domingo, setembro 25, 2005

Passeio a Andorra (I)

Há uns anos atrás, fomos (eu e a minha cara metade) de carro a Andorra.
Nós nunca tínhamos visto neve ao vivo. Assim, a minha esposa ofereceu-me de prenda de anos uma estadia em Andorra.
Fizémos uma primeira etapa até Madrid onde pernoitámos, e uma segunda até Andorra.
Na altura tínhamos um Honda Civic 1.5 iLS.
Numa das primeiras saídas em passeio, decidimos ir visitar Pas de la Casa, do outro lado dos Pirinéus.
Iamos a subir a montanha, quando de repente desata a nevar fortemente. O carro sem correntes e com pneus de verão, subia a estrada a 40-50Km/h. Sempre que tentava acelerar mais, ouvia-se um vibrar terrível do chassis, que não era mais do que a consequência da derrapagem das rodas dianteiras. Se queria continuar a subir, a velocidade é aquela e mais nehuma. De repente, passa por nós um Fiat Panda 4X4, como se eu estivésse parado. Que grande bigode! Eu nada podia fazer! Foi aí que decidi, que carros a comprar no futuro só com 4 rodas motrizes.
Chegámos ao alto da montanha, parámos numa bomba de gasolina. Continuva a nevar e fazia frio pra burro! Dirigi-me ao funcionário da bomba para saber se Pas de la CASA era longe. O homem era português. Há sempre um português em toda a parte do mundo! Disse-me que não, mas com o carro que tina se descesse, de certeza que já não conseguiria subir no regresso.
Seguímos o conselho dele e voltámos para trás.
Dias mais tarde, quando finalmente fomos a Pas de la Casa, face à inclinação da estrada, compreendemos que ele tinha razão.
24-09-2005: Passeio a Andorra (II): Espalhanço da minha esposa
Um dos enumeros passeios que demos, foi a um lago gelado, situado perto de Soldeu.
Tinha avisado a minha esposa que nas zonas geladas:
Brancas (sinónimo de neve) se pode caminhar a pé, mas com as devidas cautelas;
Incolores (sinónimo de gelo) não pisar de maneira nenhuma, visto o piso ser muito escorregadio.
Disse-lhe isto várias vezes: olha para o chão quando caminhares!
Perto desse lago gelado, de que já não me lembro o nome (ou se escrevem os relatos imediatamente após os factos, ou as imagens começam a desvanecer-se), ela caminhava na minha frente com a máquina de filmar à tira-colo.
De repente, só a vejo já no ar e como manda a lei da gravidade, dá uma violenta queda. A sorte é que bateu com o rabo no chão. A máquina por sorte, também não sofreu danos.
Foi um episódio divertido. A partir daí, nunca mais se esqueceu da recomendação. Passou a caminhar como uma mulher experiente.
A forma mais marcante do conhecimento, ocorre com os nossos erros!

Porto Santo -> Aluguer de Mota

Há talvez uma ½ dúzia de anos, resolvemos ir fazer férias no INATEL de Porto Santo.
Passámos outra vez uns dias na Madeira (é da praxe) e depois apanhámos, o barco na ida e o avião na volta do Porto Santo.
Em termos paisagísticos, a diferença é colossal. Basta perceber que tendo sido a ilha de Porto Santo descoberta primeiro que a ilha da Madeira, foi nesta última que a civilização se desenvolveu, pelo facto de não haver água doce na primeira.
As instalações da INATEL são óptimas, com um ambiente muito familiar, uma alimentação ao abrigo de qualquer reparo, uma piscina excelente, um corte de ténis para quem goste e um portão traseiro que dá directamente para a praia.
Lembro-me de estar na piscina e ouvir uma conversa telefónica de um português dizendo: aqui não se faz rigorosamente nada, mas estou a gostar imenso!
Para conhecermos a ilha, tentámos alugar um carro. Estávamos penso que no final de Agosto. As viaturas na ilha são escassas, e como não tínhamos feito reserva prévia, nada feito!
Como havia lojas que alugavam motorizadas (aceleras), porque não alugar uma? Foi o que fizémos. Alugámos uma Honda Vision de 80cc. Capacete na cabeça os dois, lá fomos conhecer a ilha. Demos passeios bem agradáveis. Apercebemo-nos de pormenores, que nos escapam se formos de automóvel.
Numa célebre saída, estávamos perto da Vila Baleira (localidade principal da ilha) e desata a chover. Acelerei a mota para chegarmos o mais depressa possível ao hotel. Quando parámos a mota, estavamos completamente encharcados......mas divertidos com o sucedido. Peripécias de férias, que nos lavam a alma!
Antes de alugarmos a mota íamos à Vila Baleira, ou de boleia na carrinha do Inatel ou de autocarro. No 1º dia de férias fomos a pé. Ainda é um grande esticão! Para regressar, já cansados, preferimos vir de autocarro. Fui à procura da paragem, mas não encontrei nenhuma. Então, decidi perguntar a um polícia, onde era a paragem do autocarro, ao que este não me soube dizer. Informou-me que em qualquer sítio do percurso, bastava fazer sinal que o autocarro parava. Para sair, basta informar o motorista onde se pretende sair. Simples! Tão diferente do continente.
O regresso foi feito via ilha da Madeira, num pequeno avião Dornier Do228, para o qual já produzi umas quantas peças. Como a viagem é curta, o avião vem sempre baixo junto ao mar, permitindo umas imagens colossais da ilha da Madeira.
É um sítio muito agradável para passar uns dias tranquilamente, sobretudo se se tiver crianças. Este ano tentámos ir outra vez, mas não conseguimos vaga. Paciência! Fica para o ano que vem.

Madeira (II): Alto da Serra

Na lua de mel que passámos na Madeira, outra zona bonita de se ver é o Alto da Serra. É uma zona planáltica, que quando o tempo está nublado, as nuvens deslocam-se a uma altitude inferior à nossa, trepando depois devagarinho encosta acima, como quem sobe uma colina com a ajuda de uma corda.
É muito bonito de se ver. Levámos um piquenique do hotel e decidimos almoçar nessa zona. Enquanto comíamos, divertíamo-nos a ver o bailar das nuvens mesmo debaixo dos nosso olhos.
Merece ser visto!
Íamos de carro a caminho dessa zona quando ao virar de uma curva, deparamo-nos com uma manada de vacas e toiros no meio da estrada. Belos e corpulentos animais, com enormes par de cornos cada um.
Travei quase a fundo e meti a marcha-atrás.
Lembro-me que por uns momentos os meus olhos e os do grande macho que se encontrava mesmo de frente para mim, se cruzaram.
Na altura pensei: se investires, vou fazer a marcha-atrás mais rápida da minha vida.
O bicho após uma breve análise, decidiu que não valia apena investir, pelo que recomeçou a caminhar, atravessando a estrada lentamente com um ar altivo, como se ele fosse dono e senhor daquele sítio.
Agora repassando as imagens na minha cabeça, acho a cena divertida, mas naquela altura, não foi bem assim.

Madeira (I): Túnel Pico do Areeiro -> Pico dos Ruivos

Quando nos casámos, passámos a lua de mel na Madeira. Ficámos no Hotel Sharaton, quarto 1027 se bem me lembro, hoje Hotel Carlton. Aliás, hotel onde sempre ficamos, quando vamos à Madeira.
Não tínhamos na altura vontade de fazer um casamento caro, nem de convidar muita gente porque o nosso comprometimento mútuo (e para com Deus) já se tinha dado na Costa da Caparica, quando nos começámos a namorar. O casamento era mais uma atitude protocular para com terceiros, do que outra coisa qualquer. Tanto assim é, que celebramos mais vivamente o dia em que começámos a namorar do que o dia do nosso casamento.
O que queríamos isso sim, era ter uma lua de mel em cheio. Primeiro porque gostávamos muito de estar um com o outro e viajar, por outro, porque o meu sogro só nos complicou avida durante o namoro, pelo que era a nossa 1ª oportunidade de gozar a liberdade “arrancada a ferros”. Bom, mas isso não vem agora ao caso.....
Alugámos um Volkwagen Polo branco e percorremos a ilha toda.
Descrever a Madeira, é coisa impossível de se fazer por palavras. Só visitando...e nós já lá fomos por 4 vezes!
È uma ilha multicolor, multifacetada, onde dificilmente alguém se consegue entediar, por mais tempo que lá passe.
Um dos sítios que mais me impressionou foi o Pico do Areeiro. Eu sempre gostei de alta montanha. O silêncio e a tranquilidade, fazem-me estar mais perto de mim e de Deus.
No Pico do Areeiro, existe um caminho pedestre, que nos leva a um pico ainda um pouco mais alto: o Pico dos Ruivos.
Um dos dotes que a minha mulher não tem, é vontade de fazer exercício físico: quanto menos melhor. Eu tinha decidido, percorrer esse caminho e ir até ao Pico dos Ruivos. Eu adoro caminhar e se puder ser em contacto com a natureza em bruto, melhor A minha mulher tentou acompanhar-me, mas após algumas centenas de metros desistiu.
Disse-me para continuar, que ela esperava por mim. Como a minha vontade era muita, fiz-me ao caminho. Algumas centenas de metros mais à frente, existe um túnel com cerca de 2mt de altura e um comprimento de algumas centenas de metros. Digo centenas de metros, porque do lado de cá, mal se vê a luz ao fundo do túnel. Este não é (era) iluminado. Comecei a caminhar, sem saber o que estava a pisar, nem sequer o que estava por cima da minha cabeça. A psique é uma coisa esquisita, e eu tive medo de continuar. Decidi voltar para trás.
Anos mais tarde, voltámos lá e eu mais uma vez tentei atravessar o túnel,...., mas sem sucesso.
Eu detesto-me, quando não consigo ultrapassar os meus medos. Mas, neste caso ainda não consegui.
Ainda hei-de lá voltar outra vez!
Desistir não faz parte do meu vocabulário!

1ª vez que atravessei a fronteira

A 1ª vez que atravessei a fronteira foi à cerca de 20 anos, tinha eu vinte e poucos anos.
Nesse tempo tinha um Citroen Dyane que a minha mãe me ofereceu após a morte do meu avô. Juntamente com a minha namorada (agora minha mulher), fomos dar um passeio ao Alentejo (Borba e Terrugem), lugares que eu desconhecia e visitar uns tios dela.
Como a fronteira do Caya estava ali perto decidimos ir visitar Badajoz.
Eu não percebia nada de fronteiras, nem dos procedimentos que se existiam.
Ia a guiar nos meus 80 a 90 Km/h, quando a minha esposa de repente grita: então tu passas a fronteira sem parar?????
De imediato meti pé aos travões. Foi a maior travagem que fiz em toda a minha vida.
Não tinha visto nenhuma cancela, nenhuma brigada policial, nem sabia que a fronteira era afinal a continuação de uma estrada igual a tantas outras. Ia perfeitamente descontraído, quando ela faz de repente uma pergunta daquelas.
Foi uma partida que me fez, devido à minha ignorância.
A única consequência, foi deixar à saída de Portugal, umas largas gramas de borracha no chão e se calhar uma dúzia de assistentes a pensar: este gajo é maluco!!!!!
Lembro-me de passear nas ruas de Badajoz com as bochechas muito encarnadas pela experiência única por que estava a passar: passear num país estrangeiro.
Recordo este episódio com muito carinho e por acaso é uma terra que já tenho saudades de re-visitar.
Aprendi ao longo da vida, que podemos tirar uma satisfação imensa, de pequeninas coisas e que estas nos ficam na alma durante muitos anos.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Civismo

Na passada semana, fui fazer um curso de formação em Lisboa. Durou toda a semana.
Como bom ecologista que penso que sou, decidi utilizar os transportes públicos, para além do facto de não ter pachorra para conduzir em Lisboa. Neste caso:
- Comboio de Alverca para Entrecampos;
- Metropolitano de Entrecampos para a Rotunda;
- e vive-versa.
O curso iniciava-se à 9:00 e terminava às 13:00.
Desde há muito tempo, o único transporte público que utilizava periodicamente era o avião. Fiquei espantado com a diferença que encontrei:
1. Os comboios da CP andam “milimetricamente” a horas: cheguei à empresa 3 dias às 14:12 e 2 dias às 14:11. Apenas 1 minuto de diferença entre a hora máx. e min. de entrada. Em termos estatísticos é um luxo!
2. No metropolitano, nomeadamente às horas de ponta em que estes andam mais cheios, as pessoas já se começam a comportar de forma civilizada: 1º deixam sair as pessoas libertando a zona de acesso das portas e só depois é que entram;
3. Na rua as pessoas já se começam a desviar umas das outras. Não se anda nas ruas aos encontrões, como se quiséssemos andar todos à chapada com todos; como se culpássemos o próximo, pelas dificuldades económicas que sentimos.

Fiquei deveras surpreendido! Já começamos a ter comportamentos parecidos com povos mais civilizados e transportes que cumprem horários!

Continuamos a atravessar as passadeiras com o sinal vermelho para os peões, mas se conseguirmos continuar neste ritmo de civismo, estou convencido que também vamos conseguir lá chegar.

Será que tive sorte, ou de facto a mentalidade dos portugueses está a mudar?
Tal como os judeus durante o Êxodo, já andamos há muitos anos no deserto (31 anos). Pode ser que estejamos no início do caminho da Terra Prometida!
Eles andaram 40 anos......

sexta-feira, setembro 16, 2005

O que é a Riqueza?

“O que é a riqueza?” indaga um banqueiro do golfo Pérsico:
Riqueza significa educação (...) competência (...) tecnologia. Riqueza é conhecimento. Temos dinheiro, sim. Mas não somos ricos. Somos como o filho que herdou dinheiro do pai que ele nunca conheceu. Não foi criado e preparado para gastá-lo. Tem-no em suas mãos; não sabe como usá-lo. Se não sabe como gastar o dinheiro, não é rico. Nós não somos ricos.
Sem esse conhecimento, esse entendimento, não somos nada. Importamos tudo. O tijolo para fazer casas, nós importamo-lo. Quando vai ao mercado, o que encontra que seja feito por árabes? Nada. É chinês, francês, americano (...) não é árabe. É um país rico aquele que não pode fazer um tijolo, ou um automóvel, ou um livro? Não, não é rico, penso eu.
A RIQUEZA E A POBREZA DAS NAÇÕES (David S. Landes ; pág. 459)

Não estando Portugal felizmente no estádio de pré-desenvolvimento dos países árabes, mas face à inexorável caminhada da globalização e suas consequências (deslocalização de empresas e centros de decisão), é fácil perceber o panorama que nos poderá esperar o futuro.

Não nos podemos esquecer que:
1. Temos uma das maiores taxas de abandono escolar do conjunto dos países da OCDE;
2. Não temos uma única escola de gestão no ranking das 100 mais conceituadas do mundo. A Espanha têm duas escolas de gestão no ranking das 10 primeiras.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Somos ricos porque exploramos os pobres

Eu trabalhei na empresa durante largos anos no avião AIRBUS A340, para um cliente francês de Toulouse.
Como sempre, os clientes pretendem comprar produtos ao mais baixo preço, e nós vendermos ao mais alto possível. O relacionamento do mundo dos negócios é sempre assim.
Acontece no entanto que, como empresa portuguesa que somos face a uma empresa francesa, a nossa capacidade negocial é normalmente inferior. Nomeadamente quando terceiros (eles), detêm a capacidade de projecto e nós apenas a capacidade de industrialização e manufactura, a nossa posição negocial nunca é muito confortável.
Quem está melhor posicionado na cadeia de valor, tem maior peso negocial. Quanto mais não seja, pode sempre decidir produzir noutra unidade de transformação ou noutro país. A presente globalização da economia, tem-nos dado imensos casos típicos, e daí o apelo dos políticos aos empresários para tentarem subir na cadeia de valor dos produtos que comercializam.
Um dos representantes dessa companhia francesa, filho de mãe francesa e pai argelino, era (é, só que já reformado) o retrato típico de um excelente comercial. Homem culto, instruído, viajado, conhecedor da área comercial bem como da área técnica (faceta muito pouco comum entre os comerciais).
Realizámos conjuntamente várias reuniões para definição de preços de manufactura, reparações, modificações,......
Um dia, após mais uma reunião em Portugal, fomos dar uma volta pela produção.
A certa altura, ele de repente pára, fita-me nos olhos e pergunta-me:
- Sabes porque é que nós franceses somos um povo e um país rico?
Eu, após pensar um pouco, respondi-lhe:
- Não faço idéia!
Resposta:
- É simples! Porque exploramos os pobres!
A resposta foi para mim desconcertante. Neste caso o pobre era eu (nós). Esta situação passou-se à mais de 10 anos, mas nunca mais me esqueci dela.
A experiência tem-me vindo a demonstrar que infelizmente esta resposta nua e crua está certa.
Podemos discordar dela. Podemos achar edionda, mas é assim que o mundo está funcionando. Nas Nações Unidas toda a gente apela a uma Nova Ordem Mundial, mas o poder político nada pode, contra o poder económico.
Se não fizermos por nós o que for possível para ultrapassar esta situação, não serão terceiros que nos iram ajudar. E se por ventura nos ajudam, normalmente é porque querem algo em troca.
Não vale apena chorar, gritar, barafustar! O Mundo é assim, e na nossa pequenez geográfica, demográfica, económica, industrial, nada podemos fazer para ultrapassar tal facto. Temos é que ter a sagacidade e persistência, para todos os dias, de uma forma se possível invisível, dar-mos um pequeno passo no sentido de contrariar tal desígnio.
Veja-se o caso chinês e indiano. O boom das suas economias não se deu por acaso. Foi construído ao longo de muitos e por vezes penosos anos. Agora, tal como uma planta que foi semeada, e cuidada, desabrocha na mais linda flôr, como se esta tivesse nascido do nada. Mas atenção.....a verdade não é esta!

quarta-feira, setembro 14, 2005

O que não está escrito não existe

Em tempos colaborei na produção de componentes para o avião Macdonnell Douglas MD-11 com uma empresa americana.
Como é habitual em todos os projectos, houve troca de documentação escrita, conversas telefónicas, enfim tudo o que é normal passar-se entre empresas ou seres humanos, para que haja uma conjugação de esforços para um fim comum.
Numa célebre reunião em Portugal, em que os ânimos já estavam quentes por diversos motivos, tenho pessoalmente um desentendimento com um americano, sobre um determinado assunto (de que já não me recordo). A linha de produção deste avião aliás, até já se encontra desactivada neste momento, tendo inclusivé a companhia sido absorvida pela Boeing.
Eu fixo-o nos olhos e pergunto-lhe:
- Então na última conversa telefónica, não tínhamos chegado a um acordo sobre este assunto?
Ele, com um ligeiro sorriso nos lábios, e em voz alta para toda a assistência ouvir, responde-me:
- Está escrito? O que não está escrito não existe!
Existem coisas que se aprendem nos livros. Por isso, todos os dias faço um esforço para ler um pouco e ser amanhã, um pouco menos ignorante que hoje. Existem outras, que só a experiência nos ensina. Aliás, aprende-se mais com as más experiências do que com as boas. O espírito humano eleva-se mais nas derrotas, do que nas vitórias.
A partir dessa data, todos os assuntos relevantes têm que me ser postos por escrito.
Já lá vai o tempo em que um aperto de mão era suficiente e as pessoas moviam céus e terras para o honrarem. Hoje, os tempos são diferentes, um pouco mais difíceis. As pessoas têm que se resguardar, pelo que a metodologia tem que ser diferente.

terça-feira, setembro 13, 2005

Fases de um Projecto

Tive a felicidade de ao longos destes últimos 18 anos poder exercer Engenharia Mecânica, mais virada para a aeronáutica, actividade de que tanto gosto. Infelizmente 95% dos meus colegas de curso, hoje, são tecnico-comerciais, como graciosamente hoje se diz; i.e., vendedores ou compradores do que seja. Isto é o resultados do país que temos. Mas não é esse o tema da reflexão de hoje.
Durante estes anos tive a possibilidade de contactar técnicos e visitar gabinetes de estudos e fábricas de vários países industrializados do Mundo: Espanha, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Estados Unidos, Bélgica,....
Num gabinete de projecto de uma empresa espanhola, estava afixado um placar com as várias etapas de um projecto. Deve-se entender aqui Projecto de uma forma lata, mas já com algum nível de complexidade. Remexendo um pouco o meu cérebro, passando-o pelos projectos onde já trabalhei, cada vez mais me convenço, que as fases que a seguir descrevo estão certas.
Deixo o escrito em castelhano, porque não quero de forma alguma adulterar o conteúdo:

FASES DE UN PROYECTO

Optimismo general
Fase de desorientación
Desconcierto generalizado
Periodo de cachondeo incontrolado
Busqueda implacable de culpables
Salvese quien pueda!
Castigo ejemplar a los inocentes
Recuperación del optimismo perdido
Terminación inexplicable del proyecto
Condecoración y prémios a los no participantes

domingo, setembro 11, 2005

Parque de Campismo Campimeco

A Campimeco é um parque de campismo junto à Aldeia do Meco, sobranceiro à praia das Bicas. Ao contrário do que é normal, praticamente não existem no parque roulotes ou tendas. O parque divide-se em alvéolos de 50 ou 100m2, onde em cada um deles existem residênciais; i.e., caravanas com 6 ou 8m x 3,5m, com quartos, sala de estar, casa de banho,...., i.e., todas as mordomias que temos em casa. Estas normalmente são personalizadas pelos compradores antes da sua manufactura, pelo que dificilmente existem duas com interiores iguais.
Na área comum, existe um parque infantil (onde a minha filha adora passar o tempo), duas piscinas (uma para os pequeninos, onde a minha fica de molho), dois campos de ténis, um mini-golfe, um campo de futebol de salão, salão de jogos electrónicos, um restaurante, um café, um quiosque de jornais, mini-mercado, etc, etc, etc.
A praia tem um areal sem fim (11 Km), chegando até à Costa da Caparica, apenas interrompida pela saída da Lagoa de Albufeira. A paisagem junto à praia é soberba, não se vislumbrando quaisquer edificações humanas. Mar bravio, onde se fiva sem pé facilmente, areia grossa, temperatura da água para homens de barba rija.
Os meus pais possuem uma residencial num alvéolo de 100m2, desde 1989. A área a descoberto é integralmente revestida por relva, entrecortada por 3 grandes pinheiros.
É este oasis a cerca de 60 Km de Lisboa, que eu utilizo ao fim de semana para recarregar baterias.
Adoro estar debaixo dos pinheiros refastelado numa cadeira articulada, lendo um livro, dormindo ou simplesmente contemplando as rolas e os pardais, que pupulam de árvore em árvore. Todos os fins de semana levo o meu minidisk comigo, e para variar fico sempre a ouvir os pássaros.
Em Agosto é de longe o melhor sítio onde se podem passar férias, com a excepção dos Sábados e Domingos, claro. Como os residentes passam ali os fins de semana durante todo o ano, nas suas férias grandes, preferem debandar para outras paragens, para mudarem de ares. Essa é exactamente a altura para pensar o contrário e ficar por lá.
Entra o Setembro e o Outubro, os dias ficam mais frescos, há menos gente, e até os fins de semana, parecem dádivas dos deuses: silêncio, quietude, espaço para meditação, reencontro connosco próprios, troca de idéias.
Com o fim da época balnear, começa-se a pensar na pesca da praia (“surfcasting”), aos robalos e aos sargos. Infelizmente e devido à pouca idade da minha filha, “tenho faltado aos treinos”, reservando mais o pouco tempo que tenho para a acompanhar nas suas descobertas.
É um santuário excepcional. Este ano, lembrámo-nos (eu e a minha mulher) de comprar uma tenda, para dormirmos no jardim. Tenho 43 anos e nunca tinha dormido numa tenda. Comprámos uma que se abre em 2 segundos, 2 sacos-cama, 1 candeeiro a pilhas e........é maravilhoso! Adormecer com o cheiro dos pinheiros a perfurarem os nossos pulmões e acordar com o despertar dos pássaros.
É mesmo um sítio do outro mundo, para passear, pescar, andar de bicicleta, restabelecer as energias....e aqui tão perto!

quinta-feira, setembro 08, 2005

Viagem Lisboa – Toulouse: Guerra no Iraque

Alguns dias após a entrada dos americanos na 1ª guerra contra o Iraque, fui obrigado a comparecer em Toulouse à entrega oficial do 1º componente aeronáutico que tínhamos produzido para o avião AIRBUS A340.
Nessa altura ninguém queria andar de avião, com medo do terrorismo islâmico. Estávamos, se a memória não me falha em 1990. Eu também não queria voar, mas o meu chefe, na altura militar de carreira, “convidou-me” a acompanhá-lo. Paciência! Eu sou um profissional e o que tem que ser, tem muita força.
Chegámos ao Aeroporto da Portela e fomos recebidos por militares de G-3 ao pescoço. Estávamos à espera de entrar na sala de embarque e um militar mantinha a sua metralhadora na posição horizontal, quase apontando para os passageiros. Imediatamente o meu chefe que tinha patente de Oficial Superior da Força Aérea, abeirou-se dele, segredou-lhe que aquela posição da arma não se coadunava com a instrução militar que lhe tinham ministrado e este roburizado baixou a arma.
Entrámos no avião da TAP para Toulouse e verificámos que no avião íamos apenas nós os 2, mais um casal. 4 pessoas a bordo de um avião Airbus A320!!! Tínhamos bilhete de classe turística, mas visto a peculiar situação, passaram-nos para classe executiva. Uma hospedeira para 4 passageiros era mais que suficiente.
Já sentados no avião, fomos informados pelo comandante, que o corredor aéreo se encontrava fechado, para dar passagem aos bombardeiros americanos B-52, que íam “fazer festinhas” aos iraquianos. Passámos 50 minutos sentados no avião. Desgraçados dos iraquianos! 50 minutos a passarem aviões B-52, cada um carregado com milhares de quilos de explosivos, faço idéia dos estragos que fizeram.
Finalmente levantámos voo e qual não é o nosso espanto que nos serviram ao almoço um prato de marisco: lavagante! Nunca tinha tido (nem nunca mais tive) um almoço a bordo que me soubesse tão bem. Parecia que estava a almoçar no Tavares Rico em Lisboa!
À volta, viemos via Paris. O aeroporto Charles de Gaulle, não tinha literalmente ninguém. Corredores e corredores onde não se via ninguém. Pareciam imagens tiradas de um qualquer filme de acção, em que a natureza se encarrega de dizimar os humanos.
Nunca tinha visto nada igual! Mais uma imagem, que por muitos anos que viva, nunca me esquecerei.
A missão a Toulouse foi um sucesso. Fomos profusamente elogiados, pelo profissionalismo, empenho e espírito de sacrifício que toda a equipa dispendeu e regressámos a Lisboa, sãos e salvos.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Gato Fedorento

No passado Domingo fui com a minha família e mais alguns casais a casa de um cunhado meu. Fomos ver a sua casa nova. Esta ainda não está toda decorada, mas tem para já o essencial para quem é ainda solteiro e vive em casa dos pais.
Enquanto as crianças pequenas se divertiam num quarto vazio e as mulheres conversavam noutro, os homens (todos mais novos que eu) sentaram-se à volta da televisão a ver um DVD de um espectáculo do Gato Fedorento, realizado no cinema Tivoli (acho).
Os presentes riam-se das várias cenas que se iam desenrolando. Não conseguia achar piada, mas fiz um esforço para tentar encontrar algo naquela actuação, que me fizesse rir. Infelizmente só consegui ficar triste e preocupado. A estupidez e a imbecilidade demonstrada em palco, arrepiou-me. Perguntei a mim próprio: será que com 43 anos estás a ficar velho e já não consegues acompanhar a nova geração, ou será que esta é uma geração de falhados?.
Se voltarmos atrás no tempo, às Sagradas Escrituras e ao Êxodo, verificamos que toda a população que abandonou o Egipto, não entrou na Terra Prometida (com duas excepções). Deus obrigou-os a vaguiarem 40 anos no deserto para “purificar a raça”; para que quem fosse edificar a nova nação na Terra Prometida, não apresentasse de forma explícita os defeitos adquiridos por uma repentina revolução de mentalidades derivada da liberdade (ou libertinagem), que a saída do Egipto lhes concedeu.
A história mais recente, menciona-nos uma situação semelhante: a Revolução Francesa. Como é sabido esta estalou em 1789, com convulsões sociais profundas. Seguiu-se um longo período de desnorte, liberdade (ou libertinagem), que foi de alguma forma controlado com a subida ao poder do Imperador Napoleão Bonaparte. Claro que nesta altura para além dos cofres do estado estarem vazios, os ideais que levaram à revolução, passavam por um vazio de idéias. Para encher os cofres do estado e unificar as populações, só lhe restou a solução de partir à conquista de novos territórios, como foi a invasão da Itália. País rico para além de outras coisas, em obras de arte valiosíssimas. Claro que o seu reinado não estava destinado a ter grande futuro e foi posteriormente afastado do poder para a ilha de Elba. Após este período então sim, foi-se consolidando lentamente a autoridade da Nação, o amadurecimento intelectual do povo e oconsequentemente o crescimento económico e industrial francês.
Nós em Portugal em 1974, também começámos por uma revolução.
Por exemplo, na área educativa, fizeram-se as maiores barbaridades em nome da democracia: houve passagens administrativas, lançamento de notas irregulares nas secretarias, a tranformação de exames de aptidão em trabalhos de grupo,..... Enfim, a qualidade do ensino baixou a níveis nunca vistos, e claro, os homens de hoje são aquilo que o molde de barro mouldou nestes 30 anos, não esquecendo evidentemente as falhas de “l’ancien regime”.
O que temos hoje? Técnicos iletrados, gestores fracassados, todo um país falho de princípios e ideais. Felizmente existem grandes e honrosas excepções, mas na sua maioria, a realidade do País é mesmo esta. Por isso, e também por outros motivos, Portugal é um país à deriva, sem rumo, sem objectivos, sem perspectivas de futuro. Às vezes pergunto-me mesmo se não será por isso que o Partido Socialista só conseguiu encontrar como candidato à Presidência da República Portuguesa um literado, culto mas velhinho Mário Soares. Se desgraçadamente para nós fosse eleito, terminaria o seu mandato com 86 anos!!!! Será que não tinham outra solução? Este quando fez 80 anos, sensatamente disse que estava na hora de abandonar a vida política activa, e tinha razão! Depois disse que a seguir ao almoço tinha de dormir pelo menos 1 hora, o que se compreende face à idade! E agora, teve que se chegar à frente porque não havia outra solução? Será verdade? Se calhar e infelizmente, é! Que outro homem do Partido Socialista poderia convencer essa enorme mole de massa cinzenta desmaiada votante que graça no País?
Voltando ao início do meu escrito, aqueles 4 garotos que fazem o Gato Fedorento e que são da tal geração de falhados que infelizmente abunda neste país, ou tentam representar aquilo que é a vivência em Portugal (e são mais espertos e profissionais do que aquilo que eu penso que são), ou julgam que estão a fazer um grande programa, e isso entristece-me. Entristece-me ver uma enorme plateia com uma moldura humana pensante, que eu tenho medo de descrever neuronicamente falando. Se este espectáculo fosse num país evoluído, concerteza que este “bando dos 4” só teriam vendido (oferecido) bilhetes a familiares e amigos dos mesmos.
As empresas portuguesas fecham ou são vendidas aos espanhóis, a nossa internacionalização no contexto da economia global é praticamente inexistente. O nosso tecido empresarial não é competitivo. Aos nossos empresários falta ousadia. Desconhecem conceitos como sejam “Taxa Interna de Rentabilidade” ou “Valor Actual Líquido”. Não sabem distinguir um custo de um investimento. Proliferam empresas de serviços que vendem produtos umas às outras sem criarem Valor Acrescentado (riqueza) visível para o País. Dispender hoje 100, para amanhã ganhar 200; depois de amanhã, quem vier atrás que feche a porta. Os gastos com Investigação e Desenvolvimento, ou são escassos, ou produzem resultados abaixo do normal. Isto são factos demonstravéis através de vários estudos feitos sobre o nosso país.
Como eu gostava de acreditar que estou a começar a ficar velho, bota de elástico e desactualizado e que “Gatos Fedorentos” não passassem disso mesmo: representações fedorentas.

terça-feira, setembro 06, 2005

Viagem de avião de Toulouse para Madrid

Das inúmeras viagens de avião que fiz, uma das mais interessantes foi uma célebre viagem de avião de Toulouse para Madrid.
Em tempos, trabalhei muito directamente com uma empresa de fabricação aeronáutica francesa, sediada em Toulouse. Como tal, durante alguns anos tinha que me deslocar periodicamente às suas instalações.
Apesar de haver ligações directas Lisboa – Toulouse, estas não são diárias e por vezes eram incompatíveis, com as datas das reuniões. Assim, tinha que ir via Paris (aeroporto de Orly ou Charles de Gaulle).
Durante uma reunião ordinária de seguimento do Programa, fomos informados que tinha rebentado uma greve nos Aeroportos de Paris. O motivo já não me lembro. Devido a esse facto, a solução de regresso, passava por vir de avião via Madrid.
Chegámos ao aeroporto de Toulouse, fizémos o check-in e dirigimo-nos à porta de embarque, como é da praxe. Entrámos no autocarro de ligação e, por defeito profissional, fico sempre na expectativa de saber qual o modelo de avião que nos vai sair em sorte. Neste caso saiu-nos um SAAB 340. Trata-se de um avião bi-motor pequeno, turbo-prop, de +/- 30 lugares. Entrámos para o avião e lá levantámos voo.
Normalmente por cima dos Pirinéus (aliás, sempre que existe relevo acentuado do terreno), existem ventos cruzados que perturbam o voo.A certa altura da viagem, já por cima dos Pirinéus, o comandante informou que iríamos passar uma zona de turbulência, pelo que deveríamos apertar o cinto de segurança.
Eu ía sentado na penúltima fila. Quanto mais longe estivermos do centro de gravidade do avião, mais sentimos as oscilações do mesmo (as leis da Física são assim e ponto final). A verdade é que com os saltos do avião, eu chegava a levantar o rabo do banco. Aquilo que evitava que batesse com a cabeça no tecto era o cinto de segurança. Passámos bem mais de um quarto de hora naquele filme. Tenho muitas horas de voo, mas nunca tinha sido chocalhado daquela maneira. Atrás de mim seguia uma senhora que só ria à gargalhada. Julgo que era a forma que tinha de controlar os nervos. Para ajudar à desgraça, a hospedeira tinha-nos servido uma bebida e uma sandes, mas não teve tempo de retirar “as sobras” antes do acontecimento. Assim, tinha que segurar o copo na mão, porque no tabuleiro da cadeira era impensável: entornava-se tudo. Tentei esvaziar o copo bebendo o conteúdo, mas........., como é que eu conseguia levar o copo à boca com aquelas subidas, descidas, volta para a esquerda e para a direita! Onde é que ficava a boca? O cérebro não conseguia dar ordem à mão para acertar com a boca.
Foi o voo mais divertido que fiz em toda a minha vida.
Depois disso fiz várias vezes esta mesma viagem, mas nunca mais se repetiu o incidente.
Este é o grande defeito dos aviões turbo-prop (a hélice) face aos aviões turbo-fan (jacto). O tecto, i.e., a altitude de voo, tem que ser mais baixa e quanto mais baixa, mais estamos expostos às contigências atmosféricas.
Quis deixar escrito o registo deste facto, apesar de saber que por muitos anos que viva, dificilmente me vou esquecer deste incidente.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Alemanha: Partenkirchen

Partenkirchen não merecia uma referência especial, depois de tudo o que já tinha visto na Alemanha, não fosse a mundialmente conhecida rampa de saltos de ski.
Uma coisa é ver na televisão, outra é ver ao vivo.
A altura a que está o início e o fim da prancha e a sua inclinação, devo confessar que mete medo. Era perfeitamente incapaz de efectuar um salto de ski.
Para já, não sei fazer ski, mas isso até era o menos, agora descer rampa abaixo com aquela altura e inclinação, é só para alguns (poucos) destemidos, ou que desde criança se foram familiarizando com tal prática.
Estou convencido que para qualquer português normal, é uma coisa do outro mundo.
É francamente assustador. Só visto!

Ah sim, um pequeno (grande) à parte:
As mansões (sim, porque nem sequer podemos considerar aquilo como vivendas), têm as fachadas cobertas de azulejos nos pisos térreos com vários motivos decorativos, não existindo um padrão definido. Nos 1ºs andares, as varandas e janelas estão ornamentadas com flores, que se debruçam para o chão como um bouquet de noiva. Este panorama, somado à inclinação dos telhados, dá um efeito extremamente bonito e fora do vulgar.
Olhar para uma rua e ver mansões ornamentadas de um lado e de outro desta forma, dá-nos uma sensação de bem estar, difícil de descrever.

quinta-feira, setembro 01, 2005

Passagem da Alemanha para a Aústria: Scharnitz & Innsbruck

Nas minhas caminhadas por terras germânicas, outra paisagem que me impressionou foi a passagem da Alemanha para a Austria em Scharnitz. A estrada já após a fronteira, passa por um túnel que rasga os Alpes. Quando saímos deste, deparamo-nos com uma pradaria coberta de neve, rodeada pelas montanhas dos Alpes, também carregadas de neve. Mais uma vez tive de encostar de imediato o carro na berma (sem fazer pisca-pisca), tal foi a violência da imagem que de repente se abriu diante dos meus olhos. De imediato peguei no telefone e liguei para a minha mulher e para os meus pais, com o triste propósito de tentar descrever o que de tão belo os meus olhos estavam a observar. Não tão extasiante como a Kochel-Walchensee, mas com um sentido estético, que me fez estremecer os neurónios.
A seguir tomámos a auto-estrada e fomos até Innsbruck.
Innsbruck, está metida num vale entre montanhas. Tem muitas charretes puxadas por cavalos para turistas passearem (como Sintra), muita gente na rua, mas.......nota-se que se saíu da Alemanha. O asseio das ruas já não é o mesmo. Já existem paredes pintadas por pseudo-artistas frustados (ou vândalos, conforme o sentido estético de cada um).
Interessante, é a quantidade de eléctricos que servem a povoação. O emaranhado de cabos eléctricos de alimentação é algo que nunca tinha visto em parte nenhuma do Mundo.
A gasolina como é mais barata que na Alemanha, e o passeio a Innsbruck é algo que muitos turistas Alemães fazem habitualmente, estes, antes de reentrarem na Alemanha, fazem como os portugueses em Espanha: atestam o depósito até ao gargalo. Lá como cá, o procedimento é idêntico quando se mexe no bolso das pessoas.
Na fronteira, não nos podemos esquecer de comprar o dístico, se queremos circular pelas auto-estradas austríacas. No nosso caso, tal não foi necessário visto termos ido apenas a Innsbruck e o troço de auto-estrada que nos leva lá, não ser pago.
Passeio muito bonito com imagens bem diferentes daquelas a que estamos habituados a ver.
Um almoço muito agradável, num restaurante tipicamente austríaco.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Alemanha – Karwendel-Mittenwald: Viagem de teleférico

Após um almoço em Partenkirchen, servido num restaurante alemão por um português, os meus parceiros de viagem, queriam por força ir visitar Mittenwald para ver o teleférico. Eu, um pouco contrafeito fiz-lhes a vontade. Como responsável pela missão de serviço, compete-me manter a coesão e a motivação do grupo de trabalho. Estávamos de fim-de-semana, porque não satisfazer-lhes a curiosidade. Assim, acelerador no carro e aí vamos nós.
Chegámos a Mittenwald e estacionei o carro mesmo por debaixo do teleférico.
Quando saímos do carro a imagem era deveras assustadora. O teleférico subia, subia, subia,....até desaparecer completamente no cimo da montanha. Se existissem nuvens, ainda se percebia que este ficasse fora da nossa vista, mas o céu estava completamente azul.
Após 3 ou 4 minutos, alguém do grupo afirmou que já nos podíamos ir embora: estava visto. A totalidade do grupo corroborou a afirmação. Eu que até nem queria ir a Mittenwald, opus-me. Chegámos até aqui, agora vamos ser homenzinhos e subir até lá acima. Não sabia onde era lá em cima, mas aquilo tinha que ter um fim; e vamos todos. Não quero medricas. O grupo contrafeito, acedeu. Ninguém queria ficar com o ónus de ser apelidado de medricas.
Comprámos os bilhetes no mais profundo silêncio, entrámos no teleférico e começámos a subir.
No passado já tinha subido em vários teleféricos, mas confesso que este me fez tremer as pernas. Quando olhava para baixo, a altura ia aumentando, transformando Mittenwald numa aldeia de brincar, e posteriormente numa mancha quase indefinível. Quando olhava para cima, continuava a não ser capaz de vislumbrar, onde o teleférico acabava. E a cabine lá ia subindo e balançando.
Por fim chegámos ao topo. Parecia que tínhamos chegado ao topo do mundo. A cordilheira dos Alpes, com os seus picos via-se a centenas de quilómetros de distância. Tudo branco, branco, branco. Nalguns sítios quando caminhávamos enterrávamo-nos quase até aos joelhos. Era por vezes difícil de caminhar, quando saíamos dos trilhos previamente estabelecidos, mas a paisagem era soberba. Um sol radioso contrastando com a neve no chão. Usava e ainda uso óculos foto-gray. Estes com a luminosidade estavam completamente pretos – se calhar foi por isso que as lentes agora já não escurecem com o sol.
Tirámos dezenas de fotografias e por fim apanhámos novamente o teleférico de volta. Não sem que apesar da minha mente já se encontrar avisada, tenha novamente sentido um tremor nas pernas.
Valeu o passeio. Todos concordaram.....e portaram-se condignamente.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Minha Esposa

No passado sábado, fez 23 anos que comecei a namorar com a mulher que me tem acompanhado ao longo destes anos.
Costuma-se dizer que namoros de praia ficam enterrados na areia. Tal não foi o caso.
Costuma-se dizer que no casamento há anos melhores e outros piores. Tal não foi o caso.
Costuma-se dizer que por vezes é natural existirem discussões entre o casal. Tive que perguntar à minha esposa quando foi que discutimos. Em 23 anos, lá se encontraram 3 ou 4 ocasiões em que tal aconteceu e de que francamente já não me lembrava mais.
É uma mulher linda, tanto por dentro como por forma.
Tem uns olhos azuis fascinantes, uma voz doce como o mel, uma paciência sem fim (mas felizmente com personalidade - sem ser mole ou submissa), uma argúcia vincada, uma inteligência acima da média, umas bochechinhas e uma boca que eu adoro beijar, uns seios lindos, um corpo que me excita.
Sabe mesmo bem estar com ela. Muitas vezes em casa não estamos na presença um do outro, visto cada um andar nos seus afazeres, mas eu sinto sempre a sua presença, e o bem estar que ela me incute.
Foram 23 anos francamente agradáveis. Tão agradáveis que eu, que sou um despistado com datas e recordações, lembro-me tão bem desse dia como se fosse ontem.
É de facto uma Mulher com M grande.
A nossa filha tem um feitio muito vincado, muito especial. Pois a minha mulher tem uma capacidade de enfrentar as situações com que diariamente se depara com ela, de uma forma inteligentemente superior. Capacidade que muitas das vezes eu não tenho, reconheço.
Por vezes é uma mulher exageradamente sonhadora. Mas para contrabalançar cá estou eu para a trazer de novo à Mãe Terra.
No primeiro dia que nos vimos, houve de imediato uma química, que ainda hoje sinto quando olho para ela. Ela mexe comigo. Eu a amo apaixonadamente!

domingo, agosto 28, 2005

Alemanha – Kochel-Walchensee

Um dos passeios que fazem parte da tradição ao fim de semana, é ir evidentemente conhecer os Alpes.
Uma vez numa reunião de trabalho em França, perguntei porque é que eles iam fazer ski para os Alpes, quando tinham os Pirinéus tão próximos. A neve não era a mesma? Fez-se de imediato silêncio. Tinha cometido a gafe do século. Qualquer praticante sabe que a neve dos Alpes é muito mais dura, compacta, pelo que se presta melhor à prática do ski. Para além disso, as paisagens são incomparáveis. Vim a descobrir isso, uns anos mais tarde.
Bom, num célebre Sábado (ou Domingo), os 5 magníficos metem-se dentro do seu Chrysler Voyager 3,3l a gasolina de caixa automática e tomam a autobhan para os Alpes.
Numa determinada altura, já numa estrada secundária, o meu navegador enganou-se e metemo-nos por uma estrada que não era a previamente definida.
A dada altura, ele olha para o mapa e diz-nos: a seguir aquela curva, vamos ver um lago. Tratava-se do Kochel-Walchensee. Saio da curva, e deparasse perante nós uma paisagem, que apenas tinha visto nos calendários que por vezes me oferecem no início de cada ano.
Encostei o carro à direita, sem sequer fazer pisca-pisca à boa maneira portuguesa. Saímos do carro e durante 10 a 15 minutos não conseguímos proferir uma palavra que fosse entre nós. A mim, vieram-me as lágrimas aos olhos. Era indiscritível a beleza que se deparava perante nós.
Um lago espelhado, ladeado ao fundo por uma enorme cadeia montanhosa coberta de neve nos picos e montanha abaixo, como se fosse um creme branco derramado em cima de um bolo. O silêncio era sepulcral, entrecortado com o chilrrear dos pássaros. A imagem da montanha encontrava-se igualmente visível nas águas do lago. No meio das montanhas inundadas de uma espessa floresta, encontravam-se casas senhoriais e palácios perfeitamente integrados na paisagem. Deus certamente morava ali!
Sentados nos bancos que ladeavam o lago ali estavam 5 criaturas que nem fotografias tiravam, porque o seu cérebro não conseguia entender o que estavam a ver. Majestoso! Indescritível! Algo não produzido pela mão humana, mas certamente por uma entidade muito superior, com um enorme sentido estético. Ainda hoje me arrepiu do que os meus olhos viram.
Pensando bem, não vou escrever mais nada sobre este assunto. Sinto que estou a profanar algo divino.
Paisagens como esta, não se descrevem, não se fotografam, nem sequer se filmam. Apreciam-se doce e lentamente ao vivo, permitindo que os nossos neurónios tenham o tempo suficiente para que lentamente e sem perder um bit de informação a absorvam em toda a sua plenitude.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Munique – Cerveja

Como é sabido, os Alemães adoram beber cerveja. Não aos copos como nós, mas às canecas grandes. A sorte deles é que a sua cerveja tem em média um grau alcoólico inferior à nossa. Se assim não fosse, era uma desgraça.
No centro de Munique, perto de Marien Platz, existe uma dessas grandes cervejarias. Esta que visitei, tem particularidades que as nossas não têm.
É uma área muito grande, onde no meio estão 5 a 6 músicos vestidos com trajes tradicionais a tocarem e cantarem música tradicional alemã, em alto som.
As pessoas praticamente só bebem, não comem nada, e enquanto o fazem houvem a música, cantam as músicas que se vão tocando e conversam em voz alta, em grande festaria. Por analogia, para quem conhece os desenhos animados do Astérix, parece o banquete final na aldeia dos gauleses, após todas as peripécias acabarem em bem.
As mulheres que servem às mesas com trajes também tradicionais, trazem para as mesas 8 a 10 grandes canecas de cada vez. Até faz impressão como conseguem agarrar tantas canecas ao mesmo tempo, para além do peso que tal carga representa. Elas são todas mulheres encorpadas, pelo que estão habituadas ao trabalho.
O ambiente é tão informal, que até nós, nos sentimos de imediato bem. É de facto algo que merece ser visto.
Para além disso, numa sala mais reservada, existe um depósito de canecas. Isto é, as pessoas, têm canecas guardadas com o seu nome, e quando vão à cervejaria, só bebem na caneca deles. À canecas com centenas de 100 anos, que foram passando de pais para filhos, como se tratasse de um ritual.
O mais impressionante em tudo isto é de facto a forma exuberante como os alemães se divertem, como se nada no Mundo os preocupasse,....., nem mesmo se o céu lhes caísse em cima da cabeça.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Munique - Bicicletas

Na zona da Baviera outra coisa que me impressionou, foi a quantidade de pessoas que se deslocam de bicicleta.
A maioria das estradas têm 3 zonas: a destinada aos automóveis, ladeada dos dois lados por uma pista para bicicletas, e depois a parte pedonal (apenas nas proximidades das localidades).
A Baviera é uma zona praticamente plana, pelo que se presta exemplarmente a este tipo de transporte. É fácil a muitos quilómetros de distância avistar os Alpes, face à diferença de altitudes. Por exemplo da torre de telecomunicações de Munique, em dias claros, vê-se perfeitamente grande parte da cordilheira alpina. Não nos esqueçamos que estamos a cerca de 150-200 Km de distância.
Em Munique, junto às estações de comboio, vêm-se centenas de bicicletas perfiladas. Até faz confusão como conseguem reconhecer a sua.
Em Munique como nas povoações mais pequenas, como seja Donauworth, Augsburg, Rothenburg, Nordlingen, as senhoras usam na traseira das bicicletas, cestos. Nestes pousam as suas malas e quando chegam ao comercial tradicional local para fazer pequenas compras, descem o descanso da bicicleta, pegam na sua mala e vão às compras. Quando regressam pousam as compras no cesto e se houver espaço a respectiva mala.
Vi por variadíssimas vezes, senhoras que no lugar dos cestos tinham cadeirinhas de bébé. Assim se deslocam acompanhadas dos seus filhos. Mais interessante, as cadeiras possuem nas costas da mesma um gancho (a minha também tem, mas não fazia idéia para que servia), que tem como finalidade poderem pendurar a respectiva mala. Vi dezenas de casos. A mala está perfeitamente fora das vistas da própria enquanto circula. Pondo a mentalidade portuguesa (não, latina) a funcionar, que maravilha seria esta pratica para os nossos carteiristas.
Cá estão novamente as diferenças socio-culturais a trabalhar.
Para finalizar, gostaria de relatar um pequeno episódio que se passou comigo e outros colegas. Ao passearmos nas ruas de Munique, íamos destraídamente olhando para as lojas, as fachadas dos prédios,......., enfim, para todo um mundo diferente daquele a que estamos habituados a ver diariamente. Por vezes, saíamos do passeio e pisávamos a pista das bicicletas. Imediatamente um ciclista tocava a campainha, para que saíssemos do caminho. Aquele sítio é deles e de mais ninguém. Ao final de 3 ou 4 situações idênticas, começámos a comportar-nos como verdadeiros alemães.
Esta organização, este conhecimento e respeito onde se inicia e termina a liberdade de cada um, permite uma convivência feliz, que se encontra estampada na cara da grande maioria da população; situação que infelizmente não se verifica em Portugal.

terça-feira, agosto 23, 2005

Munique – Quiosque dos Jornais

A profissão que exerço, obriga-me a deslocações frequentes ao estrangeiro.
Para além disso, adoro viajar.
Entendo que essa e a melhor forma de adquirir cultura. Por vezes convencemo-nos que o nosso “modus vivendis” é um padrão a seguir, e que qualquer outro diferente, não passa de um disparate ou devaneio. A verdade, é que existem múltiplas formas de encarar o mundo, seus problemas e respectivas soluções. É preciso ter algum cuidado com as verdades ditas absolutas, nomeadamente quando desligadas dos respectivos contextos.
Ultimamente tenho tido necessidade de me deslocar profissionalmente à Alemanha.
Numa destas deslocações tive que lá ficar algumas semanas. Durante os fins de semana, como a empresa está encerrada, aproveita-se o tempo para conhecer lugares diferentes.
Devo desde já confessar, que de todos os países que visitei e já são bastantes, a Alemanha apresenta para mim um fascínio muito especial.
Certo Sábado ou Domingo (já não me lembro), decidimos ir visitar Munique (éramos 5 pessoas). Após estacionar o carro, entendemos percorrer a pé algumas ruas da cidade, para melhor a conhecermos.
A certa altura deparámos com uma caixa cheia de jornais. Após uma análise de escassos segundos, estranhámos o facto da caixa não ter cadeado (aqui está a mentalidade portuguesa a trabalhar). 1 ou 2 quarteirões mais à frente, deparámos com outra caixa idêntica e, “en passant” como dizem os franceses, constatámos que também nesta o cadeado não estava presente. Pusémos a estatística a funcionar (defeito de profissão) e começámos a achar esta situação deveras estranha. Mais 1 ou 2 quarteirões e a situação repete-se. Decidi então unilateralmente interromper o passeio e ir investigar de perto. Debrucei-me sobre a caixa e constatei que conseguia levantar a tampa e retirar os jornais sem qualquer problema. No entanto, com o meu pobre alemão, apercebi-me que estes jornais eram pagos; i.e., não eram daqueles que são oferecidos e sustentados pela publicidade.
Enquanto procedia ao estudo, aproximou-se de mim um alemão que delicadamente me pediu licença para retirar um jornal. Eu afastei-me, ele levantou a tampa, retirou o jornal e depositou a quantia numa ranhura existente na caixa, por esta sequência.

Conclusão:
Se os jornais são pagos, então as pessoas só têm que os pagar, quando os retiram do quiosque para ler.

Esta situação é tão deliciosamente simples que é dificilmente entendível não só por um português, como qualquer outro latino.
Fiquei envergonhado comigo mesmo, por todo o malévolo raciocínio que tive e induzi nos meus colegas. Não culpei as minhas origens latinas. Entendi, que me deveria culpar apenas a mim mesmo.
São pequenas situações como esta, que nos lembram a distância a que nos encontramos de certos povos: culturalmente, socialmente,..... Não digo que não tenhamos grandes qualidades, que não estão presentes nestes povos (posso citar várias), mas ainda temos um longo percurso pela frente, para nos podermos integrar de pleno direito na dita União Europeia, nomeadamente na dos países mais desenvolvidos.

segunda-feira, agosto 22, 2005

Pesca

A pesca foi um desporto que descobri à poucos anos por acaso. Julgo que num Natal, a minha esposa ofereceu-me uma cana e um carreto. Na altura fiquei muito surpreendido com tal oferta, porque tinha sido um hobby, que me tinha passado pela cabeça apenas 2 ou 3 vezes. Comprei mais uns quantos apretechos, uns livritos que explicassem as regras básicas da arte ..... e fui pescar.
Como os meus pais têm uma residencial perto do Meco, foi aí que me iniciei nas lides: praia das Bicas e praia do Meco. Rapidamente descobri uma faceta minha que não sabia existir: o gosto pela pesca, ou melhor, o gosto de estar na praia junto ao mar, em contacto com a natureza, mas tendo a mente e as mãos entretidas.
Outra praia onde gosto muito de pescar é na praia do Carvalhal a seguir a Tróia. Um santuário de sossego fora da época balnear.
O “Surf Casting”, como profissionalmente se diz, permite-me a abstracção dos problemas mundanos, liberta-me a mente e permite-me respirar o ar puro da natureza. Nunca apanhei grandes peixes. Uns Sargos, uns Charroucos (estes na foz do Guadiana) e pouco mais. Adorava um dia apanhar um Robalo, mas até à data nunca tive tal sorte.
Confesso que a pesca por vezes, leva-me a um pequeno conflito interior. Sempre que posso, quando apanho peixes e estes não ficam feridos (e não são grandinhos, evidentemente), devolvo-os ao mar. Às vezes peço a Deus, para que não apanhe nada, porque não é esse o principal motivo porque ali estou (detesto matar um peixe porque o feri); outras vezes fico aborrecido quando não apanho nada. Dá-me uma sensação de incompetência na arte da pesca; e a sensação de incompetência, é algo com que tenho enormes dificuldades em lidar.
Seja como for, gosto muito de ir com o material às costas para a beira-mar. Claro que este acto apenas pode ser feito fora da época balnear, mas como não sou um fanático, não me sinto incomodado por ter de esperar que passe tal época.
Todos os anos tiro logo em Janeiro a licença de pesca para águas interiores. No entanto, nunca experimentei tal pesca. Um tio da minha mulher já por várias vezes me convidou a ir pescar no Alentejo, mas por um motivo ou outro, tal experiência tem sempre sido adiada. Um dia destes ainda pego no carro e vou até uma barragem, para ver se o prazer que sinto, é idêntico ao que tenho quando estou à beira-mar.
Quando não vou à pesca, também me agrada ficar em casa a empatar anzóis, limpar carretos, produzir montagens. Cá está outra vez a ocupação que me liberta a mente.
Desde que temos a nossa filha que nunca mais fui à pesca. Troquei este hobby, por outros mais consentâneos com a idade dela. Não estou arrependido nem por sombras, apesar de já sentir falta de matar o meu gosto pela pesca e de estar acompanhado comigo próprio e da natureza de que tanto gosto.
Talvez agora após a época balnear faça o gosto ao dedo.....

sexta-feira, agosto 19, 2005

Punta del Mural - Frota pesqueira espanhola

Enquanto estive de férias, pude observar na baía confinada entre Punta del Mural e Isla Cristina, a frota pesqueira espanhola. São na sua grande maioria barcos de calado superior aos nossos e preparados para pesca de arrasto mecánico. O volume e tamanho da frota, não pode ser comparada com qualquer porto de pesca português que conheço. É de facto impressionante!
Da varanda do hotel, podia-se ver a saída da barra. Todos os dias úteis, os barcos (ou pelo menos uma boa parte deles), saíam para as lides da pesca. Tinham todos um ponto em comum: rumavam sempre em direcção sudoeste; i.e., entrando em águas territoriais portuguesas, não sei se para aí pescarem ou para se dirigirem às águas de algum país do Magrebe.
É fácil de perceber, que se toda a Espanha apresenta uma frota pesqueira deste calibre, não há fauna piscícola que resista nas águas territoriais espanholas. Daí a necessidade de rumarem para outras paragens,....., nomeadamente as nossas.
As zonas de banhos nas praias que frequentei, são delimitadas por bóias ligadas por cordas. Em dois dias e de forma concertada, várias embarcações fizeram arrasto a pouquíssimos metros destas. A idéia, julgo que seja a apanha de conquilhas, que do lado português são apanhadas pelos banhistas remexendo a areia com os pés, ou “de uma forma mais profissional”, usando redes agarradas a gadanhas presas pela cintura dos solitários pescadores. Assim se vê a diferença de concepção da arte entre os 2 países. Concepção industrial por parte de Espanha; concepção artesanal por parte de Portugal.
Não digo neste caso que o nosso procedimento esteja errado! Se calhar é aquele que melhor conserva o equilíbrio ecológico e o desenvolvimento sustentado das espécies. A frota espanhola devora tudo o que encontra, e é dificilmente confinável dentro das suas águas territoriais. A meu ver, o problema agrava-se com a abolição das fronteiras no espaço comunitário e a abertura progressiva da nossa zona económica exclusiva às embarcações espanholas.
Será que poderemos ter força junto das instâncias internacionais para resguardar um dos poucos recursos naturais abundantes que temos, de predadores estrangeiros? Mais, será que ainda faz sentido em apelidar os espanhóis de estrangeiros?
Eu sou um modestíssimo pescador de costa à linha. Em Portugal cada vez se apanha menos peixe. Poderia ser devido à minha falta de engenho e arte, mas quando converso com outros companheiros de hobby, todos me dizem que cada vez é mais difícil apanhar peixe. Do lado espanhol, nunca vi ninguém a pescar à linha em águas exteriores.
É urgente preservar com todas as nossas forças este enorme mar que nos protege.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Punta del Mural – Gestão de Investimentos

É interessante apercebermo-nos da realidade que se passa nesta localidade e da presente forma de pensar do povo espanhol:

1º Exemplo
O Hotel Playacanela onde ficámos é de 4 estrelas e encontrava-se praticamente cheio; sobretudo de espanhóis e também de alguns portugueses. Mesmo ao lado deste, encontra-se em construção um outro da mesma cadeia, mas de 5 estrelas. Este último hotel neste momento tem apenas as placas de betão erguidas, encontrando-se a obra parada.

2º Exemplo
A marina para barcos de recreio (muito bonita por sinal, parecendo Vilamoura em ponto mais pequeno), encontra-se terminada na sua 1ª fase e praticamente repleta de barcos particulares. Facilmente se constata, que a geografia da bacia hidrográfica, bem como algumas infraestruturas já existentes, permitem a sua ampliação, para uma dimensão muito maior.

3º Exemplo
Os edifícios construídos junto à marina, apresentam os pisos térreos tapados com paredes de tijolo na maioria dos casos (estando os apartamentos operativos) . Onde tal situação não se passa, verifica-se a existência já de lojas abertas ao público; i.e., os espaços para as lojas já se encontram definidos, mas tapados com paredes, até que tenham dono.

Em conclusão: a Espanha não entra em megalomanias. Esta zona costeira, não pode neste momento competir com zonas turísticas consagradas como sejam Torremolinos, Marbella, Ibiza, Benidorm e tantas outras. Por outro encontra-se encostada a uma zona chamada Algarve, também bem conhecida internacionalmente.
Como os recursos financeiros são escassos e dinheiro custa dinheiro, as infraestruturas básicas são preparadas para longo prazo, sendo apenas terminadas as julgadas necessárias e suficientes, para garantir o rendimento necessário, para fazer face a parte dos investimentos futuros.
Esta é de facto a grande lição a retirar. Dentro de 4-5 anos, esta zona de Punta del Mural, fará concorrência directa no mercado turístico a outras bem mais conhecidas presentemente.
Chama-se a isto crescimento sustentado! A grande magia da gestão empresarial, não está em investir hoje 500, para no ano seguinte arrecadar 1.000 e quem vier atrás que feche a porta. A magia está em investir sistematicamente 100, para poder retirar 130 anualmente. Os planos de curto e médio prazo, são sustentados por planos de longo prazo.É esta a grande diferença de mentalidade entre os investidores portugueses e espanhóis.
Também é verdade que passámos por uma revolução (com tudo o que isso tem de positivo e negativo) e eles por uma evolução na continuidade, mas.....isto é outra história....só que a diferença nos resultados começa a estar à vista!

quarta-feira, agosto 17, 2005

Punta del Mural

Como tenho uma filha com 2 anos a minha esposa nestas férias não se quis ausentar para muito longe de casa, não fosse aparecer-lhe algum contratempo de saúde que obrigasse a uma intervenção rápida. Por outro lado, eu estava farto do “modus vivendis” português, com tudo o que isso tem presentemente de negativo.
Assim, tentando equilibrar ambas as vontades e pela 1ª vez, decidimos ficar a 2ª quinzena de Julho em Punta del Moral, no Hotel Playacanela.
Punta del Moral é uma pacata localidade costeira a 8 quilómetros da fronteira de Vila Real de S. António, imediatamente a seguir a Isla Canela. Trata-se de uma zona com excelentes condições naturais, como seja uma marina para barcos de pesca e desporto, e um areal sem fim. Este não é tão branco como o do Algarve, penso que devido à proximidade da foz do rio Guadiana. A verdade é que:
· descansámos;
· disfrutámos da praia de águas mornas;
· não tivémos que aturar a televisão portuguesa, nomeadamente dos noticiários da desgraça, ou dos profetas dela;
· pude conduzir o carro sem o stress do egoísmo que se implantou no coração dos portugueses e que se traduz na forma como se conduz;
· atestar gasolina cerca de 30Esc. mais barata por litro;
· e aproveitar a hospitalidade, afabilidade e organização tão típicas das estâncias turísticas espanholas.
Estes 15 dias valeram todos os euros que se gastaram. Conhecendo eu como conheço vários destinos estrangeiros, devo confessar que não fiquei minimamente desiludido.
No hotel havia uma piscina sem fim, uma exterior e uma interior, dois jacuzzis, sendo um de água quente, ar condicionado no quarto, escorregas e baloiços para as crianças e bastava abrir a porta das traseiras, atravessar o passeio pedonal e aí estávamos nós na praia. Parecia um paraíso a 3 horas de Lisboa.
Nunca tinha visto tanta criança num mesmo hotel, acompanhada de pais e avós, mas na realidade é para isso que este hotel se presta. Até pelas piscinas se via a preocupação com os mais novos: nenhuma das piscinas tinha mais de 1,60Mt de altura de água, pelo que eu tinha sempre pé (as pessoas espalhavam-se por toda a área das piscinas, sem encontrões), possuía 2 escorregas para dentro de água, e a exterior tinha a particularidade de numa das pontas ter uma rampa muito suave, que permitia que todas as crianças pudessem estar na água, sem aflições para os pais. Bem feito! Chegava a haver crianças na água com meses de idade. A minha filha adorou não necessitar da nossa ajuda para entrar na água.
Sempre que se quisesse matar saudades de Portugal, bastava atravessar a ponte do Guadiana e em 15 minutos estávamos no centro de Monte Gordo ou Vila Real de S. António.
Excelente localização! Excelente serviço! Excelentes férias!

Regresso de férias

Cá estou eu mais uma vez sentado ao computador do costume, após mais um período de férias. Satisfeito por um lado, por estas terem decorrido tão bem, insatisfeito, por não ter conseguido alcançar um dos meus objectivos. Se nestas 4 semanas consegui descansar a mente, não consegui livrar-me dos calmantes (Pazolan).
Antes de ir de férias, para aguentar o stress estava a tomar:
* 1 comprimido 0,5mg ao jantar;
* ½ comprimido 0,5 mg ao pequeno almoço;
* ½ comprimido de 0,5 mg al almoço.
Pensei: tomo 4 ½ comprimidos, tenho 4 semanas de férias, então vou reduzir ½ comprimido por semana, para quando retomar o trabalho estar limpo de drogas. Assim comecei a fazer, mas infelizmente durante a 4ª semana, voltaram as dores musculares no peito, no braço e perna direita, a taquicárdia, bem como os tremores.
Talvez seja a excitação pelo recomeço do trabalho e saber que no novo ano de trabalho que começa, os problemas vão ser cada vez maiores.
Como é possível satisfazer um cliente com X horas de trabalho, quando o potencial existente na empresa é X/4? Para agravar a situação, todas as linhas de montagem na Europa, dependem da nossa produção de peças. Trata-se de uma perfeita impossibilidade matemática, que ainda por cima não está nas minhas mãos controlar. No entanto, vou ter de dar a cara ao Cliente quando este começar a reclamar e por fim a desesperar. Acho que esta situação é tipicamente portuguesa: ter mais olhos que barriga!
A verdade é que não posso deixar que este ano se transforme num calvário 2 ou 3 vezes superior ao do ano passado. Cada um tem que assumir as consequências dos seus actos. Eu não posso carregar o fardo das más decisões alheias. Tal situação é-me insustentável e trás prejuízos incalculáveis para mim e para toda a minha família. Tenho que realizar a minha parte com todo o profissionalismo possível, mas ......... não posso sózinho alterar o panorama em que estamos mergulhados.
Por vezes quase que entendo a forma como os funcionários públicos atendem as pessoas. Se calhar também lutaram contra o sistema, mas este é bem mais forte do que eles, pelo que a solução não pode ser outra senão submeterem-se à lei do mais forte, para tentarem sobreviver.
Infelizmente é esta a perspectiva com que tenho de encarar este ano de trabalho que aí vem, para bem pessoal e da minha família.
Tenho que manter a mente entretida com outros temas sempre que transpuser as portas da empresa, arranjar um hobby, dedicar a minha cabeça a estudar assuntos, que infelizmente por um motivo ou outro tenho vindo a adiar.
Eu tenho e quero livrar-me dos fármacos. Tenho 43 anos de idade e não pretendo que estes façam parte integrante da minha vida!

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Conhecer-me a mim mesmo

Criei este blogue, apenas com o intuito de conversar comigo mesmo. No entanto, sem receios de o partilhar com outrém. A minha idéia prende-se com a necessidade de me recentar no Mundo. O que pretendo fazer de mim mesmo, como conseguir ser mais feliz. A ver vamos se é desta que consigo levar por diante esta tarefa. Trabalhar 10 horas por dia, dormir outras 8, não sobra muito tempo para tarefas como esta a que me proponho. No entanto, sinto que preciso deste tempo de reflexão.....urgentemente! Espero conseguir! Até breve.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Prelúdio

Não sei se terei tempo para manter este blogue.
Não sei ainda sequer o que escrever nele. Sinto no entanto uma enorme vontade de desafabar, de escrever o que penso e sinto. Vai ser bom falar comigo próprio e quiçá com terceiros.

Até muito breve