terça-feira, novembro 01, 2005

Problema gastro-intestinal

Esta semana tenho-me visto um pouco aflito com um problema gastro-intestinal.
A minha filha apanhou a enfermidade na escola, passou-a à minha mulher, e claro, agora chegou a minha vez.
É impressionante, a enorme capacidade do organismo de se defender e de expelir tudo aquilo que não faz parte da sua essência. O corpo humano é de facto uma máquina extraordinária. É um todo organizado, capaz de auto-decidir o que deve permanecer e o que deve repelir do seu meio.
O aperfeiçoamento a que fomos sujeitos levou milhões de anos, desde os seres unicelulares, aos peixes, aos répteis,......., e sabe-se lá se a cadeia não irá continuar para além do que é hoje o ser humano como conhecemos. Nada nos garante que não sejamos mais uma fase de transição no processo de mutação constante do organismo.
Quando vemos doenças como o cancro, que não é mais do que a mutação e multiplicação desorganizada de células, também devemos ver que caso estas não sofressem mutações, significaria a estabilidade por tempo indeterminado da raça humana, tal como a conhecemos. A evolução teria chegado a um fim, e portanto a um estádio de estabilidade, permanência, imutabilidade, antónimo de progresso, desenvolvimento, criatividade, inovação, de que a Natureza é pródiga.
A estagnação é uma palavra vã, onde quer que se aplique.
Não acredito que seja por acaso que a capacidade craniana do Homem esteja a aumentar 1cc em cada 10.000 anos.
Para onde irá a evolução, gostava de saber.
Porque é que existimos, gostava ainda mais de saber.
Qual a justificação para a existência do Mundo como o conhecemos, era a pergunta para a qual mais gostava de ter uma resposta.
Como eu gostaria de poder multiplicar a minha presente capacidade intelectual, para melhor compreender tudo isto!

terça-feira, outubro 18, 2005

Dia de cão

Há dias em que as coisas parecem nunca correr bem, por mais que um indivíduo se esforce.
Ontem morreu o meu primo mais velho To Zé. Deveria ter cerca de cinquenta e poucos anos. Indivíduo enfrascado em drogas duras, preso várias vezes, agrediu e roubou familiares....enfim, com um historial difícil de imagir e de que eu só sei uma ínfima parte.
Morreu, vai ser enterrado amanhã, pronto! Acabou! O pior são os meus tios que cá ficam, coitados.
A verdade é que durante a sua juventude os meus tios não o apoiaram conveninetemente, quer na sua instrução (pois acho que só tem a 4ª classe), como na sua educação. Não sei se só por isto, ou também por isto, o resultado está à vista. O irmão mais novo ao que tudo indica, não anda nas drogas, mas parece que se mete na bebida em grande. Também tem quarenta e tal anos, nunca casou, nem tem rumo certo na vida Qualquer dia vai fazer companhia ao outro com uma cirrose. Uma coisa é verdade: o meu tio sempre disse que o importante não era ser “doutor”, mas sim saberem defender-se de uma navalha ou uma pistola; ter “caparro” para dar surras em quem fosse preciso. Enfim.......
Hoje que sou pai neste conturbado cenário internacional (e sobretudo nacional) em que vivemos, em que os valores infelizmente estão subvertidos, também é difícil criar uma criança. A minha filha, está a passar uma fase de difícil controlo. Parece que só conhece duas palavras: não e quero. A minha mulher que é uma pessoa muito calma e compreensiva, também já está com dificuldades em suportar a situação. Eu idem, para além de sentir tristeza ao olhar para ela. Eu adoro a minha mulher, mas sinto-a um pouco perdida e desgastada com esta dificuldade. Faço o que posso para a ajudar, mas as minhas forças emocionais e físicas também não são as melhores.
É por vezes difícil saber onde fica a fronteira entre as atitudes corectas e as incorrectas. Gostaria do fundo do meu coração que a minha filha fosse uma mulher feliz e realizsada......mas é tão difícil saber perante as inúmeras situações que se nos deparam, quais as atitudes mais correctas a tomar.
Sobre este aspecto, gostaria de ser como os meus pais, que foram perfeitamente exemplares na educação que me deram e que eu hoje agradeço do fundo do meu coração. Só gostava de ter a paciência, visão, sensibilidade, compreensão que eles me demonstraram perante as minhas adversidades.
A verdade é que o meio em que vivemos hoje também não é o mesmo. Os perigos são maiores, até devido à alteração dos valores morais e não só, desde a minha infância até hoje.
A minha filha tem um temperamento muito forte. Não quero alterar-lhe isso. É dela, é inato. Agora como todos os diamantes em bruto, só têm o seu devido valor depois de lapidados.....e eu tenho tanto medo de me enganar a lapidar o diamante. Se me enganar, não há cola, solda, massa, que se possa pôr para emendar o erro.
As relações humanas são uma coisa tão complicada de gerir......
Talvez amanhã me sinta melhor! Hoje não é um bom dia para exprimir sentimentos. Apetecia-me saltar para cima de uma mota, e guiar sem destino. Sentir o vento na cara, observar as maravilhosas paisagens que Deus nos deixou e fazer quilómetros, quilómetros, quilómetros,..........

Passeio de bicicleta a Alhandra

No passado Domingo voltei aos meus passeios matinais de bicicleta.
Com o calor que tem estado (+30ºC), não tenho vontade nenhuma. Prefiro dar um passeiozinho na minha motorizada. Só tenho pena de não ter algo mais potente e fiável para poder alargar os passeios sem receios, mas enfim.....o dinheiro não chega para tudo e quem não tem dinheiro, não tem vícios!
Ontem fui pela estrada nacional 10 até Alhandra. Dei uma volta no passeio pedonal que irá no futuro ligar a Vila Franca de Xira, dei uma espreitadela ao pessoal a nadar na piscina e sentei-me um pouco à beira-mar a ver o pessoal a fazer vela e remo. Esta zona está muito bonita! Parece quase a Expo.....salvo as devidas proporções evidentemente.
Depois regressei a Alverca, fui até ao Museu do Ar ver os aviões e retomei o caminho de casa, para uma duchada reconfortante.
Evitei sempre ultrapassar as 120-130 pulsações por minuto e pela 1ª vez desde à muito tempo, senti-me fisicamente bem. Sem dores no peito, sem palpitações no coração. Parece que aos poucos finalmente o meu organismo está a entrar nos eixos! Tive que tomar o calmante às 18:00, quando estava previsto para as 20:00, mas lá estava a vir o nervoso galopante. À noite, reforço da dose. É estranho! Sinto que quando faço esforço físico, fico passado um tempo mais nervoso, mais excitado do que o normal. Esta vez não foi excepção, mas pelo menos já não senti aquelas palpitações cardíacas terríveis. Parece um motor a alta rotação a trabalhar em 3 cilindros. É um horror! Já estou farto destas sensações! Sinto que agora que comecei a tomar as vitaminas Stresstab, o meu corpo está lentamente a regressar à normalidade. Os calmantes só, não me resolviam o problema.
Quero ver se volto a treinar na minha bicicleta em casa 2 vezes por semana e depois fazer o meu passeiozinho dominical, indo alargando os percursos semana após semana.
Já antes das férias tirei umas cópias de uns itinerários para ir conhecer Lisboa. Agora que fisicamente me começo a sentir melhor, vamos ver se os consigo fazer.
Cheguei à conclusão que vivo em Lisboa à 43 anos, e existem milhões de sítios que nunca visitei. A última visita que fiz à mais de 6 meses atrás, foi ao Castelo de S. Jorge. A vista é linda! Um verdadeiro espectáculo! Há anos que lá não ía.
Em Lisboa, existe miradouros excepcionais! Mas para isso, tenho que me ir preparando fisicamente, com muita calma e progressivamente.
Tenho fisica e psicologicamente passado um dos piores momentos da minha vida. Tento fazer com que a minha mulher não se aperceba minimamente deste calvário; da luta dentro de mim. Hoje em dia não peço muito para mim. Só gostaria de ter saúde, para disfrutar de tantas coisas que me rodeiam e que infelizmente devido à pressa diária, raramente me apercebo delas.
Tenho a mania que sou forte e que os esgotamentos nervosos só acontecem aos outros. Já tive quebras físicas e psíquicas, mas esta......tem sido muito difícil de superar. Já passaram largos meses e ......só agora começo a ver a luz ao fundo do túnel!
O meu tio que é médico, queria que eu fosse consultado por um psiquiatra. Eu disse-lhe que ainda não estava maluco. Vamos ver se me aguento.
Se calhar é a andropausa que anda por aqui. As pessoas julgam-se imortais até determinada idade; depois, apercebem-se que a realidade é outra e isso mexe muito com a psique.

domingo, outubro 16, 2005

Viva em paz....

“- Sonhe, mas não deseje ser quem você não é.
- Isso é pesadelo.

- Almeje, mas não queira uma vida igual à de outrem.
- Isso é morte.

- Imagine, mas não fantasie com o que não pode ter.
- Isso é loucura.

- Dispute, mas não tente vencer o invencível.
- Isso é suicídio.

- Fale, mas não apenas de si próprio.
- Isso é egoísmo.

- Apareça. Mas não se mostre com orgulho.
- Isso é exibicionismo.

- Admire, mas não se machuque com inveja.
- Isso é falta de auto-apoio.

- Avalie, mas não se coloque como modelo de conduta.
- Isso é egocentrismo.

- Alegre-se, mas não em exagero e com alarde.
- Isso é desiquilíbrio.

- Elogie, mas não se desmanche em bajulações.
- Isso é hipocrisia.

- Observe, mas não faça julgamentos.
- Isso é baixa auto-avaliação.

- Chore, mas não se declare um ser infeliz.
- Isso é auto-piedade.

- Importe-se, mas não cuide da vida do próximo.
- Isso é abandonar a sua própria vida.

- Ande, mas não atravesse o caminho alheio.
- Isso é invasão.

- Viva feliz com o que pode ter. Feliz com o que dá para ser.
- Isso é Paz.”

(autor desconhecido)

Sem comentários!

Paris

Há uns anos atrás depois de dezenas de vezes fazer tranfers nos aeroportos de Orly e Charles de Gaulle, eu, a minha mulher e os meus sogros decidimos tirar uns dias e ir fazer as compras de Natal a Paris.
Ficámos num conhecido hotel na famosa zona de l’Ópera e fomos à descoberta da cidade e das prendas.
Tenho a felicidade de conhecer muitas cidades por essa Europa fora e não só......mas de facto, Paris é Paris!
Na altura do Natal todas as ruas e lojas estão enfeitadas com milhares de lâmpadas. Existem dezenas de milhares de pessoas nas ruas atarefadas nas compras. Existe um quê de muito especial no ar.
A Torre Eifel apesar de ser um amontoado de ferro seguro por milhões de rebites é de facto no seu conjunto uma soberba obra de arte arquitetónica. Em cada um dos quatro pilares, temos um elevador que nos conduz ao 1º andar, onde existe uma loja de “souvenirs” (caros) e um restaurante com preços exurbitantes. Apanhando o elevador seguinte, chegamos ao topo da torre. Aí sim, abre-se-nos uma visão impossível de descrever, fotografar ou mesmo filmar condignamente. A vista da torre de telecomunicações de Munique é excepcional, mas não comparável com a presente vista. É das vistas de cidades mais deslumbrantes que tive oportunidade de ver em toda a minha vida!
Visitámos a Torre Eifel por duas vezes. Uma de dia, outra de noite. De dia tem-se uma panorâmica magnífica sobre toda a cidade, nomeadamente a zona do rio Tamisa e toda a zona nova de Paris: “La Defense”. Percebe-se perfeitamente o rendilhado das ruas e a sua convergência para a zona do Arco do Triunfo. À noite pude confirmar porque é que Paris é considerada a cidade luz. É simplesmente indescritível a vista nocturna! Os barcos que navegam no rio encontram-se todos iluminados. O movimento inusitado destes (compridos e estreitos de acordo com a pouca largura do rio), uns restaurantes flutuantes, outros de carga, dão-nos a ideia que passeiam enormes cardumes de peixes luminosos no rio, de um lado para o outro.
De metropolitano, chega-se a todo o lado. O carro não faz falta para nada. Só atrapalha. Os condutores são tão ou mais indisciplinados do que nós portugueses.
A zona de Montmartre (zona dos pintores) tem um ar muito pitoresco, com dezenas de artistas na rua retratando pessoas, fachadas de edifícios, pormenores singulares da zona.
Os Campos Elísios são uma azáfama de veículos e lojas de enormes dimensões, divididas por 5,6, 7 pisos. Todas as árvores que ladeiam a avenida estão iluminadas, bem como os edifícios e montras. Estas apresentam bonecos articulados eléctricamente, pelo que as montras parecem estar permanentemente a mexer-se. A noite parece dia! Pela primeira vez, entrei numa loja da Séphora. Que loja enorme!!!! Têm televisores em vários recantos, com dados sobre o mercado de valores de produtos de beleza. Nem fazia idéia que tal coisa existisse! Conhecia o mercado de capitais, de mercadorias,...., mas agora de produtos de beleza? Não fazia idéia que tal mercado movimentasse assim tanto dinheiro!
Junto ao Eliseu, encontram-se as lojas de grande luxo: um pouco à semelhança da nossa Avenida da Liberdade! Para se saber o preço das coisas, é preciso contar todos os dígitos à esquerda da vírgula, não vá a gente enganar-se.
Como estávamos no Inverno, o “Jardin das Tulleries” não me pareceu grande coisa. O nosso Parque Eduardo VII, é bem mais vistoso. No entanto a época do ano, também não era a melhor.
O “Museu du Louvre” é enorme. Não me senti esteticamente ofendido com a pirâmide em vidro de estilo moderno que colocaram agora à entrada para o museu. A fila de pessoas para acederem ao seu interior é no mínimo incrível. É preciso gostar muito de arte para passar tantas horas numa fila de espera!
É de facto uma cidade magnífica que merece ser conhecida! Poderá parecer um cliché, mas não é.
Gastámos muito mais dinheiro do que pensámos gastar. Andámos anos a pagar à banca parte do que gastámos, mas não considero que tenha sido uma despesa. Foi antes um investimento em cultura e conhecimento, que jamais se apagará da minha memória.

domingo, outubro 09, 2005

A vida....

“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” (Charlie Chaplin)

Sem comentários!

“Entrapment” (Armadilha)

Ontem estive a rever o filme “Entrapment” (Armadilha) com o Sean Connery e Catherine Zeta Jones.
Aquilo é que são 2 ladrões profissionais de primeira água. Claro que aquilo é filme, mas temos exemplos brilhantes como o assalto ao comboio de Londres ou em Portugal o episódio Alves Reis.
Se há coisas que eu de facto odeio são maus profissionais.
Cada qual tem a profissão que tem. Uns são médicos, outros advogados, engenheiros, ladrões, electricistas, prostitutas, pedreiros,......., o que seja. Agora, o importante é que no seu ramo de actividade, sejam bons profissionais.
Um indivíduo que rouda por esticão, deveria ser condenado a 1 ano de pena por roubo, mais 10 anos por não saber roubar; por não ser um profissional capaz.
Sempre entendi, que para se ser um bom profissional é necessário 20% de inspiração e 80% de transpiração. A inspiração é inata, divina. A transpiração depende da vontade e abnegação das pessoas.
Não me considero um indivíduo inteligente: paciência! Dos 20% de inspiração posso aproveitar 4 ou 5 %. Agora, sinto-me na obrigação de dar senão 80% de transpiração, pelo menos 70%.
70% + 4 ou 5% já dá cerca de 75% de capacidade de realização. Não sendo brilhante, não posso encarar o valor como sofrível ou medíocre.
O desleixo, a falta de vontade, de querer, causam-me a maior indignação e desprezo!
Aquilo que nos diferencia dos outros animais é a capacidade de raciocínio, de aprendizagem e realização. Se somos estúpidos e displicentes, o que nos distingue de um verme, um cão ou um rato?
Odeio gente estúpida e inculta!

quarta-feira, outubro 05, 2005

Nova deslocação a Munique (III)

Percorrer as auto-estradas alemãs (autobahn), nada tem a ver com as nossas.
Estão bem assinaladas, existem placards verticais electrónicos de x em x quilómetros, com indicações, como seja:
- limitação de velocidade, que depende das condições climatéricas e fluxo de tráfego;
- possível existência de engarrafamentos e possíveis itinerários alternativos;
- etc.

As auto-estradas de 2 faixas, normalmente estão limitadas a 120km/h das 8h da manhã às 6h da tarde, sendo livres no restante horário. As de 3 faixas é exactamente o contrário.
É interessante circular a 140-150Km/h e sermos abanados por veículos que circulam a 250, 260, 270 Km/h.
A verdade é que me sinto bem mais seguro nestas vias, do que em Portugal em que a velocidade é limitada sistematicamente a 120Km/h:
- usam sempre os intermitentes quando mudam de via, nós a maior parte das vezes não;
- circulam sistematicamente o mais à direita possível;
- respeitam os condutores que vão na sua frente a ultrapassar a velocidades mais reduzidas, sem emitirem sinais sonoros ou luminosos.

É também verdade que a geometria das auto-estradas na Alemanha é diferente das portuguesas. As curvas são por exemplo, menos acentuadas. Na Alemanha uma auto-estrada como a de Cascais, seria certamente limitada em termos de velocidade....mas, por exemplo a auto-estrada para Badajoz ou para o Algarve, pelo menos em alguns troços, certamente que não.

É também um facto que os automóveis são invariavelmente de categoria superior aos nossos, mas por vezes o facto de andarmos sistematicamente “guilhotinados” a 120Km/h, leva-nos a tomar decisões erradas (impulsos expansivos) em estradas secundárias. Seria preferível autorizar em vias abertas e de pouco trânsito, que as pessoas pudessem dar asas à sua liberdade de condução, e nas estradas secundárias aí sim, recatarem-se a velocidades mais moderadas, cumprindo escrupulosamente o código da estrada.

A repressão sistemática do ser humano, impondo limitações/restrições de comportamento, leva mais tarde ou mais cedo a uma explosão da necessidade de incumprimento do estipulado; a uma necessidade de quebrar as grilhetas que nos prendem. Quem é que hoje em dia possui automóvel e pelo menos uma vez na vida não foi experimentar qual a velocidade máxima que o carro consegue atingir? De certeza que infligiu o código da estrada, porque todos os veículos à venda no mercado ultrapassam o limite estipulado de 120Km/h!
Não será mais perigoso ser-se obrigado a conduzir a 120Km/h, por exemplo de Lisboa a Madrid, onde em mais de 50% do percurso não se encontra ninguém, do que permitir outras velocidades, para evitar o efeito da monotonia, que só leva a desatenções na condução?

Nova deslocação a Munique (II)

A empresa que novamente visitei em Donauwoerth após alguns meses, apresenta alterações significativas de rentabilidade.

Exemplos:

Passado: no self-service após as refeições, punhamos os tabuleiros numa passadeira rolante, que os levavam directamente para a cozinha.

NOTA:
Na nossa empresa em Portugal, temos empregadas que empurram carrinhos para a cozinha e vice-versa, quando estão cheios de tabuleiros;

Presente: o sistema é o mesmo, mas por debaixo do tapete rolante existem caixotes onde pomos de um lado os guardanapos (papel) e do outro os copos (plástico); i.e., somos nós próprios que reciclamos os materiais. Para a cozinha só vai estritamente copos de vidro, pratos, talheres, ....., i.e., material para lavagem e futura re-utilização.


Passado: haviam senhoras que serviam as bebidas. Tinham mangueiras e íam enchendo os copos à medida dos pedidos dos consumidores;

Presente: somos nós que pomos os copos debaixo de uma máquina com várias saídas para as diferentes bebidas.

Nova deslocação a Munique (I)

Na semana passada, tive de me deslocar novamente ao centro industrial da Europa: Munique.
Sempre que me desloco à Alemanha, existe algo que me fica nos olhos.
No aeroporto, encontra-se estacionada uma maquete do novo comboio de levitação magnética (mono-rail) que está a ser desenvolvido em colaboração com a China, Taiwan e Singapura.
As carruagens por dentro, pouco diferem das nossas. A verdadeira revolução baseia-se na inexistência de rodados. As carruagens flutuam num monocarril, baseado no princípio que polos idênticos com o mesmo polo se repelem.
Dea cordo com os dados disponíveis, os 1ºs estudos, já conseguiram velocidades da ordem de 450Km/hora.
Quando o nosso comboio de alta velocidade estiver pronto, por volta de 2015 a 2020, já estará completamente ultrapassado tecnicamente. É aqui que se demonstra o avanço tecnológico de certos países europeus.....e não se trata de uma questão económica, porque mesmo que tivéssemos capacidades financeira para implementar um programa desta envergadura, falta-nos a tecnologia.
Dentro do aeroporto de Munique, o “check-in” da Lufthansa (aliás, de todas as companhias do grupo Star Alliance, entre as quais a TAP Portugal) já é completamente automático. Os passos são simples:
- identificação pessoal com um cartão magnético qualquer;
- informar o computador se se pretende despachar bagagem;
- pôr esta em cima de uma balança;
- retirar a etiqueta e colá-la em volta da mesma;
- escolher o lugar no avião dentre aqueles que ainda se encontram vagos;
- introduzir o cartão das milhas, caso o tenha;
- a mala desaparece no tapete rolante e sai o talão de embarque.

Na sala de embarque, existe um torniquete, que só deixa as pessoas passarem para o avião, desde que se introduza o cartão de embarque.

Tudo isto se passa sem necessidade de pessoal. Tudo está automatizado. As máquinas até têm tradução em português.

Assim se poupa mão-de-obra.

NOTA IMPORTANTE:
Na entrada para a zona do free-shop, continua a existir a vigilância apertada de objectos metálicos, bem como fiscalização de documentação.

Se se rentabilizassem os procedimentos em Portugal como é feito na Alemanha, qual seria a nossa taxa de desemprego? 40%, 50%? Isto dá que pensar! A nossa sorte é que os nossos salários não são equiparavéis aos deles!

domingo, setembro 25, 2005

Passeio a Andorra (I)

Há uns anos atrás, fomos (eu e a minha cara metade) de carro a Andorra.
Nós nunca tínhamos visto neve ao vivo. Assim, a minha esposa ofereceu-me de prenda de anos uma estadia em Andorra.
Fizémos uma primeira etapa até Madrid onde pernoitámos, e uma segunda até Andorra.
Na altura tínhamos um Honda Civic 1.5 iLS.
Numa das primeiras saídas em passeio, decidimos ir visitar Pas de la Casa, do outro lado dos Pirinéus.
Iamos a subir a montanha, quando de repente desata a nevar fortemente. O carro sem correntes e com pneus de verão, subia a estrada a 40-50Km/h. Sempre que tentava acelerar mais, ouvia-se um vibrar terrível do chassis, que não era mais do que a consequência da derrapagem das rodas dianteiras. Se queria continuar a subir, a velocidade é aquela e mais nehuma. De repente, passa por nós um Fiat Panda 4X4, como se eu estivésse parado. Que grande bigode! Eu nada podia fazer! Foi aí que decidi, que carros a comprar no futuro só com 4 rodas motrizes.
Chegámos ao alto da montanha, parámos numa bomba de gasolina. Continuva a nevar e fazia frio pra burro! Dirigi-me ao funcionário da bomba para saber se Pas de la CASA era longe. O homem era português. Há sempre um português em toda a parte do mundo! Disse-me que não, mas com o carro que tina se descesse, de certeza que já não conseguiria subir no regresso.
Seguímos o conselho dele e voltámos para trás.
Dias mais tarde, quando finalmente fomos a Pas de la Casa, face à inclinação da estrada, compreendemos que ele tinha razão.
24-09-2005: Passeio a Andorra (II): Espalhanço da minha esposa
Um dos enumeros passeios que demos, foi a um lago gelado, situado perto de Soldeu.
Tinha avisado a minha esposa que nas zonas geladas:
Brancas (sinónimo de neve) se pode caminhar a pé, mas com as devidas cautelas;
Incolores (sinónimo de gelo) não pisar de maneira nenhuma, visto o piso ser muito escorregadio.
Disse-lhe isto várias vezes: olha para o chão quando caminhares!
Perto desse lago gelado, de que já não me lembro o nome (ou se escrevem os relatos imediatamente após os factos, ou as imagens começam a desvanecer-se), ela caminhava na minha frente com a máquina de filmar à tira-colo.
De repente, só a vejo já no ar e como manda a lei da gravidade, dá uma violenta queda. A sorte é que bateu com o rabo no chão. A máquina por sorte, também não sofreu danos.
Foi um episódio divertido. A partir daí, nunca mais se esqueceu da recomendação. Passou a caminhar como uma mulher experiente.
A forma mais marcante do conhecimento, ocorre com os nossos erros!

Porto Santo -> Aluguer de Mota

Há talvez uma ½ dúzia de anos, resolvemos ir fazer férias no INATEL de Porto Santo.
Passámos outra vez uns dias na Madeira (é da praxe) e depois apanhámos, o barco na ida e o avião na volta do Porto Santo.
Em termos paisagísticos, a diferença é colossal. Basta perceber que tendo sido a ilha de Porto Santo descoberta primeiro que a ilha da Madeira, foi nesta última que a civilização se desenvolveu, pelo facto de não haver água doce na primeira.
As instalações da INATEL são óptimas, com um ambiente muito familiar, uma alimentação ao abrigo de qualquer reparo, uma piscina excelente, um corte de ténis para quem goste e um portão traseiro que dá directamente para a praia.
Lembro-me de estar na piscina e ouvir uma conversa telefónica de um português dizendo: aqui não se faz rigorosamente nada, mas estou a gostar imenso!
Para conhecermos a ilha, tentámos alugar um carro. Estávamos penso que no final de Agosto. As viaturas na ilha são escassas, e como não tínhamos feito reserva prévia, nada feito!
Como havia lojas que alugavam motorizadas (aceleras), porque não alugar uma? Foi o que fizémos. Alugámos uma Honda Vision de 80cc. Capacete na cabeça os dois, lá fomos conhecer a ilha. Demos passeios bem agradáveis. Apercebemo-nos de pormenores, que nos escapam se formos de automóvel.
Numa célebre saída, estávamos perto da Vila Baleira (localidade principal da ilha) e desata a chover. Acelerei a mota para chegarmos o mais depressa possível ao hotel. Quando parámos a mota, estavamos completamente encharcados......mas divertidos com o sucedido. Peripécias de férias, que nos lavam a alma!
Antes de alugarmos a mota íamos à Vila Baleira, ou de boleia na carrinha do Inatel ou de autocarro. No 1º dia de férias fomos a pé. Ainda é um grande esticão! Para regressar, já cansados, preferimos vir de autocarro. Fui à procura da paragem, mas não encontrei nenhuma. Então, decidi perguntar a um polícia, onde era a paragem do autocarro, ao que este não me soube dizer. Informou-me que em qualquer sítio do percurso, bastava fazer sinal que o autocarro parava. Para sair, basta informar o motorista onde se pretende sair. Simples! Tão diferente do continente.
O regresso foi feito via ilha da Madeira, num pequeno avião Dornier Do228, para o qual já produzi umas quantas peças. Como a viagem é curta, o avião vem sempre baixo junto ao mar, permitindo umas imagens colossais da ilha da Madeira.
É um sítio muito agradável para passar uns dias tranquilamente, sobretudo se se tiver crianças. Este ano tentámos ir outra vez, mas não conseguimos vaga. Paciência! Fica para o ano que vem.

Madeira (II): Alto da Serra

Na lua de mel que passámos na Madeira, outra zona bonita de se ver é o Alto da Serra. É uma zona planáltica, que quando o tempo está nublado, as nuvens deslocam-se a uma altitude inferior à nossa, trepando depois devagarinho encosta acima, como quem sobe uma colina com a ajuda de uma corda.
É muito bonito de se ver. Levámos um piquenique do hotel e decidimos almoçar nessa zona. Enquanto comíamos, divertíamo-nos a ver o bailar das nuvens mesmo debaixo dos nosso olhos.
Merece ser visto!
Íamos de carro a caminho dessa zona quando ao virar de uma curva, deparamo-nos com uma manada de vacas e toiros no meio da estrada. Belos e corpulentos animais, com enormes par de cornos cada um.
Travei quase a fundo e meti a marcha-atrás.
Lembro-me que por uns momentos os meus olhos e os do grande macho que se encontrava mesmo de frente para mim, se cruzaram.
Na altura pensei: se investires, vou fazer a marcha-atrás mais rápida da minha vida.
O bicho após uma breve análise, decidiu que não valia apena investir, pelo que recomeçou a caminhar, atravessando a estrada lentamente com um ar altivo, como se ele fosse dono e senhor daquele sítio.
Agora repassando as imagens na minha cabeça, acho a cena divertida, mas naquela altura, não foi bem assim.

Madeira (I): Túnel Pico do Areeiro -> Pico dos Ruivos

Quando nos casámos, passámos a lua de mel na Madeira. Ficámos no Hotel Sharaton, quarto 1027 se bem me lembro, hoje Hotel Carlton. Aliás, hotel onde sempre ficamos, quando vamos à Madeira.
Não tínhamos na altura vontade de fazer um casamento caro, nem de convidar muita gente porque o nosso comprometimento mútuo (e para com Deus) já se tinha dado na Costa da Caparica, quando nos começámos a namorar. O casamento era mais uma atitude protocular para com terceiros, do que outra coisa qualquer. Tanto assim é, que celebramos mais vivamente o dia em que começámos a namorar do que o dia do nosso casamento.
O que queríamos isso sim, era ter uma lua de mel em cheio. Primeiro porque gostávamos muito de estar um com o outro e viajar, por outro, porque o meu sogro só nos complicou avida durante o namoro, pelo que era a nossa 1ª oportunidade de gozar a liberdade “arrancada a ferros”. Bom, mas isso não vem agora ao caso.....
Alugámos um Volkwagen Polo branco e percorremos a ilha toda.
Descrever a Madeira, é coisa impossível de se fazer por palavras. Só visitando...e nós já lá fomos por 4 vezes!
È uma ilha multicolor, multifacetada, onde dificilmente alguém se consegue entediar, por mais tempo que lá passe.
Um dos sítios que mais me impressionou foi o Pico do Areeiro. Eu sempre gostei de alta montanha. O silêncio e a tranquilidade, fazem-me estar mais perto de mim e de Deus.
No Pico do Areeiro, existe um caminho pedestre, que nos leva a um pico ainda um pouco mais alto: o Pico dos Ruivos.
Um dos dotes que a minha mulher não tem, é vontade de fazer exercício físico: quanto menos melhor. Eu tinha decidido, percorrer esse caminho e ir até ao Pico dos Ruivos. Eu adoro caminhar e se puder ser em contacto com a natureza em bruto, melhor A minha mulher tentou acompanhar-me, mas após algumas centenas de metros desistiu.
Disse-me para continuar, que ela esperava por mim. Como a minha vontade era muita, fiz-me ao caminho. Algumas centenas de metros mais à frente, existe um túnel com cerca de 2mt de altura e um comprimento de algumas centenas de metros. Digo centenas de metros, porque do lado de cá, mal se vê a luz ao fundo do túnel. Este não é (era) iluminado. Comecei a caminhar, sem saber o que estava a pisar, nem sequer o que estava por cima da minha cabeça. A psique é uma coisa esquisita, e eu tive medo de continuar. Decidi voltar para trás.
Anos mais tarde, voltámos lá e eu mais uma vez tentei atravessar o túnel,...., mas sem sucesso.
Eu detesto-me, quando não consigo ultrapassar os meus medos. Mas, neste caso ainda não consegui.
Ainda hei-de lá voltar outra vez!
Desistir não faz parte do meu vocabulário!

1ª vez que atravessei a fronteira

A 1ª vez que atravessei a fronteira foi à cerca de 20 anos, tinha eu vinte e poucos anos.
Nesse tempo tinha um Citroen Dyane que a minha mãe me ofereceu após a morte do meu avô. Juntamente com a minha namorada (agora minha mulher), fomos dar um passeio ao Alentejo (Borba e Terrugem), lugares que eu desconhecia e visitar uns tios dela.
Como a fronteira do Caya estava ali perto decidimos ir visitar Badajoz.
Eu não percebia nada de fronteiras, nem dos procedimentos que se existiam.
Ia a guiar nos meus 80 a 90 Km/h, quando a minha esposa de repente grita: então tu passas a fronteira sem parar?????
De imediato meti pé aos travões. Foi a maior travagem que fiz em toda a minha vida.
Não tinha visto nenhuma cancela, nenhuma brigada policial, nem sabia que a fronteira era afinal a continuação de uma estrada igual a tantas outras. Ia perfeitamente descontraído, quando ela faz de repente uma pergunta daquelas.
Foi uma partida que me fez, devido à minha ignorância.
A única consequência, foi deixar à saída de Portugal, umas largas gramas de borracha no chão e se calhar uma dúzia de assistentes a pensar: este gajo é maluco!!!!!
Lembro-me de passear nas ruas de Badajoz com as bochechas muito encarnadas pela experiência única por que estava a passar: passear num país estrangeiro.
Recordo este episódio com muito carinho e por acaso é uma terra que já tenho saudades de re-visitar.
Aprendi ao longo da vida, que podemos tirar uma satisfação imensa, de pequeninas coisas e que estas nos ficam na alma durante muitos anos.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Civismo

Na passada semana, fui fazer um curso de formação em Lisboa. Durou toda a semana.
Como bom ecologista que penso que sou, decidi utilizar os transportes públicos, para além do facto de não ter pachorra para conduzir em Lisboa. Neste caso:
- Comboio de Alverca para Entrecampos;
- Metropolitano de Entrecampos para a Rotunda;
- e vive-versa.
O curso iniciava-se à 9:00 e terminava às 13:00.
Desde há muito tempo, o único transporte público que utilizava periodicamente era o avião. Fiquei espantado com a diferença que encontrei:
1. Os comboios da CP andam “milimetricamente” a horas: cheguei à empresa 3 dias às 14:12 e 2 dias às 14:11. Apenas 1 minuto de diferença entre a hora máx. e min. de entrada. Em termos estatísticos é um luxo!
2. No metropolitano, nomeadamente às horas de ponta em que estes andam mais cheios, as pessoas já se começam a comportar de forma civilizada: 1º deixam sair as pessoas libertando a zona de acesso das portas e só depois é que entram;
3. Na rua as pessoas já se começam a desviar umas das outras. Não se anda nas ruas aos encontrões, como se quiséssemos andar todos à chapada com todos; como se culpássemos o próximo, pelas dificuldades económicas que sentimos.

Fiquei deveras surpreendido! Já começamos a ter comportamentos parecidos com povos mais civilizados e transportes que cumprem horários!

Continuamos a atravessar as passadeiras com o sinal vermelho para os peões, mas se conseguirmos continuar neste ritmo de civismo, estou convencido que também vamos conseguir lá chegar.

Será que tive sorte, ou de facto a mentalidade dos portugueses está a mudar?
Tal como os judeus durante o Êxodo, já andamos há muitos anos no deserto (31 anos). Pode ser que estejamos no início do caminho da Terra Prometida!
Eles andaram 40 anos......

sexta-feira, setembro 16, 2005

O que é a Riqueza?

“O que é a riqueza?” indaga um banqueiro do golfo Pérsico:
Riqueza significa educação (...) competência (...) tecnologia. Riqueza é conhecimento. Temos dinheiro, sim. Mas não somos ricos. Somos como o filho que herdou dinheiro do pai que ele nunca conheceu. Não foi criado e preparado para gastá-lo. Tem-no em suas mãos; não sabe como usá-lo. Se não sabe como gastar o dinheiro, não é rico. Nós não somos ricos.
Sem esse conhecimento, esse entendimento, não somos nada. Importamos tudo. O tijolo para fazer casas, nós importamo-lo. Quando vai ao mercado, o que encontra que seja feito por árabes? Nada. É chinês, francês, americano (...) não é árabe. É um país rico aquele que não pode fazer um tijolo, ou um automóvel, ou um livro? Não, não é rico, penso eu.
A RIQUEZA E A POBREZA DAS NAÇÕES (David S. Landes ; pág. 459)

Não estando Portugal felizmente no estádio de pré-desenvolvimento dos países árabes, mas face à inexorável caminhada da globalização e suas consequências (deslocalização de empresas e centros de decisão), é fácil perceber o panorama que nos poderá esperar o futuro.

Não nos podemos esquecer que:
1. Temos uma das maiores taxas de abandono escolar do conjunto dos países da OCDE;
2. Não temos uma única escola de gestão no ranking das 100 mais conceituadas do mundo. A Espanha têm duas escolas de gestão no ranking das 10 primeiras.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Somos ricos porque exploramos os pobres

Eu trabalhei na empresa durante largos anos no avião AIRBUS A340, para um cliente francês de Toulouse.
Como sempre, os clientes pretendem comprar produtos ao mais baixo preço, e nós vendermos ao mais alto possível. O relacionamento do mundo dos negócios é sempre assim.
Acontece no entanto que, como empresa portuguesa que somos face a uma empresa francesa, a nossa capacidade negocial é normalmente inferior. Nomeadamente quando terceiros (eles), detêm a capacidade de projecto e nós apenas a capacidade de industrialização e manufactura, a nossa posição negocial nunca é muito confortável.
Quem está melhor posicionado na cadeia de valor, tem maior peso negocial. Quanto mais não seja, pode sempre decidir produzir noutra unidade de transformação ou noutro país. A presente globalização da economia, tem-nos dado imensos casos típicos, e daí o apelo dos políticos aos empresários para tentarem subir na cadeia de valor dos produtos que comercializam.
Um dos representantes dessa companhia francesa, filho de mãe francesa e pai argelino, era (é, só que já reformado) o retrato típico de um excelente comercial. Homem culto, instruído, viajado, conhecedor da área comercial bem como da área técnica (faceta muito pouco comum entre os comerciais).
Realizámos conjuntamente várias reuniões para definição de preços de manufactura, reparações, modificações,......
Um dia, após mais uma reunião em Portugal, fomos dar uma volta pela produção.
A certa altura, ele de repente pára, fita-me nos olhos e pergunta-me:
- Sabes porque é que nós franceses somos um povo e um país rico?
Eu, após pensar um pouco, respondi-lhe:
- Não faço idéia!
Resposta:
- É simples! Porque exploramos os pobres!
A resposta foi para mim desconcertante. Neste caso o pobre era eu (nós). Esta situação passou-se à mais de 10 anos, mas nunca mais me esqueci dela.
A experiência tem-me vindo a demonstrar que infelizmente esta resposta nua e crua está certa.
Podemos discordar dela. Podemos achar edionda, mas é assim que o mundo está funcionando. Nas Nações Unidas toda a gente apela a uma Nova Ordem Mundial, mas o poder político nada pode, contra o poder económico.
Se não fizermos por nós o que for possível para ultrapassar esta situação, não serão terceiros que nos iram ajudar. E se por ventura nos ajudam, normalmente é porque querem algo em troca.
Não vale apena chorar, gritar, barafustar! O Mundo é assim, e na nossa pequenez geográfica, demográfica, económica, industrial, nada podemos fazer para ultrapassar tal facto. Temos é que ter a sagacidade e persistência, para todos os dias, de uma forma se possível invisível, dar-mos um pequeno passo no sentido de contrariar tal desígnio.
Veja-se o caso chinês e indiano. O boom das suas economias não se deu por acaso. Foi construído ao longo de muitos e por vezes penosos anos. Agora, tal como uma planta que foi semeada, e cuidada, desabrocha na mais linda flôr, como se esta tivesse nascido do nada. Mas atenção.....a verdade não é esta!

quarta-feira, setembro 14, 2005

O que não está escrito não existe

Em tempos colaborei na produção de componentes para o avião Macdonnell Douglas MD-11 com uma empresa americana.
Como é habitual em todos os projectos, houve troca de documentação escrita, conversas telefónicas, enfim tudo o que é normal passar-se entre empresas ou seres humanos, para que haja uma conjugação de esforços para um fim comum.
Numa célebre reunião em Portugal, em que os ânimos já estavam quentes por diversos motivos, tenho pessoalmente um desentendimento com um americano, sobre um determinado assunto (de que já não me recordo). A linha de produção deste avião aliás, até já se encontra desactivada neste momento, tendo inclusivé a companhia sido absorvida pela Boeing.
Eu fixo-o nos olhos e pergunto-lhe:
- Então na última conversa telefónica, não tínhamos chegado a um acordo sobre este assunto?
Ele, com um ligeiro sorriso nos lábios, e em voz alta para toda a assistência ouvir, responde-me:
- Está escrito? O que não está escrito não existe!
Existem coisas que se aprendem nos livros. Por isso, todos os dias faço um esforço para ler um pouco e ser amanhã, um pouco menos ignorante que hoje. Existem outras, que só a experiência nos ensina. Aliás, aprende-se mais com as más experiências do que com as boas. O espírito humano eleva-se mais nas derrotas, do que nas vitórias.
A partir dessa data, todos os assuntos relevantes têm que me ser postos por escrito.
Já lá vai o tempo em que um aperto de mão era suficiente e as pessoas moviam céus e terras para o honrarem. Hoje, os tempos são diferentes, um pouco mais difíceis. As pessoas têm que se resguardar, pelo que a metodologia tem que ser diferente.

terça-feira, setembro 13, 2005

Fases de um Projecto

Tive a felicidade de ao longos destes últimos 18 anos poder exercer Engenharia Mecânica, mais virada para a aeronáutica, actividade de que tanto gosto. Infelizmente 95% dos meus colegas de curso, hoje, são tecnico-comerciais, como graciosamente hoje se diz; i.e., vendedores ou compradores do que seja. Isto é o resultados do país que temos. Mas não é esse o tema da reflexão de hoje.
Durante estes anos tive a possibilidade de contactar técnicos e visitar gabinetes de estudos e fábricas de vários países industrializados do Mundo: Espanha, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos, Bélgica,....
Num gabinete de projecto de uma empresa espanhola, estava afixado um placar com as várias etapas de um projecto. Deve-se entender aqui Projecto de uma forma lata, mas já com algum nível de complexidade. Remexendo um pouco o meu cérebro, passando-o pelos projectos onde já trabalhei, cada vez mais me convenço, que as fases que a seguir descrevo estão certas.
Deixo o escrito em castelhano, porque não quero de forma alguma adulterar o conteúdo:

FASES DE UN PROYECTO

Optimismo general
Fase de desorientación
Desconcierto generalizado
Periodo de cachondeo incontrolado
Busqueda implacable de culpables
Salvese quien pueda!
Castigo ejemplar a los inocentes
Recuperación del optimismo perdido
Terminación inexplicable del proyecto
Condecoración y prémios a los no participantes