quinta-feira, novembro 10, 2005

Anos da minha filha

Hoje dia 10-11-2005 a minha filha faz 3 anos.
Não posso deixar passar esta data sem referir que confesso ser um pai babado; babadíssimo.
É uma criança encantadora! Carinhosa, prestável, amiga do seu amigo e sobretudo feliz. Tem um temperamento muito vincado, personalidade forte, mulher decidida, características que eu muito admiro numa mulher, sem no entanto abdicar da docilidade e espírito de colaboração.
Tem demonstrado ser uma criança muito inteligente (bem acima da média), e com um “sexto sentido” deveras apurado. Saúde de ferro e “energia para dar e vender”.
Sinto-me muito orgulhoso de ser pai de uma criança assim. Só espero ter a capacidade para lhe potenciar as faculdades e lhe fazer ver as arestas que tem que limar, para ser um ser humano bem integrado na sociedade, sem traumas nem medos, e com capacidade de lutar contra as adversidades que inevitavelmente vai ter que enfrentar no seu dia a dia.
Profissionalmente será o que quiser ser. Tentarei demonstrar-lhe sempre as vantagens e inconvenientes das decisões que tomar.
Só espero conseguir estar a altura do estatuto da criança que Deus me deu a benção de cuidar.
Como todos os diamantes, este está ainda “em bruto”. As faces no entanto já lá estão bem definidas. É preciso paciência e tempo, para ir lapidando vagarosa mas decididamente a pedra. Não vou criar nada; isso já Deus fez! Tenho é que ter cuidado para compreender quais as faces a realçar e qual o material que não faz falta, que está a mais.
Tenho a certeza, que Deus me deu um diamante deveras grandioso de muitos quilates.
Tenho que me esforçar para ser um excelente lapidador.
Como eu gosto da minha filha.........

RAVENA

Ravena foi a a paragem seguinte. É uma cidade que não me deixou marcas, talvez por ter vindo logo de Veneza.
Fizémos uma excursão de autocarro a Vicenza, Verona e Pádua.
Foi esta última última paragem a que realmente me marcou.
Na Igreja de S. António que nós dizemos que é de Lisboa e eles de Pádua, estão expostos alguns artefactos que ele utilizava quotidianamente, nomeadamente o seu manto. Até aqui tudo bem! Agora também está exposta na Igreja uma língua humana que dizem ser a dele. Nunca tinha visto nada mais tétrico na minha vida! A língua de um homem exposta em público?
Não entendo esta displicência, este despudor da Igreja Católica. Eu já tenho dificuldade em digerir imagens religiosas, ...., mas isto é demais!
Para mim a religião é tão mais pura quanto mais “abstrata” for; quanto menos imagens permitir. Qualquer imagem, estátua, pintura, por muito bem feita que seja, não poderá retratar toda a essência que se encontra por detrás da religião ou crença.
Para retratar a morte de Cristo, como modelo de salvação da Humanidade, não é necessário que na cruz esteja alguém representado. A cruz basta. Sinto que o espírito do sacrifício de Cristo em nosso benefício, a sua mensagem, está lá mais presente se a cruz estiver vazia.
Compreendo que a compreensão humana necessita muitas vezes de imagens, conceitos pré-definidos. Fazer leituras a partir do “abstraccionismo”, é previlégio de uma elite socio-intelecto-cultural acima da média, quando a religião deverá ser sempre o mais abrangente possível.
Também é inegável que a Igreja Católica com este procedimento contribuiu em muito durante muitos séculos para o desenvolvimento das artes no Mundo, mas..... uma língua exposta, para mim é demais! Quanto mais não seja, porque a língua é apenas um instrumento de comunicação do cérebro (um periférico em linguagem computacional). A estar exposto, que fosse o brilhante cérebro, que os relatos dizem que S. António possuía. Mesmo assim, continuo a entender que seria demasiado forte, demasiado despropositado.

Veneza

A 2ª paragem que fizémos foi em Veneza, onde ficámos 2 dias.
Nesse dia o almoço a bordo atrasou-se. Já deveria ter terminado, quando o navio entrasse no Grande Canal de Veneza.
Assim, fomos todos almoçar já com máquinas de filmar e fotografar à tiracolo.
O almoço ainda estava a meio quando pela janela verificámos que estávamos a chegar. Comecámos a olhar uns para os outros. Todos queríamos levantarmo-nos da mesa a meio da refeição e ir ver a paisagem. No entanto, o decoro não o permitia. O barco ia-se aproximando da costa e......não dava mais. Um dos passageiros, levantou-se e claro, muitos outros seguiram-lhe o exemplo, entre os quais, eu.
Subi até à plataforma que fica ao nível da cabine de comando; i.e., +/- 6 andares de altura. A vista era soberba!
O grande canal, tem um movimento desusado de pequenas embarcações que pupulam de um lado para o outro. Esta imagem, associada aos imponentes edifícios que ladeiam as suas margens, é algo de inesquecível. Passámos pela praça de S. Marcos e fomos atracar um pouco mais à frente.

Quais são de facto as diferenças entre esta e qualquer outra cidade? Todas!

1º Não existem automóveis. As deslocações são feitas de barco ou a pé.

2º Não existem autocarros. Existem sim barcos, que atracam em diversas paragens programadas para recolher e libertar passageiros. A atracagem é apenas um homem que segura o barco com uma corda enquanto hover movimento de passageiros. Quando termina, larga a corda e o barco segue viagem.

3º Existem táxis,....., mas que são barcos. Um dia ao fim da tarde apanhámos um. Chamam-se como se chamam os táxis em Lisboa. Levanta-se o braço para chamar a atenção. Só que aqui existe uma pequena diferença: como os barcos circulam afastados da costa, é preciso dar também um grito ou uma assobiadela, para chamar-mos a atenção.

4º Existem prédios, que só têm saída para um diminuto cais, onde os barcos particulares se encontram atracados. Estes são normalmente estreitos e compridos, para facilitar a passagem de uns pelos outros, nomeadamente nos canais mais estreitos.

5º Existem também prédios degradados, tal como em muitas cidades. Aliás as ruas (vielas) à noite são mal iluminadas e a partir das 23:00, não se vê ninguém na rua. O centro de Veneza, não tem qualquer vida nocturna. A fraca iluminação, conjugada com as intrincadas vielas, favorecem os larápios. Talvez também por isso, o movimento cessa a partir desta hora.

6º A Praça de S. Marcos faz um pouco lembrar a Praço do Comércio em Lisboa. Circundada por edifícios com arcadas nos pisos térreos, onde sobretudo existem cafés com esplanas e restaurantes, alguns com música ao vivo (na sua grande maioria, música mais clássicista, como manda o figurino). Pombos são às centenas, bem como existem retratistas fotógrafos e caricaturistas para todos os gostos, como aliás hoje é corriqueiro nas maiores cidades europeias.

Visitámos o Palácio dos Médicis, que tem um interior de grande opulência, de acordo com o poder comercial que a família detinha em épocas passadas. As paredes estão ornamentadas com grandes quadros, alguns do tamanho da própria parede, assinados por pintores consagrados. Não sendo conhecedor de pintura, devo confessar, que a grande maioria das telas, quase todas descrevendo paisagens ou cenas da vida quotidiana, apresentam uma qualidade de execução acima de qualquer suspeita.

Um dia à noite, como não podia deixar de ser, lá fomos passear de gondula nos canais ouvindo uma serenata. Os barcos por serem estreitos, não têm grande estabilidade transversal, mas o passeio romântico é algo digno de ser repetido. Como se tratava de uma excursão, num barco iam os músicos e cantores e nos restantes, nós os turistas. Tal com se vê nos filmes, os barcos são a remos, indo o piloto de pé na retaguarda do barco. O barco avança através de movimentos transversais do único remo que utilizam. Os barcos têm pequeníssimas lanternas. A luminosidade da cidade também não ajuda, pelo que no seu todo passeamos com apenas uma pequena penumbra, o que torna as coisas ainda mais românticas.

É de facto uma cidade diferente, imponente, mas na qual não gostaria de morar.

Ilha de Malta

No 1º cruzeiro que fizémos, a 1ª paragem foi na Ilha de Malta.
Eram por volta das 07:30, quando chegámos a La Valleta.
O sol tinha acabado de se levantar e incidia nas fachadas dos prédios de pedra sobranceiros ao mar. Estes já por si apresentam uma cor amarelada, que fica particularmente realçada pela luz do nascer do Sol.
O efeito é francamente bonito.
Na ilha, existem muitas carruagens puxadas por cavalos, que circulam a grande velocidade ao som de sinetas, para informar e afastar os pedestres.
As ruas são sempre bastante movimentadas e inclinadas, pelo que as mães transportam as crianças em carrinhos de bébé até idades bastante avançadas para o que é normal em Portugal (5,6,7 anos).
Os portais, janelas e varandas dos edifícios, nomeadamente do estado, são todos pintados em côr verde forte, côr que se conjuga bem com o amarelado das fachadas.
O porto comercial, tem um movimento desusado. É enorme a quantidade de navios graneleiros que estão permanentemente a descarregar mercadorias. Sendo Malta uma ilha, mais de 80% das transacções comerciais, são feitas por via marítima. Daí toda esta agitação.
Em termos paisagísticos, é uma ilha tipicamente mediterrânica, com uma paisagem um pouco seca e árida.
O mais empolgante, é sem sombra de dúvidas a Igreja de S. João Baptista. Para mim é a igreja mais sumptuosa e bonita que vi em toda a minha vida.
O chão é todo em mármore negro italiano, sendo na sua quase totalidade pedras tumularesdos sepulcros das mais altas individualidades da igreja católica da ilha e não só. Por o chão ser de mármore (material macio) é mesmo interdito o uso de saltos altos e finos às senhores, para evitar a sua degradação.
O conjunto arquitectónico interior é sumptuoso. Apresenta um luxo, mas ao mesmo tempo uma harmonia difícil de descrever.
É exactamente ao contrário do monumento do Duomo em Florença. Nesta quando se dobra a última esquina e se depara com o monumento, dá vontade de chorar, pelo estrondoso efeito estético que produz em nós. No entanto, o seu interior é de uma enorme rusticidade, comparada com o exterior. Nesta igreja de S. João Baptista passa-se exactamente o oposto. A fachada exterior é igual a tantas outras que já vi. O seu interior não! Quase me atrevia a dizer, que parece o palácio dos Médicis em Veneza.
Vale a pena ir a Malta só para ver o interior desta igreja.

sábado, novembro 05, 2005

Cruzeiros

Não tenho dúvidas que a melhor forma de adquirir cultura é viajando, coisa que adoro fazer, apesar de infelizmente custar bastante dinheiro. De entre as formas de viajar, a melhor de todas é fazendo cruzeiros.
Fiz 3, sempre no paquete Funchal, dois no Mediterrâneo e um no Atlântico, em condições bem diferentes, mas sempre com enorme prazer.

Vantagens:
- As paisagens mudam diariamente;
- A comida é excepcional;
- O convívio é estimulante e agradável (dependendo das companhias, claro);
- Visitamos exactamente os lugares mais importantes em cada escala, sem percas de tempo desnecessárias, tendo guias que nos informam dos mais pequenos detalhes;
- Relaxa-se profundamente, fazendo ginástica, entrando nas brincadeiras de convés, dando um mergulho na piscina, bebendo um refresco em boa companhia ou simplesmente debruçando-nos na amurada sentindo o vento a passar na nossa cara, enquanto o navio desliza nas águas (que por vezes podem ser bem agitadas).

Desvantagens:
- O dinheiro que se gasta;
- O guarda-roupa grande que tem que se levar (dependendo da duração do cruzeiro). Seja como for, não nos podemos esquecer que a roupa da manhã, pode não servir para as excursões e definitivamente o traje para jantar tem que ser mais requintado (homens de gravata, “noblesse oblige”). Verdade seja dita, quando estamos em rota no alto mar, a troca de indumentárias sempre é uma forma de ocuparmos o tempo.

Outro dia estava falando com a minha esposa e ambos demonstrámos saudades de voltar brevemente a fazer outro. É um vício terrível.
Conheci pessoas que entravam a bordo do 1º cruzeiro e só saíam no último.
Quando o barco atracava em Lisboa para trocar os passageiros de um cruzeiro por outro, apanhavam um táxi e íam visitar a família. Regressavam no dia seguinte, as coisas já estavam a bordo, de forma que era só zarpar direito a novos destinos.
Simples, caro, mas posso assegurar que muito agradável.
Há cruzeiros que dão a volta ao Mundo. Aí está algo que adorava fazer. Conhecer múltiplas culturas diferentes. Adormecer a pensar como as pessoas podem pensar e fazer isto ou aquilo desta maneira e acordar no dia seguinte encontrando novas gentes que já pensam e fazem as mesmas coisas de forma completamente diferente.
É nestes contrastes que verificamos que verdades que por vezes damos como absolutas, de facto não o são. Dependem profundamente do contexto em que estamos inseridos.

Perdição consumista

Uma das coisas que mais gostava de ter na vida, era uma mota nova. A Honda NX4 igual à do meu cunhado, caía-me que nem uma luva. No entanto, dificilmente a taxa de utilização justificava o investimento.....paciência!
Uma coisa posso e estou a fazer, com a colaboração do meu pai: legalizar devidamente a minha velhinha 50cc. Assim por exemplo, quando ao Domingo de manhã, não me apetecer andar de bicicleta e querer ir ao Colombo ou a outro lugar qualquer, em vez de ir de carro a gastar 9,0l/100Km, vou na minha cinquentinha a gastar 1,8l/100Km. Vou apenas nos meus 40-50 Km/h, mas chego na mesma ao meu destino, divirtindo-me muito mais e gastando muito menos.
Só espero que após 35 anos de idade, a máquina de 1970 não me deixe ficar mal na estrada.
Como alguém uma vez escreveu: “Viva feliz com o que pode ter. Feliz com o que dá para ser.”

Às vezes as paredes parece que têm ouvidos

Ontem à tarde o meu chefe sondou-me sobre a hipótese de passar a haver dois horários de trabalho: um das 07:00 às 15:00 e outro das 15:00 às 23:00.
No 2º não estou interessado, mas o 1º era ouro sobre azul.
Sair às 15:00 e ter tempo para ler, estudar (sobretudo o meu alemão), aprofundar os meus conhecimentos de informática, quiçá tirar o MBA,...
Vai desaparecer a isenção de horário, mas o dinheiro também não é tudo na vida! Não são +/- 500€ que irão fazer mossa.
Eu preciso de dar algumas pinceladas de côr na minha vida!
Estou demasiado rotinado. Parece que ando sempre à roda. Sinto-me um pouco como o burro que passa o dia a puxar a nora.
Tenho sobretudo que mudar a minha mentalidade; a minha forma de estar na vida.
Não preciso de fazer uma revolução; apenas uma evolução na continuidade.
Pode ser que a alteração de horários, seja a abertura da janela que eu tanto anseio.

A vida raramente é fácil

Na passada 2ª feira, estava em frente à televisão a dormir, quando de repente tive uma das piores sensações da minha vida. Parece que o corpo injectou algo no sangue e o meu coração entrou em profunda arritmia; a tal sensação que já uma vez descrevi como um motor de um carro a trabalhar com um cilindro a menos. Sente-se uma desaceleração e profunda descompensação do ritmo cardíaco.
Tentei manter a calma para que a minha mulher não se apercebesse, mas não é fácil. Fica-se com os músculos todos rígidos, parecem pedras, as mãos a tremer de forma incontrolável e uma dificuldade extrema em caminhar, como se o cérebro não fosse mais o orgão que tudo comanda. A sensação de que a vida chegou ao fim, passa na nossa cabeça, o que não ajuda nada a situação.
Dirigi-me à casa de banho, porque fiquei imedatamente com os intestinos desfeitos, tomei um calmante e meti-me na cama. Nestas alturas, o calmante não faz qualquer efeito, pelo que estive acordado até às 4 ou 5 horas da manhã. Por fim o cansaço vence e adormeço. O cansaço profundo é o resultado que fica depois de ultrapassada a tempestade. Parece que fui a correr de Lisboa ao Porto sem parar. A prostração mantém-se durante muitas horas, mesmo depois de acordar, até que o corpo recupere. Sinto-me um morto vivo.
A morte assusta-me! Assusta-me porque tenho uns pais incríveis, uma mulher e uma filha lindas. Familiares dos quais gostaria de poder usufruir da sua companhia durante mais uns bons anos.
Não fumo, não bebo, não faço noitadas, tomo comprimidos para baixar o colesterol, calmantes, tenho vindo a baixar o meu peso (hoje em dia 76Kg para 1,68Mt de altura), já fiz ecografia ao coração e ao estomago, electrocardiogramas (vários), análises de sangue a tudo e um par de botas,.....tudo indicando que tenho “apenas” a doença do século: o stress.
Faço 20 ou 30 Km de bicicleta, não sinto nada. Após uma hora ou duas de paragem, lá vem um nervoso miudinho acentuado. Treino bicicleta em casa, idem. Faço amor, uma hora ou duas depois, lá vem o nervoso miudinho outra vez..
Estou cansado desta situação!
Dizem-me que deveria consultar um psiquiatra. Para quê? Para saber toda a minha história desde pequenino e depois dar-me comprimidos para me pôr quase a dormir? E o trabalho quem o faz? Se me ausentar, é certo e sabido que quando voltar, alguém já se abarbatou com o trabalho!
Os meus pais dizem-me que deveria relaxar; que sempre fui uma pessoa com uma vontade férrea, e que portanto deveria dar a volta por cima. Bonita frase! Mas qual é o interruptor que devo desligar? Na cabeça são milhões!!! Qual é o fusível que está a funcionar mal? É possível descobri-lo?
O meu tio que é médico há muitos anos, ex-professor da faculdade de medicina, costuma dizer, que quando nos pomos a estudar a “massa cinzenta”, chegamos à conclusão que não sabemos nada de nada sobre o seu funcionamento.
O que por exemplo nos leva a reconhecer que ontem à noite comi castanhas cozidas?
A verdade é que estou numa encruzilhada de difícil solução. Uma coisa sei que me relaxa: ler, ler, ler, ler......tudo! Desde gestão a engenharia, de história a aeronáutica. Isso abtrai-me de maus pensamentos e permite-me “estar comigo mesmo sem fantasmas”. Pena é que o tempo que tenho não seja muito! Gostava de poder sair mais cedo do emprego e enquanto a minha mulher e a minha filha não chegam, ler, estudar, ir ao computador voar com o meu simulador de voo.....mas e depois? Quais as consequências? Lá se vão os cerca de 500€ da isenção de horário, que sempre fazem falta para os custos com a educação de uma criança. Lá vamos ter que começar a contar as moedas. Vivi anos a fio, com o problema dos salários em atraso do meu pai. Isso desgastou-me profundamente. Não quero voltar a esses tempos de forma nenhuma!
Bem, então e ao fim de semana? Bom, se tiro tempo para mim, deixo de ter tempo para estar com a minha mulher e a minha filha, que são as coisas que mais adoro neste mundo.
Como eu gostava que inventassem uma pílula que evitasse a necessidade de dormir! São as 8 – 8,5 horas mais desperdiçadas do dia que se pode ter. Como eu invejo o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa que só precisa de 3 a 4 horas de sono. A mais valia que isso lhe traz é incrível!
Seja como for, tenho de encontrar uma solução de compromisso, se quero cá andar mais uns tempos e se possível sem recurso a comprimidos. Não sei é qual é a solução.
Tenho de continuar à procura da solução. Tenho que encontrar uma solução. Tem que haver uma solução. Não posso ficar 24 horas por dia com os sentidos em alerta máximo, à espera de uma dor, uma pontada. Não posso viver à espera do minuto em que vou ficar esticado e hirto. Parece que estou 24 horas por dia a jogar à roleta russa.
Será que estou a ficar louco? Será a isto, que se chama de andropausa?
Estou cansado.........muito cansado!

terça-feira, novembro 01, 2005

O nosso Sol

De acordo com estimativas da NASA, a temperatura no núcleo do Sol atingirá 50 milhões de graus centígrados.
Para se ter uma noção desta grandeza, uma cabeça de alfinete de materia a esta temperatura, irradiaria calor suficiente para matar um ser humano a 160 quilómetros de distância.
É nestas situações que nos sentimos pequeninos e ignorantes. A única esperança que tenho, é que amanhã seja um pouco menos ignorante do que hoje.

Outros mundos

De acordo com estimativas astronómicas deverão existir cerca de 100 milhares de milhões de galáxias. A nossa galáxia, a Via Láctea, deverá ter também sensivelment 100 milhares de milhões de estrelas.
Se um sistema solar em cada 80.000 tiver um planeta a uma distância equivalente à do nosso Sol, existrirão 1.000.000.000.000.000.000.000.000 de hipóteses de haver planetas com vida no Universo. E isto partindo do pressuposto que a vida só fará sentido desenvolver-se utilizando o carbono como base de sustentação. Nada nos diz, que a vida não poderá ser sustentada com base noutro elemento químico diferente, quiçá desconhecido de nós neste momento.
Estaremos sós? Não acredito! Com semelhante estatística, por muito grande que possa ser a margem de erro, definitivamente não acredito!

Problema gastro-intestinal

Esta semana tenho-me visto um pouco aflito com um problema gastro-intestinal.
A minha filha apanhou a enfermidade na escola, passou-a à minha mulher, e claro, agora chegou a minha vez.
É impressionante, a enorme capacidade do organismo de se defender e de expelir tudo aquilo que não faz parte da sua essência. O corpo humano é de facto uma máquina extraordinária. É um todo organizado, capaz de auto-decidir o que deve permanecer e o que deve repelir do seu meio.
O aperfeiçoamento a que fomos sujeitos levou milhões de anos, desde os seres unicelulares, aos peixes, aos répteis,......., e sabe-se lá se a cadeia não irá continuar para além do que é hoje o ser humano como conhecemos. Nada nos garante que não sejamos mais uma fase de transição no processo de mutação constante do organismo.
Quando vemos doenças como o cancro, que não é mais do que a mutação e multiplicação desorganizada de células, também devemos ver que caso estas não sofressem mutações, significaria a estabilidade por tempo indeterminado da raça humana, tal como a conhecemos. A evolução teria chegado a um fim, e portanto a um estádio de estabilidade, permanência, imutabilidade, antónimo de progresso, desenvolvimento, criatividade, inovação, de que a Natureza é pródiga.
A estagnação é uma palavra vã, onde quer que se aplique.
Não acredito que seja por acaso que a capacidade craniana do Homem esteja a aumentar 1cc em cada 10.000 anos.
Para onde irá a evolução, gostava de saber.
Porque é que existimos, gostava ainda mais de saber.
Qual a justificação para a existência do Mundo como o conhecemos, era a pergunta para a qual mais gostava de ter uma resposta.
Como eu gostaria de poder multiplicar a minha presente capacidade intelectual, para melhor compreender tudo isto!

terça-feira, outubro 18, 2005

Dia de cão

Há dias em que as coisas parecem nunca correr bem, por mais que um indivíduo se esforce.
Ontem morreu o meu primo mais velho To Zé. Deveria ter cerca de cinquenta e poucos anos. Indivíduo enfrascado em drogas duras, preso várias vezes, agrediu e roubou familiares....enfim, com um historial difícil de imagir e de que eu só sei uma ínfima parte.
Morreu, vai ser enterrado amanhã, pronto! Acabou! O pior são os meus tios que cá ficam, coitados.
A verdade é que durante a sua juventude os meus tios não o apoiaram conveninetemente, quer na sua instrução (pois acho que só tem a 4ª classe), como na sua educação. Não sei se só por isto, ou também por isto, o resultado está à vista. O irmão mais novo ao que tudo indica, não anda nas drogas, mas parece que se mete na bebida em grande. Também tem quarenta e tal anos, nunca casou, nem tem rumo certo na vida Qualquer dia vai fazer companhia ao outro com uma cirrose. Uma coisa é verdade: o meu tio sempre disse que o importante não era ser “doutor”, mas sim saberem defender-se de uma navalha ou uma pistola; ter “caparro” para dar surras em quem fosse preciso. Enfim.......
Hoje que sou pai neste conturbado cenário internacional (e sobretudo nacional) em que vivemos, em que os valores infelizmente estão subvertidos, também é difícil criar uma criança. A minha filha, está a passar uma fase de difícil controlo. Parece que só conhece duas palavras: não e quero. A minha mulher que é uma pessoa muito calma e compreensiva, também já está com dificuldades em suportar a situação. Eu idem, para além de sentir tristeza ao olhar para ela. Eu adoro a minha mulher, mas sinto-a um pouco perdida e desgastada com esta dificuldade. Faço o que posso para a ajudar, mas as minhas forças emocionais e físicas também não são as melhores.
É por vezes difícil saber onde fica a fronteira entre as atitudes corectas e as incorrectas. Gostaria do fundo do meu coração que a minha filha fosse uma mulher feliz e realizsada......mas é tão difícil saber perante as inúmeras situações que se nos deparam, quais as atitudes mais correctas a tomar.
Sobre este aspecto, gostaria de ser como os meus pais, que foram perfeitamente exemplares na educação que me deram e que eu hoje agradeço do fundo do meu coração. Só gostava de ter a paciência, visão, sensibilidade, compreensão que eles me demonstraram perante as minhas adversidades.
A verdade é que o meio em que vivemos hoje também não é o mesmo. Os perigos são maiores, até devido à alteração dos valores morais e não só, desde a minha infância até hoje.
A minha filha tem um temperamento muito forte. Não quero alterar-lhe isso. É dela, é inato. Agora como todos os diamantes em bruto, só têm o seu devido valor depois de lapidados.....e eu tenho tanto medo de me enganar a lapidar o diamante. Se me enganar, não há cola, solda, massa, que se possa pôr para emendar o erro.
As relações humanas são uma coisa tão complicada de gerir......
Talvez amanhã me sinta melhor! Hoje não é um bom dia para exprimir sentimentos. Apetecia-me saltar para cima de uma mota, e guiar sem destino. Sentir o vento na cara, observar as maravilhosas paisagens que Deus nos deixou e fazer quilómetros, quilómetros, quilómetros,..........

Passeio de bicicleta a Alhandra

No passado Domingo voltei aos meus passeios matinais de bicicleta.
Com o calor que tem estado (+30ºC), não tenho vontade nenhuma. Prefiro dar um passeiozinho na minha motorizada. Só tenho pena de não ter algo mais potente e fiável para poder alargar os passeios sem receios, mas enfim.....o dinheiro não chega para tudo e quem não tem dinheiro, não tem vícios!
Ontem fui pela estrada nacional 10 até Alhandra. Dei uma volta no passeio pedonal que irá no futuro ligar a Vila Franca de Xira, dei uma espreitadela ao pessoal a nadar na piscina e sentei-me um pouco à beira-mar a ver o pessoal a fazer vela e remo. Esta zona está muito bonita! Parece quase a Expo.....salvo as devidas proporções evidentemente.
Depois regressei a Alverca, fui até ao Museu do Ar ver os aviões e retomei o caminho de casa, para uma duchada reconfortante.
Evitei sempre ultrapassar as 120-130 pulsações por minuto e pela 1ª vez desde à muito tempo, senti-me fisicamente bem. Sem dores no peito, sem palpitações no coração. Parece que aos poucos finalmente o meu organismo está a entrar nos eixos! Tive que tomar o calmante às 18:00, quando estava previsto para as 20:00, mas lá estava a vir o nervoso galopante. À noite, reforço da dose. É estranho! Sinto que quando faço esforço físico, fico passado um tempo mais nervoso, mais excitado do que o normal. Esta vez não foi excepção, mas pelo menos já não senti aquelas palpitações cardíacas terríveis. Parece um motor a alta rotação a trabalhar em 3 cilindros. É um horror! Já estou farto destas sensações! Sinto que agora que comecei a tomar as vitaminas Stresstab, o meu corpo está lentamente a regressar à normalidade. Os calmantes só, não me resolviam o problema.
Quero ver se volto a treinar na minha bicicleta em casa 2 vezes por semana e depois fazer o meu passeiozinho dominical, indo alargando os percursos semana após semana.
Já antes das férias tirei umas cópias de uns itinerários para ir conhecer Lisboa. Agora que fisicamente me começo a sentir melhor, vamos ver se os consigo fazer.
Cheguei à conclusão que vivo em Lisboa à 43 anos, e existem milhões de sítios que nunca visitei. A última visita que fiz à mais de 6 meses atrás, foi ao Castelo de S. Jorge. A vista é linda! Um verdadeiro espectáculo! Há anos que lá não ía.
Em Lisboa, existe miradouros excepcionais! Mas para isso, tenho que me ir preparando fisicamente, com muita calma e progressivamente.
Tenho fisica e psicologicamente passado um dos piores momentos da minha vida. Tento fazer com que a minha mulher não se aperceba minimamente deste calvário; da luta dentro de mim. Hoje em dia não peço muito para mim. Só gostaria de ter saúde, para disfrutar de tantas coisas que me rodeiam e que infelizmente devido à pressa diária, raramente me apercebo delas.
Tenho a mania que sou forte e que os esgotamentos nervosos só acontecem aos outros. Já tive quebras físicas e psíquicas, mas esta......tem sido muito difícil de superar. Já passaram largos meses e ......só agora começo a ver a luz ao fundo do túnel!
O meu tio que é médico, queria que eu fosse consultado por um psiquiatra. Eu disse-lhe que ainda não estava maluco. Vamos ver se me aguento.
Se calhar é a andropausa que anda por aqui. As pessoas julgam-se imortais até determinada idade; depois, apercebem-se que a realidade é outra e isso mexe muito com a psique.

domingo, outubro 16, 2005

Viva em paz....

“- Sonhe, mas não deseje ser quem você não é.
- Isso é pesadelo.

- Almeje, mas não queira uma vida igual à de outrem.
- Isso é morte.

- Imagine, mas não fantasie com o que não pode ter.
- Isso é loucura.

- Dispute, mas não tente vencer o invencível.
- Isso é suicídio.

- Fale, mas não apenas de si próprio.
- Isso é egoísmo.

- Apareça. Mas não se mostre com orgulho.
- Isso é exibicionismo.

- Admire, mas não se machuque com inveja.
- Isso é falta de auto-apoio.

- Avalie, mas não se coloque como modelo de conduta.
- Isso é egocentrismo.

- Alegre-se, mas não em exagero e com alarde.
- Isso é desiquilíbrio.

- Elogie, mas não se desmanche em bajulações.
- Isso é hipocrisia.

- Observe, mas não faça julgamentos.
- Isso é baixa auto-avaliação.

- Chore, mas não se declare um ser infeliz.
- Isso é auto-piedade.

- Importe-se, mas não cuide da vida do próximo.
- Isso é abandonar a sua própria vida.

- Ande, mas não atravesse o caminho alheio.
- Isso é invasão.

- Viva feliz com o que pode ter. Feliz com o que dá para ser.
- Isso é Paz.”

(autor desconhecido)

Sem comentários!

Paris

Há uns anos atrás depois de dezenas de vezes fazer tranfers nos aeroportos de Orly e Charles de Gaulle, eu, a minha mulher e os meus sogros decidimos tirar uns dias e ir fazer as compras de Natal a Paris.
Ficámos num conhecido hotel na famosa zona de l’Ópera e fomos à descoberta da cidade e das prendas.
Tenho a felicidade de conhecer muitas cidades por essa Europa fora e não só......mas de facto, Paris é Paris!
Na altura do Natal todas as ruas e lojas estão enfeitadas com milhares de lâmpadas. Existem dezenas de milhares de pessoas nas ruas atarefadas nas compras. Existe um quê de muito especial no ar.
A Torre Eifel apesar de ser um amontoado de ferro seguro por milhões de rebites é de facto no seu conjunto uma soberba obra de arte arquitetónica. Em cada um dos quatro pilares, temos um elevador que nos conduz ao 1º andar, onde existe uma loja de “souvenirs” (caros) e um restaurante com preços exurbitantes. Apanhando o elevador seguinte, chegamos ao topo da torre. Aí sim, abre-se-nos uma visão impossível de descrever, fotografar ou mesmo filmar condignamente. A vista da torre de telecomunicações de Munique é excepcional, mas não comparável com a presente vista. É das vistas de cidades mais deslumbrantes que tive oportunidade de ver em toda a minha vida!
Visitámos a Torre Eifel por duas vezes. Uma de dia, outra de noite. De dia tem-se uma panorâmica magnífica sobre toda a cidade, nomeadamente a zona do rio Tamisa e toda a zona nova de Paris: “La Defense”. Percebe-se perfeitamente o rendilhado das ruas e a sua convergência para a zona do Arco do Triunfo. À noite pude confirmar porque é que Paris é considerada a cidade luz. É simplesmente indescritível a vista nocturna! Os barcos que navegam no rio encontram-se todos iluminados. O movimento inusitado destes (compridos e estreitos de acordo com a pouca largura do rio), uns restaurantes flutuantes, outros de carga, dão-nos a ideia que passeiam enormes cardumes de peixes luminosos no rio, de um lado para o outro.
De metropolitano, chega-se a todo o lado. O carro não faz falta para nada. Só atrapalha. Os condutores são tão ou mais indisciplinados do que nós portugueses.
A zona de Montmartre (zona dos pintores) tem um ar muito pitoresco, com dezenas de artistas na rua retratando pessoas, fachadas de edifícios, pormenores singulares da zona.
Os Campos Elísios são uma azáfama de veículos e lojas de enormes dimensões, divididas por 5,6, 7 pisos. Todas as árvores que ladeiam a avenida estão iluminadas, bem como os edifícios e montras. Estas apresentam bonecos articulados eléctricamente, pelo que as montras parecem estar permanentemente a mexer-se. A noite parece dia! Pela primeira vez, entrei numa loja da Séphora. Que loja enorme!!!! Têm televisores em vários recantos, com dados sobre o mercado de valores de produtos de beleza. Nem fazia idéia que tal coisa existisse! Conhecia o mercado de capitais, de mercadorias,...., mas agora de produtos de beleza? Não fazia idéia que tal mercado movimentasse assim tanto dinheiro!
Junto ao Eliseu, encontram-se as lojas de grande luxo: um pouco à semelhança da nossa Avenida da Liberdade! Para se saber o preço das coisas, é preciso contar todos os dígitos à esquerda da vírgula, não vá a gente enganar-se.
Como estávamos no Inverno, o “Jardin das Tulleries” não me pareceu grande coisa. O nosso Parque Eduardo VII, é bem mais vistoso. No entanto a época do ano, também não era a melhor.
O “Museu du Louvre” é enorme. Não me senti esteticamente ofendido com a pirâmide em vidro de estilo moderno que colocaram agora à entrada para o museu. A fila de pessoas para acederem ao seu interior é no mínimo incrível. É preciso gostar muito de arte para passar tantas horas numa fila de espera!
É de facto uma cidade magnífica que merece ser conhecida! Poderá parecer um cliché, mas não é.
Gastámos muito mais dinheiro do que pensámos gastar. Andámos anos a pagar à banca parte do que gastámos, mas não considero que tenha sido uma despesa. Foi antes um investimento em cultura e conhecimento, que jamais se apagará da minha memória.

domingo, outubro 09, 2005

A vida....

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” (Charlie Chaplin)

Sem comentários!

“Entrapment” (Armadilha)

Ontem estive a rever o filme “Entrapment” (Armadilha) com o Sean Connery e Catherine Zeta Jones.
Aquilo é que são 2 ladrões profissionais de primeira água. Claro que aquilo é filme, mas temos exemplos brilhantes como o assalto ao comboio de Londres ou em Portugal o episódio Alves Reis.
Se há coisas que eu de facto odeio são maus profissionais.
Cada qual tem a profissão que tem. Uns são médicos, outros advogados, engenheiros, ladrões, electricistas, prostitutas, pedreiros,......., o que seja. Agora, o importante é que no seu ramo de actividade, sejam bons profissionais.
Um indivíduo que rouda por esticão, deveria ser condenado a 1 ano de pena por roubo, mais 10 anos por não saber roubar; por não ser um profissional capaz.
Sempre entendi, que para se ser um bom profissional é necessário 20% de inspiração e 80% de transpiração. A inspiração é inata, divina. A transpiração depende da vontade e abnegação das pessoas.
Não me considero um indivíduo inteligente: paciência! Dos 20% de inspiração posso aproveitar 4 ou 5 %. Agora, sinto-me na obrigação de dar senão 80% de transpiração, pelo menos 70%.
70% + 4 ou 5% já dá cerca de 75% de capacidade de realização. Não sendo brilhante, não posso encarar o valor como sofrível ou medíocre.
O desleixo, a falta de vontade, de querer, causam-me a maior indignação e desprezo!
Aquilo que nos diferencia dos outros animais é a capacidade de raciocínio, de aprendizagem e realização. Se somos estúpidos e displicentes, o que nos distingue de um verme, um cão ou um rato?
Odeio gente estúpida e inculta!

quarta-feira, outubro 05, 2005

Nova deslocação a Munique (III)

Percorrer as auto-estradas alemãs (autobahn), nada tem a ver com as nossas.
Estão bem assinaladas, existem placards verticais electrónicos de x em x quilómetros, com indicações, como seja:
- limitação de velocidade, que depende das condições climatéricas e fluxo de tráfego;
- possível existência de engarrafamentos e possíveis itinerários alternativos;
- etc.

As auto-estradas de 2 faixas, normalmente estão limitadas a 120km/h das 8h da manhã às 6h da tarde, sendo livres no restante horário. As de 3 faixas é exactamente o contrário.
É interessante circular a 140-150Km/h e sermos abanados por veículos que circulam a 250, 260, 270 Km/h.
A verdade é que me sinto bem mais seguro nestas vias, do que em Portugal em que a velocidade é limitada sistematicamente a 120Km/h:
- usam sempre os intermitentes quando mudam de via, nós a maior parte das vezes não;
- circulam sistematicamente o mais à direita possível;
- respeitam os condutores que vão na sua frente a ultrapassar a velocidades mais reduzidas, sem emitirem sinais sonoros ou luminosos.

É também verdade que a geometria das auto-estradas na Alemanha é diferente das portuguesas. As curvas são por exemplo, menos acentuadas. Na Alemanha uma auto-estrada como a de Cascais, seria certamente limitada em termos de velocidade....mas, por exemplo a auto-estrada para Badajoz ou para o Algarve, pelo menos em alguns troços, certamente que não.

É também um facto que os automóveis são invariavelmente de categoria superior aos nossos, mas por vezes o facto de andarmos sistematicamente “guilhotinados” a 120Km/h, leva-nos a tomar decisões erradas (impulsos expansivos) em estradas secundárias. Seria preferível autorizar em vias abertas e de pouco trânsito, que as pessoas pudessem dar asas à sua liberdade de condução, e nas estradas secundárias aí sim, recatarem-se a velocidades mais moderadas, cumprindo escrupulosamente o código da estrada.

A repressão sistemática do ser humano, impondo limitações/restrições de comportamento, leva mais tarde ou mais cedo a uma explosão da necessidade de incumprimento do estipulado; a uma necessidade de quebrar as grilhetas que nos prendem. Quem é que hoje em dia possui automóvel e pelo menos uma vez na vida não foi experimentar qual a velocidade máxima que o carro consegue atingir? De certeza que infligiu o código da estrada, porque todos os veículos à venda no mercado ultrapassam o limite estipulado de 120Km/h!
Não será mais perigoso ser-se obrigado a conduzir a 120Km/h, por exemplo de Lisboa a Madrid, onde em mais de 50% do percurso não se encontra ninguém, do que permitir outras velocidades, para evitar o efeito da monotonia, que só leva a desatenções na condução?

Nova deslocação a Munique (II)

A empresa que novamente visitei em Donauwoerth após alguns meses, apresenta alterações significativas de rentabilidade.

Exemplos:

Passado: no self-service após as refeições, punhamos os tabuleiros numa passadeira rolante, que os levavam directamente para a cozinha.

NOTA:
Na nossa empresa em Portugal, temos empregadas que empurram carrinhos para a cozinha e vice-versa, quando estão cheios de tabuleiros;

Presente: o sistema é o mesmo, mas por debaixo do tapete rolante existem caixotes onde pomos de um lado os guardanapos (papel) e do outro os copos (plástico); i.e., somos nós próprios que reciclamos os materiais. Para a cozinha só vai estritamente copos de vidro, pratos, talheres, ....., i.e., material para lavagem e futura re-utilização.


Passado: haviam senhoras que serviam as bebidas. Tinham mangueiras e íam enchendo os copos à medida dos pedidos dos consumidores;

Presente: somos nós que pomos os copos debaixo de uma máquina com várias saídas para as diferentes bebidas.

Nova deslocação a Munique (I)

Na semana passada, tive de me deslocar novamente ao centro industrial da Europa: Munique.
Sempre que me desloco à Alemanha, existe algo que me fica nos olhos.
No aeroporto, encontra-se estacionada uma maquete do novo comboio de levitação magnética (mono-rail) que está a ser desenvolvido em colaboração com a China, Taiwan e Singapura.
As carruagens por dentro, pouco diferem das nossas. A verdadeira revolução baseia-se na inexistência de rodados. As carruagens flutuam num monocarril, baseado no princípio que polos idênticos com o mesmo polo se repelem.
Dea cordo com os dados disponíveis, os 1ºs estudos, já conseguiram velocidades da ordem de 450Km/hora.
Quando o nosso comboio de alta velocidade estiver pronto, por volta de 2015 a 2020, já estará completamente ultrapassado tecnicamente. É aqui que se demonstra o avanço tecnológico de certos países europeus.....e não se trata de uma questão económica, porque mesmo que tivéssemos capacidades financeira para implementar um programa desta envergadura, falta-nos a tecnologia.
Dentro do aeroporto de Munique, o “check-in” da Lufthansa (aliás, de todas as companhias do grupo Star Alliance, entre as quais a TAP Portugal) já é completamente automático. Os passos são simples:
- identificação pessoal com um cartão magnético qualquer;
- informar o computador se se pretende despachar bagagem;
- pôr esta em cima de uma balança;
- retirar a etiqueta e colá-la em volta da mesma;
- escolher o lugar no avião dentre aqueles que ainda se encontram vagos;
- introduzir o cartão das milhas, caso o tenha;
- a mala desaparece no tapete rolante e sai o talão de embarque.

Na sala de embarque, existe um torniquete, que só deixa as pessoas passarem para o avião, desde que se introduza o cartão de embarque.

Tudo isto se passa sem necessidade de pessoal. Tudo está automatizado. As máquinas até têm tradução em português.

Assim se poupa mão-de-obra.

NOTA IMPORTANTE:
Na entrada para a zona do free-shop, continua a existir a vigilância apertada de objectos metálicos, bem como fiscalização de documentação.

Se se rentabilizassem os procedimentos em Portugal como é feito na Alemanha, qual seria a nossa taxa de desemprego? 40%, 50%? Isto dá que pensar! A nossa sorte é que os nossos salários não são equiparavéis aos deles!