

Há dias na vida em que não apetece fazer absolutamente nada

No passado Domingo, por volta da meia-noite, voltei a ter uma crise de nervos daquelas que me deixa apavorado. Só me deixei adormecer já passava das 4 da manhã.
Na 2ª feira, após falar com vários colegas, fui consultado por um neurologista.
Conclusão do encontro de futebol: nervos 10 ; problemas cardíacos 0.
Receitou-me mais umas quantas pílulas e de facto, talvez me sinta um pouco melhor.
É preciso alterara a filosofia de estar na vida, não exagerar no nível de emotividade no empenho profissional, fazer mais exercício físico,.........., a lenga-lenga que o cardiologista e o médico de clínica geral já me tinham cantado. Muito bonito na teoria....na prática é que são elas.
Falta-me agora ir fazer umas análises à tiróide.
Ontem estive em reunião com um Cliente das 09:00 às 22:00. Só parámos 1:00 para almoçar. Quando cheguei a casa estava de rastos. A mesa era só dossiers, papéis, desenhos, computadores,.....eu sei lá! Muito esforço para tão parcos acordos. Dentro de 15 dias nova sessão.
Hoje, sinto-me com muita vontade de fazer.....coisa nenhuma!
Estou para aqui a escrever, apenas para me entreter na minha hora de almoço.